quinta-feira, maio 29

CHÁ DAS CINCO #255

Jacques Attali

A ler: Le liberaltruisme

"... Demain, plus encore qu’hier, bien des combats seront encore menés par des partis se revendiquant de gauche pour la défense des libertés, en particulier celle de travailler, et pour la conquête de libertés nouvelles, en particulier en matière de mœurs. (...) La gauche, si elle veut rester à l’avant-garde du changement social, devra donc se faire le champion de valeurs nouvelles, visant à la prise en compte par chacun des exigences de la liberté d’autrui, en particulier celles des plus pauvres et celles des générations futures. Cela s’appelle l’altruisme, dans lequel chacun cherche son bonheur dans celui des autres.
Une des grandes questions politiques de demain sera ainsi de rendre compatible libéralisme et altruisme, et d’en tirer un projet politique. La droite le cherchera dans la généralisation de la charité et la promotion des fondations. La gauche le construira par la mise en place de nouvelles institutions publiques...
"

CHÁ COM TORRADAS #240

Dos pensamentos matinais. Perante a escalada de preços dos combustíveis e dos bens alimentares, o que sentirão, hoje, aqueles que sempre sorriam com sobranceria ou condescendência quando falávamos da importância de políticas públicas estruturais em favor de uma mudança de paradigma na mobilidade assente nos transportes públicos e nos incentivos fiscais a veículos energeticamente alternativos ou na importância de alteração de hábitos de consumo pela valorização dos produtos regionais através da diversificação das produções agrícolas, em detrimento de investimentos em infra-estruturas económica e socialmente insustentáveis e de incentivos a uma cultura única extensiva? Será que ainda se julgam senhores de uma razão única e iluminada? No mínimo um amargo de boca...Mas o pior, é que serve de pouco ter razão no tempo certo. Há, pois, que continuar a lutar!

quarta-feira, maio 28

CHÁ COM TORRADAS #239


Hoje:
Economic Left/Right: -2.00
Social Libertarian/Authoritarian: -5.90

Em Outubro de 2004:
Economic Left/Right: -3,38
Social Libertarian/Authoritarian: -3,38

O mesmo quadrante, mas um pouco mais liberal na economia e nos costumes. É a vida...

CHÁ COM TORRADAS #238

terça-feira, maio 27

PURO PRAZER #316


"... Este é o livro das ideias num tempo em que as ideias aparecem ou se querem mortas, em que os enredos se desenvolvem de forma plástica para que o homem/leitor não tenha de completar um silogismo ou procurar um conceito. Este é o tempo da sobrevalorização do “mostrar” sobre o “pensar” que cria a impaciência generalizada. Este poderia ser um livro fora de época, no tempo do “diz-me o que sentes, não o que pensas”, quando, na verdade, é, de novo, o livro certo para este tempo a preto-e-branco..."

DE ALGUNS HOMENS SEM QUALIDADES, hoje no Suplemento de Cultura do Açoriano Oriental ou n' O Bule do Chá

quarta-feira, maio 21

CHÁ DAS CINCO #254

Atenção, porque há sempre alguém a ver melhor. Catorze antigos altos responsáveis europeus pedem a criação de um comité de crise europeu para enfrentar as turbulências financeiras e limitar os seus riscos na Europa. Num texto publicado, hoje, no "Le Monde", intitulado "A finança louca não nos pode governar", sublinham que "O mundo das finanças cumulou uma massa gigantesca de capital fictícia mas que melhora só muito pouco a condição humana e a preservação o meio ambiente". Esta será uma questão ética e de "moral social".

terça-feira, maio 20

CHÁ COM TORRADAS #237

Atenção, porque há sempre alguém a pensar melhor. Tendo como pano de fundo factores como a elevada taxa de pobreza infantil, o desemprego e o baixo nível de escolarização dos pais, o Conselho Nacional de Educação elaborou um Estudo sobre “A educação das Crianças dos 0 aos 12 anos”, que se destaca pela crítica fundamentada à falta de apoio às famílias na educação dos filhos. O Estudo, assumindo que o período dos 0 aos 12 anos, teve em conta uma lógica de desenvolvimento – até à puberdade – e uma lógica educativa – a oferta de uma formação de base a partir da qual se podem e devem construir percursos alternativos de formação com alguma flexibilidade e orientação de interesses -, tem claros objectivos: a) caracterizar a situação portuguesa; b) comparar a situação portuguesa com a situação noutros países; c) perspectivar novos rumos e lançar diversas propostas para melhorar a qualidade do ensino ministrado às crianças até aos 12 anos. Aqui, sublinho, na faixa etária dos zero aos 3 anos, a necessidade de programas de actividades com uma intencionalidade educativa mais explícita ou melhor oferta de ocupação dos tempos livres.

