"Por vezes, um homem chega a meio da vida e desata a correr como se soubesse para onde vai."
In Matteo perdeu o emprego, Gonçalo M. Tavares, Porto Editora 2010.
Felipe González: "Se o BCE fizesse apenas uma terça parte do esforço de compra de dívida pública que fez a Reserva Federal norte-americana para quase o dobro dos cidadãos e mais do dobro do Produto Interno Bruto, a especulação acaba." Na Europa, a lucidez só chega com a idade?
Por dever de ofício tenho acompanhado os debates de Plano e Orçamento nos últimos 10 anos. Ano após ano, assisto a repetidas humilhações políticas infligidas ao PSD/A seja pela maior preparação técnica e política do Governo, seja pelas proposituras dos restantes partidos da oposição, mas, sobretudo, pela enorme desorientação, inépcia ou inaptidão política que as várias formações e lideranças parlamentares, do maior partido da oposição, vão revelando.
De espanto em espanto. Acabo de ouvir na RDP/A que os Srs. Deputados à Assembleia Legislativa vão passar a ter de elaborar relatórios de todas as deslocações em serviço que façam inter-ilhas. Espanto! A decisão foi tomada pela mesa da Assembleia, na sequência de uma recomendação feita pelo Tribunal de Contas. Espanto maior! Primeiro, pensava eu que a Assembleia Legislativa dos Açores era um órgão de governo próprio da Região de cariz essencialmente político. Segundo, pensava eu que os representantes do Povo Açoriano apenas respondiam politicamente perante o povo açoriano e não administrativamente perante o Tribunal de Contas. Terceiro, pensava eu que as deslocações inter-ilhas dos Srs. Deputados se faziam em trabalho político devidamente justificado pelas respectivas direcções parlamentares. Quarto, pensava eu que o Estatuto dos Srs. Deputados, ainda, não seria equivalente ao dos funcionários públicos, de modo que tivessem de justificar formal e administrativamente o trabalho efectuado. Quinto, não consigo encontrar justificações para que sejam os Deputados a dar esse tipo de explicações formais e administrativas quando existe um corpo técnico e administrativo na Assembleia que deve instruir devidamente essas matérias. Sexto, e último, não sei como os Srs. Deputados aceitam que lhes sejam exigidos escrutínios que, e, sublinho, muito bem, aos membros do Governo dos Açores não são. Claro, que, nestas coisas, o problema deve ser, apenas, meu! Bem diz o nosso povo "Quem muito se agacha, o cu lhe aparece..."
Há cerca de 2 anos escrevi no Correio dos Açores o artigo O ERRO DO PDA: ENTRE O QUERER SER E O DEVER SER. Não me afastando, substancialmente, do que então escrevi, julgo ser de sublinhar o renovado estoicismo de alguns dos seus militantes, na pessoa do Sr. Manuel Costa. Seguirei com interesse o debate e as reflexões que farão, no próximo fim-de-semana e nos tempos que se avizinham. Contudo, sem querer desvalorizar a "luta titânica" das idéias, penso que a maior prioridade para este PDA deverá ser a da sua credibilização como partido regional. Fundamentalmente, o que se pode pedir aos novos dirigentes é que afastem o estigma de "tertúlia de café de Ponta Delgada" e se regenerem através da criação e consolidação de estruturas locais em todas as ilhas, por forma a poder maximizar o círculo regional de compensação. Para isso basta olhar algum do trabalho feito por outros pequenos partidos já com representação parlamentar.
Expresso: Estamos condenados a comunicar permanentemente?
Da vida dos outros. Ou talvez não. Depois de dois anos de debate interno multi-sectorial, o primeiro-ministro escocês, Alex Salmond, apresentou hoje um livro branco sobre o futuro constitucional da Escócia. O livro branco propõe quatro possibilidades: o status quo, uma extensão limitada dos actuais poderes do Parlamento regional, uma autonomia regional maior principalmente na área fiscal e, finalmente, a independência plena. Até parece simples, não é?