sexta-feira, maio 6

PURO PRAZER #115


Grunion Run, Byron Kim

“Se ontem tínhamos o direito de ser fatalistas por optimismo, doravante devemos ser audaciosos por pessimismo. Nesta consciência crítica perpassa um optimismo pessimista, corrijo, um pessimismo optimista (enganei-me de propósito), uma visão desoladora com um mínimo de esperança. Mas é neste desfasamento entre a idealidade e a realidade que radica o nó-górdio da condição humana. Viver o tempo como uma enriquecedora tensão entre a memória do passado e a pulsão das saudades do futuro, contrapondo à crise do historicismo a lucidez de quem está avisado de que a mesma luz que ilumina é também a luz que cega e sabe, como única certeza, que os conceitos de verdade, de realidade e de sentido têm de ser constantemente interrogados.”

Cidadania e Sociedade de Valores, Miguel Veiga. Congresso da Cidadania

(a este «naco de prosa», adiciono Più Mosso de Astor Piazzola e o desejo de um belíssimo fim-de-semana para todos!)

3 comentários:

Caiê disse...

Ó GM, se eu não soubesse que é portuguesíssimo... com este post de filosofias tão intrincadas e antitéticas, acompanhadas do Piazolla - e parabéns, meta-o mais vezes, que eu adoro! Pode meter o libertango, por favor?! ;) - , eu quase diria que você era primo de um francês que eu cá conheço... :)

R.Dart disse...

GM, boa entrada. Tenho imensa pena de não poder assistir a mais intervenções do congresso. Fizeram excelentes escolhas.
Esse texto em particular lembrou-me um misto de Teixeira de Pascoaes com Karl Popper. Estranha mistura esta, mas vai precisamente ao encontro do que ambos dizem em partes das suas filosofias.
Bom fim de semana.

Anónimo disse...

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