CHÁ COM TORRADAS #236

Atenção, porque há sempre alguém a fazer melhor. A Câmara Municipal de Vila Real tem sido apontada como exemplo de autarquia familiarmente responsável. Há dois anos, o município aprovou o cartão de família numerosa (três ou + filhos), com direito a apoio social escolar, redução de 50% nas refeições escolares, desconto de 50% em todas as classes do conservatório regional de música e das piscinas municipais e também descontos nas taxas de água, saneamento e lixo.

segunda-feira, maio 19

CHÁ DAS CINCO #253


Dos dias que correm. Lembrar que: a cada frente, o seu verso.

CHÁ COM TORRADAS #235

"...A indiferença cívica, o egoísmo, o comodismo, o conformismo e o imediatismo criam condições para a decadência. Resta saber se já estamos perante graves sintomas que suscitam mudanças profundas. Se foram os «soixante-huitards» os autores do mundo de hoje, foram eles, também, quem nos legou a solução. É o inconformismo que deve prevalecer. Um inconformismo capaz de valorizar a liberdade e a responsabilidade, a autonomia e a coesão social. Também nos Açores devemos perceber que é sempre possível pior."

«1968» REVISITADO, ontem no Diário Insular e n' O Bule do Chá

sexta-feira, maio 16

POST(AL) AUTONÓMICO #34

Nunca tive grande fé que a menção "Povo Açoriano" passasse imaculada no crivo dos zelotas da Assembleia da República. Todas a revisões constitucionais e estatutárias representam um Tempo, ainda que muitas não respeitem o seu Tempo e poucas o Tempo que há-de vir. A revisão estatutária de 2008 representa o Tempo que devia ter sido, o da revisão de 1998, uma revisão sem Tempo e por isso sem História. Assim, os méritos desta revisão são os méritos de um futuro que é passado. Excepto na função legislativa, que decorre directamente da revisão constitucional de 2004, a maioria das soluções propostas teria validade em 1998. E se assim tivesse sido, hoje, o Tempo do "Povo Açoriano" seria, certamente, outro. A tristeza da constatação, não tolhe a esperança e vontade de que os méritos de um futuro que será presente chegue a seu Tempo, pelas mãos dos que amam a sua terra, mais do que a sua carreira, não desistem nem se comprometem. Tem sido assim, o Tempo deste "Povo Açoriano". Eis que, contrariamente ao que alguns possam esperar, esteja a olhar para a recente celeuma com o desprendimento suficiente para procurar resolver as únicas duas questões que, neste Tempo, me parecem relevantes:
a) Haverá legitimidade política e institucional para a Assembleia da República fazer alterações à Proposta de Estatuto Político-Administrativo enviada pela Assembleia Legislativa da Região, sem fundamentação constitucional?
b) Estão os órgãos de governo próprio conscientes e estruturados para executar, cabalmente, o paradigma Estatutário que em breve será aprovado?

Uma resposta negativa às duas perguntas poderá implicar a consciência de que politicamente vivemos o Tempo de 1986, estruturalmente vivemos um Tempo anterior a 1998.

PS. a talho de foice, e para memória futura: pobo galego, pueblo catalán, pueblo canario, pueblo de las provincias valencianas, pueblo andaluz, pueblo aragonés, pueblo extremeño, pobles de les Illes, pueblo navarro, etc... Povo Açoriano, uma questão de Tempo.

quarta-feira, maio 14

CHÁ QUENTE #363

Do inconformismo que nos resta. É aproveitar. O Presidente da República reuniu-se com cerca de 30 dirigentes de Associações de Juventude para debater o tema da participação cívica e política dos jovens e as razões que os motivam ou afastam de um maior envolvimento.
Os participantes no encontro reuniram-se em grupos de trabalho que abordaram as temáticas dos jovens e as políticas local, nacional, e europeia e internacional, após o que, novamente em plenário, submeteram os textos que redigiram a uma discussão colectiva produzindo um documento com um conjunto de recomendações, das quais destaco:
Recomendações ao Presidente
- Distinguir pela exposição pública os projectos e a participação política da juventude.
Recomendações ao Governo
- Integrar a formação cívica nos planos curriculares, sobretudo ao nível do primeiro ciclo, de uma forma mais evidente.
Recomendações às Autarquias (Municípios e Freguesias)
- Orçamentos participativos, envolvimento dos jovens nos processos de decisão e promoção da co-gestão.
Recomendações às Instituições de ensino
- Valorização da participação cívica e política, nomeadamente através da atribuição de créditos e certificação de competências nos cursos aos dirigentes políticos e associativos.

segunda-feira, maio 5

CHÁ DAS CINCO #252

USA2008, actualização possível antes de outra 3.feira

Pois é, os Democratas é que animam a malta. Depois do Reverendo Wright, dos comentários infelizes sobre os americanos, a fé e as armas, a má prestação no debate da ABC e da derrota por 10 pontos na Pensilvânia dizem as crónicas que a campanha de Obama bateu no fundo. Dizem as crónicas e as sondagens nacionais que mostram uma subida de Clinton e uma vantagem de MacCain face a Obama (ver tendência diária da Gallup).


