domingo, novembro 14

CHÁ DAS CINCO #6


Odisseu e canto das sereias

"(...) O Mar esmagara-o.
Todo o corpo estava dorido e água salgada corria-lhe
da boca e das narinas. Jazia sem fôlego, incapaz de falar,
incapaz de se mexer. Apodera-se dele um cansaço ingente.
Quando voltou a si e ao peito regressou o alento,
desprendeu do corpo o véu da deusa marinha e deixou
que caísse no rio que fluía em direcção ao mar.
Uma onda forte levou-o na corrente e de imediato Ino
recebeu o véu nas mãos. E afastando-se do rio, Ulisses
ajoelhou-se num canavial e beijou a terra dadora de cereais.
Mas desanimado assim disse ao seu magnânimo coração:

"Ai, pobre de mim, o que estará para me acontecer?
Se aqui junto ao rio mantiver vigília durante a noite,
receio que a cruel geada e o fresco orvalho vençam,
na fraqueza em que estou, o meu espírito estafado.
E do rio soprará logo de manhã um vento frio.
Mas se eu subir esta elevação até ao bosque sombrio
e lá me deitar entre os densos arvoredos na esperança
de afastar o frio e a fadiga, receio que ao dormir docemente
me exponha como presa para as feras selvagens."

In Odisseia, Homero. Tradução Frederico Lourenço, Ed. Cotovia.

5 comentários:

celestecarvalho disse...

Enquanto Ulisses vagueia, derante vinte anos, de ilha em ilha, de sereia em sereia, de circe em circe, Penélope espera, fiel, cuidando de Telémaco e afastanto os prentendentes... (isto, pelo menos numa versão, que é aquela que os homens mais gostam!)

gm disse...

E qual é a versão que a Celeste prefere?

celestecarvalho disse...

Eu? Não tenho preferências, não cultivo mitos, mas gosto muito da mitologia!

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