Mas há algo que não bate certo. Se é verdade que Obama teve um mês de Abril muito difícil, o certo é que continua a haver uma consolidada movimentação em seu favor do lado dos superdelegados e até Karl Rove lhe dá conselhos. Saberão eles mais que muitos de nós? Por outro lado a derrota da Pensilvânia foi mais psicológica que matemática, na verdade, Obama apenas perdeu para Hillary entre 10-15 delegados, mantendo uma vantagem de 160. Ou seja, Clinton continua a lutar pela sobrevivência nos delegados, nos votos e agora, também nos superdelegados (apenas cerca de 20 de diferença), procurando passar a única mensagem possível, com a queda de Obama nas sondagens nacionais: ela é quem está em condições de derrotar MacCain em Novembro porque consolida o voto tradicional democrata.
Amanhã decorrem a primárias em Indiana e na Carolina do Norte. Ambas dão tendências contrárias, conforme o trend da Pollster, a primeira uma vantagem de Clinton entre 5% a 10%, na segunda, uma vantagem de Obama, igualmente, entre 5% a 10%.


Supeita-se que depois de amanhã nada mude. Ou melhor, serão certamente menos 2 primárias em que Clinton poderá ganhar vantagem. Ficam a faltar West Virgínia, Kentucky, Oregon, Porto Rico, Montana e Dakota do Sul, todas com um número de delegados em disputa já muito reduzido. Destas 6, Obama parece ter assegurado a vitória em 2 (Oregon e Montana). E o Chairman do Partido Democrata, Howard Dean, já avisou: depois das últimas primárias, a 3 de Junho, não há espaço para mais corridas. Alguém, no próximo mês, vai ter de ceder. Se a Sr.ª Clinton "under pressure" costuma patinar (primeiro com os tiros da bósnia, agora com as ameaças ao Irão), continuam as dúvidas sobre a surpreendente incapacidade de Obama ganhar o voto tradicional democrata (classe média/baixa). Não roam as unhas...

quinta-feira, maio 1

CHÁ QUENTE #362

Dos visionários do desenvolvimento e dos modelos de governação ... de direita? O CDS-PP Açores vaipropor, bater-se e lutar para que seja construída a Via Rápida do Oeste na ilha Terceira, como forma de combater a desertificação e estimular a economia da zona Oeste da ilha”. O povo açoriano deve continuar a agradecer penhorado?

quarta-feira, abril 30

CHÁ COM TORRADAS #234

Aumentam os combustíveis, aumentam os cereais, aumenta o arroz, aumentam os preços dos alimentos, aumenta a inflação, aumenta a dívida ao estrangeiro. Dias difíceis. Os pés assentes na terra. Falar verdade. Enfrentar o presente, prevenindo o futuro.

segunda-feira, abril 28

É d'HOMEM #124

"... Nem sei se sou Católico. Só conheço ódio, malvadez, inveja, vinda dos Católicos. Não sei de mais nada que cobardia e comodismo dos que se dizem Católicos não praticantes. Não leio senão horrores, intolerâncias, crimes, intrigas e mentiras da Igreja Católica. Nenhum dos seus vigários, e muito menos o Papa, me dá conta de fazer, exactamente, aquilo que o Cristo, que eles querem que seja Deus, rogou, pregou, implorou que se não fizesse. Onde entram os ouros do Vaticano e o tesouro do Santo Cristo na pregação de humildade do homem que, a ter sido Deus, podia ter tido quanto quisesse? Que Divindade católica, e não cristã, é essa que se deixa subornar pela autoflagelação, por promessas inconcebíveis de cumprir, por ofertas em numerário e capas bordadas a madrepérola e a safiras? Que bispo é esse que (...) tolera o medievalismo do meu pobre povo fanático, que o é, porque mais não sabe nem vez nenhuma foi conveniente que soubesse, sem que instrua os seus acólitos a dizer-lhe que, para o Santo Cristo, nada daquilo a que se sujeita é manifestação de fé, mas sim de idolatria? Que seita é essa que não permite que o andor onde segue o Cristo seja carregado por gente humilde, e o torne exclusivo da nata de uma sociedade que já não tem razão de existir senão de suas portas adentro e na celebração dos seus casamentos consanguíneos? Que clero é esse, o dessa seita, que, ao fim de percorrer a cidade, numa procissão de horas, oferece um beberete a restaurar as forças da Irmandade, mas não a de quem se arrastou de joelhos ou carregou pesos descomunais de círios?
Que gente é esta, meu Senhor Santo Cristo dos Milagres dos meus tempos de menino que, à sombra de festejar o teu nome e o teu martírio, se empanturra de carnes, de frangos e de vinho, nas dezenas de comedouros em redor da tua igreja? Que seita permite que ardam milhares de lâmpadas, noite dentro, durante quatro dias, numa terra onde ainda há fome e desespero, e onde cada recurso financeiro devia ser utilizado para limpá-la de salteadores, drogados, delinquentes e gente que se vende a céu aberto ou pela calada da noite?..."


Santo Cristo, por Armando Medeiros no Expresso das Nove desta semana.

CHÁ DAS CINCO #251 (Act.)

Estes senhores são Boris Johnson (Conservador), Ken Livingstone (Trabalhista e actual Mayor de Londres), Brian Paddick (Liberal Democrata). Quando até as sondagens não são fiáveis, quando se joga, também, o destino político do Primeiro-Ministro Gordon Brown, nesta terra sem debates, para quem gosta de debates, para quem gosta de projectos, para quem gosta de política, para quem olha o futuro, há que ver e ouvir hoje, às 19.00 (hora Açores) o último debate, antes da eleição de 1 de Maio, dos três principais candidatos à Câmara de Londres.

Nota: E o que mais impressiona é uma concepção democrática de abertura e proximidade que faz com que os candidatos a presidente de câmara de uma metrópole com mais de 7 milhões de habitantes estejam disponíveis para responder, em directo, às incómodas perguntas dos seus constituintes. Seremos assim tão diferentes?

sexta-feira, abril 25

CHÁ QUENTE #361

Dos Zum-zuns.

Zum-zun 1 - Zunzua-se que o PS nacional vai propor a retirada da menção "povo açoriano" e do "princípio do adquirido autonómico" da Proposta de Alteração ao Estatuto Político-Administrativo da Região. Devem ser manobras dos "deficitários autonómicos" de que falou Carlos César.

Zum-zun 2 - Zumzua-se que o PSD vai propor o adiamento da votação na especialidade Proposta de Alteração ao Estatuto Político-Administrativo da Região até que a situação da liderança do partido esteja clarificada. É coisa para não se resolver antes de 2009.

Zum-zun 3 - Zumzua-se que afinal o coração de Costa Neves está tripartido entre Manuela Ferreira Leite, Pedro Passos Coelho e Santana Lopes de quem foi ministro. Na liderança do PSD/A há um homem de coração grande.

É d'HOMEM #123

"Como benfiquista e como patriota a minha esperança é que Chalana se candidate a líder do PSD"
Francisco Coelho, Presidente do Grupo Parlamentar do PS/A na Assembleia Legislativa da Região Autóoma dos Açores, no Telejornal de 24.04.08

CHÁ DAS CINCO #250

O Presidente da República cansou-se das palavras e passou aos factos. Percebendo que o país só pára e escuta perante duras evidências o PR muniu-se de provas e decidiu, no seu anual discurso comemorativo do 25 de Abril, partilhar com todos os Portugueses os resultados de um estudo sobre as atitudes e comportamentos políticos dos jovens em Portugal. Este Estudo encomendado pela Presidência da República à Universidade Católica, serve para confirmar e reforçar tudo aquilo que alguns, há muito, já fazem notar:
a) "os baixos níveis de envolvimento atitudinal, participação política e participação social e cívica dos portugueses, quando comparados com os prevalecentes dos países da nossa área geo-cultural (...) mais perto a este nível dos resultados encontrados nas novas democracias da Europa de Leste do que daqueles que prevalecem na generalidade dos países da Europa Ocidental."
b) "a prevalência de comparativamente baixos níveis de satisfação com o funcionamento do regime democrático, indicadores que sabemos serem sensíveis do desempenho económico mas que (por isso mesmo), se mantêm a níveis baixos em Portugal há já mais de uma década"
c) "uma predisposição a apoiar “reformas profundas” ou mesmo “mudanças radicais” na sociedade portuguesa, mas que não se traduz numa predisposição para o envolvimento e para a participação cívica e política."
Bem andou, pois, o Presidente da República, colocando-se em sintonia discursiva com o resto da nação e propondo um conjunto de iniciativas no sentido de procurar soluções. E mais acrescento que gostaria que o mesmo se tivesse passado nos Açores, com uma iniciativa da casa-mãe da democracia insulana, em que a Assembleia Legislativa promovesse, em conjunto com a Universidade dos Açores, uma avaliação sobre os comportamentos políticos dos açorianos face à autonomia democrática e à açorianidade. Julgo que o imobilismo nestes propósitos só se pode justificar num fundado receio dos resultados, é que, não sei se alguém já deu conta mas, ao contrário da restante Região política, a Assembleia Legislativa é o órgão com menos escrutínio público. Vá-se lá saber porquê...

CHÁ DAS CINCO #249

De como em terra de cegos quem tem olho seria Rei. Ou dos nados-mortos. O presidente do PDA anunciou que depois de "diversas reuniões" com dirigentes regionais do Partido Popular Monárquico, Partido da Nova Democracia e ainda independentes, ficou acordada uma coligação, que pretende "reunir forças e fazer uma frente democrática que permita eleger deputados" ao Parlamento açoriano. Ficou também aprovado convidar o deputado independente Paulo Gusmão para encabeçar este movimento eleitoral. Nada mais natural ver um independente a liderar três forças partidárias, por força dos 500 votos que, presume-se, conseguiria arregimentar para os lados de Ponta Garça. Para que se perceba melhor a ideia, PPM e PDA, tiveram, respectivamente, nas últimas regionais, os seguintes resultados globais: 276 e 248 votos. O PND só concorreu na nacionais de 2005 e obteve, na Região, 691 votos. Contudo, parece-me que a dita coligação, antes de nascer, já está morta, pois, Paulo Gusmão já anunciou, publica e expressamente, que "para que não restem equívocos ou tabus, comunico que não serei candidato nas próximas eleições à Assembleia Legislativa Regional dos Açores". Pelos vistos andou muito boa gente a ser bem enganada. Resta-lhes uma corvina esperança. Esperem sentados...

CHÁ QUENTE #360

"...a criação de um sector público mais aberto, inclusivo e produtivo, em consonância com uma boa governação, é um pré-requisito de garantia, tornando-se fundamental, também nesta área, o desenho de uma estratégia política forte e linear para vencer resistências e obstáculos, mudar mentalidades, forçar mudanças organizativas, promover os investimentos e manter uma perspectiva de longo prazo, sem descurar as solicitações diárias. Este Futuro não é, pois, amanhã."

O FUTURO É HOJE, publicado no passado domingo no Diário Insular e n' O Bule do Chá

sexta-feira, abril 18

CHÁ COM TORRADAS #233 (Act.)


Fazer o quê? Face ao panorama político nacional. Nunca é demais sublinhar a importância da estabilidade política (não confundir com imobilismo político) para o desenvolvimento da Região. Nunca é demais avisar os políticos regionais que fazem contas com o calendário político nacional que, a qualquer momento, podem ficar descalços.

É d'HOMEM #122

Das notícias da RDP/A (8h30m). Ou como o PS/A tem gente que sabe, que deve falar e que se deve escutar.
***
O XIII Congresso do PS/Açores arranca hoje. Apenas Dionísio Sousa, crítico, diz que "o PS/A chega a este congresso à beira de se perder. Para este socialista, antigo presidente da ALRAA, o PS/A hipotecou o seu património de ideias, não existindo para a política, limitando-se a suportar o Governo Regional. Considera, ainda, que "os independentes e os militantes de última hora procuram o poder e servem-se do PS/A que é hoje terra de ninguém."
***
Álamo Meneses assegurou ontem, na Horta, que "o desequilíbrio verificado nas contas da Universidade dos Açores não se deve à sua tripolaridade". Referindo que "Se a tripolaridade é o problema, podemos resolvê-lo transformando em instituições de investigação os pólos da Horta e da Terceira" e considerando que "a academia açoriana não tem actividade científica nem pedagógica consentânea com o financiamento de que necessita".
***

quinta-feira, abril 17

CHÁ COM TORRADAS #232 (Act.)

Não percebo com que fundamentação pode a Associação Agrícola de São Miguel levar a empresa Bell a tribunal. Sempre achei que o primeiro passo nesta matéria já devia ter sido dado, há alguns anos, junto da autoridade da concorrência por causa da cartelização dos preços. Hoje, com a posição divergente da Unileite, também por aí o caminho parece cheio de pedras.

[Adenda, 18.04.08]
Parece que a Associação Agrícola de São Miguel corrigiu o tiro. A intervenção da Autoridade da Concorrência pode ser importante, mas não é determinante. Boa sorte!

quarta-feira, abril 16

CHÁ QUENTE #359

Há dias assim, outros assado. Segundo a RDP/A os nossos Deputados querem mostrar serviço, "de preferência se as suas intervenções puderem ser transmitidas em directo na Comunicação Social". Ontem, duas rádios, que acompanham o plenário, foram aconselhadas a retirarem a informação afixada no exterior das suas cabines, que identificava que estavam a trabalhar em directo, para não condicionarem os trabalhos do Parlamento açoriano. Hom'essa, deixem-nos trabalhar, deixem-nos trabalhar!

CHÁ DAS CINCO #248

De Belém à Quinta da Vigia, com paragem no Palácio de São Lourenço. As verdades todas e as verdades-meias. Quando o Presidente da República (PR) diz que se quiser ter "grande protagonismo imediato" junto dos jornalistas pode tê-lo facilmente, mas que é muito provável que no caso de Alberto João Jardim (AJJ) "tenha muito pouca influência efectiva", está a dizer uma verdade. Na realidade, o relacionamento dos órgãos de soberania com os órgãos de governo próprio das Regiões Autónomas, mais concretamente perante a conjuntura política e económica da Madeira, é um verdadeiro nó górdio que ata as mãos de Cavaco Silva. Que podem o Representante da República ou o PR fazer? Repreender publicamente AJJ? Consequências? Nenhuma! Ou seja, descrédito do poder central perante as Autonomias. Destituir AJJ? Consequências? O PSD/M faria cair a Assembleia e ganharia as eleições com votação ainda mais reforçada. Ou seja, descrédito do poder do PR. Dissolver a Assembleia? De novo, as mesmas consequências. Alguém tem dúvidas que o que, realmente, afectou AJJ nestes 30 anos foram os garrotes financeiros promovidos pelos Governos da República, primeiro com Cavaco Silva, agora, com José Sócrates? Por isso, até pode ser verdade que o Presidente da República, "em relação a muitas matérias, tem de manter o direito de reserva se quiser ser eficaz", mas, esta não é uma delas. Porquê? Porque a Madeira de AJJ continua com um PIB acima da média nacional e tem uma classe política que se renova legítima e democraticamente no voto popular. Se um dia isso, infelizmente, deixar de acontecer, certamente teremos o Senhor Presidente da República, qualquer que ele seja, a fazer repreensões públicas, ou intervenções "constitucionalmente balizadas", sobre os dirigentes políticos mdeirenses. Até lá, a Madeira é mais autónoma do que alguns senhores de Lisboa alguma vez pensaram. Habituem-se...

segunda-feira, abril 14

CHÁ DAS CINCO #247

Digam o que disserem da Itália política mas a verdade é que a afluência às urnas nestas eleições foi de cerca de 80,8%, apenas, menos 2,8% do que há 2 anos. E não será, certamente, a possibilidade de ter dois dias (ontem até às 22h e hoje até às 15h) para exercer o direito de voto que explica toda a mobilização. Vai uma apostinha como, em Outubro próximo, a Região não chega aos 50% de afluência às urnas?

domingo, abril 13

CHÁ DAS CINCO #246

Em Agosto do ano passado escrevi OS UNS E OS OUTROS defendendo que "o sistema político-partidário regional está bloqueado". Na defesa dessa tese argumentei, entre outras, que "caberia ao partido do governo assumir uma atitude pró-activa face aos movimentos globais forçando a renovação programática e, consequentemente, as políticas de governação", ao que acresci não estar esse papel a ser desenvolvido pelo PS/Açores "seja porque os respectivos partidos não estão estruturados para, democraticamente, assumirem a renovação de políticas numa sequência ascendente (cidadão-militante-dirigente), seja porque o exercício do poder esgota os melhores activos partidários". Da análise das (e)moções que se avizinham, ou seja, lendo a MOÇÃO DE ORIENTAÇÃO POLITICA GLOBAL - Fazer Sempre mais Sempre melhor, cujo primeiro subscritor é Carlos César, e que vai ser votada no congresso do próximo fim-de-semana, face ao que já escrevi posso concluir o seguinte:
a) O PS/A assume a sua incapacidade de produzir novo pensamento no âmbito exclusivo das suas estruturas internas e dos seus militantes;
b) O PS/A pretende assumir-se como única força política capaz de mobilizar a sociedade civil açoriana para o debate sobre as temáticas regionais, retirando-as do mero debate de âmbito político-partidário;
c) O PS/A assume, finalmente, como prioridade programática que a consolidação de um projecto social global para a Região implica a definição de um novo quadro no âmbito autárquico.
Ou seja, Carlos César não pode dispensar os melhores activos socialistas para outras tarefas que não sejam as da governação, Carlos César, acompanhando o pulsar dos tempos, quer "uma" sociedade civil a pensar os Açores antes que haja "outra" sociedade civil a pensar o governo PS/A (porque já lá vão 12 anos), Carlos César, assume o nível autárquico como o futuro verdadeiro desafio para o PS/A.
Espero que as moções sectoriais desmintam as minhas conclusões quanto à falência programática das estruturas socialistas. Para os mais curiosos (já que se contam pelos dedos os que a lerão na íntegra) deixo os excertos da Moção, que considero, verdadeiramente, relevantes:
"...há cada vez mais distanciamento de visões unívocas sobre as prioridades estabelecidas pelos partidos. O PS/Açores deve ter isso em consideração procedendo, nomeadamente, a uma desmultiplicação dos seus interesses e mensagens políticas..." (pag. 13)

"...há que ousar e descobrir novas maneiras de seduzir e envolver os cidadãos na vida política partidária. E a nossa proposta é que ela, começando pela gestão e pela conduta do PS/Açores, deve ser mesmo menos partidária!..." (pag. 14)

"...O PS/Açores deve assim prosseguir na senda da abertura e disponibilidade à colaboração dos cidadãos sem filiação partidária, devendo chamá-los ao debate e aos lugares institucionais do Parlamento e do Governo, num contrato de cidadania a incentivar e a cumprir (...) O PS/Açores passará a realizar uma “Conferencia Anual sobre o Estado da Região”, na qual se pretende fazer representar os mais variados sectores da sociedade açoriana e os esforços mais isentos que proporcionem uma monitorização das politicas governativas na Região..." (pag. 15)

"...Afigura-se, aliás, recomendável, para melhorar respostas a desafios juvenis que dependem de uma acção conjugada e de decisões com acentuada interdepartamentalidade, que a tutela governamental do sector seja reposicionada de modo a potenciar a sua eficiência e transversalidade..." (pag. 17)

"...Os jovens de hoje têm de estar aptos a uma vida em “banda larga”..." (pag. 17)

"...os representantes eleitos nas listas do PS/Açores – seja no parlamento nacional, seja no europeu - têm como principal dever a defesa intransigente dos Açores e dos açorianos, tarefa essa que devem desempenhar em conjugação efectiva com a sua estrutura partidária proponente e no conhecimento das opções dos órgãos de governo próprio da Região..." (pags. 20-21)

"...O PS/Açores está consciente do deficit, que subsiste, de conhecimento e compreensão da realidade autonómica por parte dos partidos nacionais incluindo sectores e personalidades dos meios dirigentes do PS/Nacional..." (pag. 23)

"...A capacidade de nos auto reconhecermos e nos auto estimarmos, tendo como ponto de partida os nossos valores e as nossas crenças, como elementos centrais da nossa cultura identificadora são sinónimos de Desenvolvimento e Liberdade. Temos tido a capacidade de interrogar todas as novas possibilidades..." (pag. 25)

"...são as ilhas atlânticas que conferem ao nosso País a dimensão territorial e marítima (...) lhe confere a centralidade atlântica que lhe tem permitido continuar a ser um necessário e relevante interlocutor na cena política internacional, dando-lhe ainda, do mesmo passo, a dimensão que o livra de ser um Estado-quase-Exíguo..." (pag. 27)

"...As Pessoas, a Economia e o Ambiente são os principais vectores de sustentabilidade autonómica sobre os quais assentam a nossa condição insular e em relação aos quais o PS/Açores deve desenvolver as mais apuradas reflexões, esforços e decisões..." (pag. 38)

"...Uma Região assim não se limita – sente-se parte do mundo, abre portas e desafia os horizontes! É deste modo que o PS/Açores assume a dimensão açoriana..." (pag. 44)

"...Será constituído, ao nível partidário e neste âmbito, o Observatório Internacional do PS/Açores, que mobilizará o partido na definição do conceito externo da Região e na preparação de iniciativas políticas nas diversas vertentes dessa inserção, incluindo acordos e parcerias..." (pag. 45)

"...Para o PS/Açores importa, todavia, protagonizar com maior clareza um momento de viragem no paradigma de desenvolvimento regional..." (pag. 50)

"...O PS/Açores entende que na próxima legislatura deverão ser revigoradas as acções de atracção de investidores e capitais externos..." (pag. 55)

"...um Plano Estratégico para a Coesão dos Açores, onde serão definidos as estratégias operacionais de desenvolvimento de cada uma das Ilhas de menor dimensão e os sectores estratégicos de investimento que promovam a criação de emprego qualificado, a criação de nichos de mercado de actividades especializadas por concelho e a criação de programas específicos de captação de população e de técnicos especializados..." (pags. 57-58)

"...o PS/Açores é favorável a um reforço das competências e atribuições do poder local – designadamente em domínios de interface com a administração regional – que não enfraqueça o poder autonómico (...) O PS/Açores deve, inclusive, defender, com efeitos jurídico-constitucionais futuros no âmbito do aprofundamento da autonomia regional, uma tutela mais abrangente da administração regional em relação à local do que a actualmente existente, pois, de igual modo, esta última apresenta especificidades no arquipélago que justificam um enquadramento parcialmente diferenciado e, em consequência, a intervenção nesses domínios do poder legislativo regional..." (pgs. 59-60)

"...o PS/Açores deve contrariar as tendências distributivas de competências e atribuições que têm transformado as Juntas de Freguesia numa espécie de comissões de moradores sem orçamentos dignos e funções compagináveis com a sua legitimidade e responsabilidade eleitoral..." (pag. 61)

"...importa que a escolha dos candidatos reflicta ao nível local a plataforma social mais ampla que o PS representa a nível regional, e que, nos casos em que se considere que a nossa gestão não atingiu a qualidade que era exigível, ou que almejávamos, assumamos claramente novas propostas e novos protagonistas para a melhorar..." (pag. 61)

"...os “Estados Gerais do Poder Local na Autonomia Açoriana” onde, numa perspectiva de abordagem regional, redefina, na sua transversalidade, o projecto autárquico de inspiração do PS..." (pag. 62)

"...as autarquias (municípios e freguesias) devem aspirar à colaboração com o Governo e o Governo com as autarquias, o que, apesar de diferenças enfáticas ou políticas, deve ser concretizado através do que o PS/Açores designa como “Projectos Locais de Interesse Comum”, visando conseguir melhores resultados com menos meios, em áreas seleccionadas..." (pag. 64)

"...justificar-se-á, na opinião do PS/Açores, a instalação de um Observatório da Cooperação entre a Administração Regional e Local nos Açores, com funções de avaliação e composição multirepresentativa, e, ainda, a criação, a um nível orgânico superestrutural sustentável, de um departamento predominantemente vocacionado para a identificação, articulação e operacionalização dos Projectos Locais de Interesse Comum." (pags. 65-66)

CHÁ COM TORRADAS #231

O artigo 92.º da Proposta de Revisão de Estatuto Político-Administrativo, que prevê um novo estatuto remuneratório para os Deputados, tem feito correu muita tinta e tem dado motivo para muita intervenção pública, a maioria, diga-se, descontextualizada ou inopinada (veja-se a intervenção do SINTAP/Açores).
Em primeiro lugar, o erro da Proposta não é material. Ou seja, nada impede, constitucionalmente, que os Deputados Açorianos se aumentem como bem entenderem (aliás a fórmula de indexação que utilizaram é perfeitamente adequada). Assim, defender a sua "queda", simplesmente por pressão da opinião publicada, é que será perfeitamente desajustado.
Segundo, o erro da proposta é fazer essa previsão no articulado do Estatuto e não num diploma regional. Como já defendi na análise crítica ao documento "Bastar-nos-ia uma norma de enquadramento, com a consagração do direito a remuneração a abono de despesas de representação e a ajudas de custo, cujos quantitativos seriam a definir em decreto legislativo."
Terceiro, quando se pensa o estatuto remuneratório dos cargos políticos deve fazer-se tendo em conta em que medida o mesmo pode ser uma solução e não um problema para a democracia em que se contextualiza. Ou seja, a meu ver, as soluções encontradas nesta matéria podem dar um contributo para uma questão antiga no sistema político que é a da atractividade dos cargos eleitos para uma elite que já não se satisfaz com o cântico romântico do "serviço público".
Quarto, questão colateral, mas importante numa abordagem integrada, é a da necessidade de previsão, no âmbito do Estatuto dos titulares de cargos políticos na Região, de um período de nojo, a que devem obedecer as nomeações para altos cargos públicos, após a saída dos cargos executivos.
Foram estas premissas que fundamentaram a minha propositura, no âmbito de uma Proposta de Revisão do Estatuto Político-Administrativo. Há quem prefira falar por tudo e por nada, continuo a defender a causa de que melhor que falar há que propor.
Artigo 80.º
Titulares de cargos políticos
(...)
2 - Aplica-se aos titulares dos órgãos de governo próprio da Região o estatuto remuneratório, que compreende vencimento e despesas de representação, constante de decreto legislativo regional sem prejuízo do disposto nos números seguintes.
3 - Os Deputados à Assembleia Legislativa percebem mensalmente um vencimento correspondente ao que auferiam na data da eleição, até ao limite do vencimento do Presidente da Assembleia Legislativa.
4- No exercício das suas funções ou por causa delas, os titulares de cargos políticos têm direito a subsídios de transporte e ajudas de custo e seguros correspondentes, a definir em diploma próprio.
(...)
7- A cessação do mandato como membro do governo regional implica um impedimento, durante 5 anos, para o exercício de altos cargos públicos em áreas da sua tutela.


[Adenda, 15h]
Ainda sobre a proposta de Revisão, subscrevo a maioria das críticas do Dr. Álvaro Monjardino no seu PRINCÍPIOS, DIREITOS E ASPIRAÇÕES de ontem.

sábado, abril 12

CHA QUENTE #358

Novos sinais da "nova esquerda reformadora". O socialista José Luis Zapatero apresentou hoje, oficialmente, a composição do seu novo Governo. Depois de um primeiro governo paritário, que deu ao PSOE a maior votação de sempre, há, pela primeira vez no Governo de Espanha, mais mulheres do que homens. No grupo de nove mulheres e oito homens, Zapatero, introduz 5 caras novas, 2 devido à criação do Ministério da Igualdade e do Ministério da Investigação e Desenvolvimento, reconduz como primeira vice-presidente e porta-voz Maria Teresa Fernandez de la Vega e catapulta Carme Chacon, de 37 anos, de ministra da Habitação para a primeira mulher em toda a história espanhola a liderar a pasta da Defesa. Algo me diz que o futuro do PSOE passará por esta Senhora.

Entretanto, num mundo que parece não ser o nosso, acontecem violentos confrontos na capital do Bangladesh entre a polícia e radicais islâmicos, que contestam planos do governo para dar igualdade de direitos às mulheres.

sexta-feira, abril 11

CHÁ COM TORRADAS #230

Do bailarico que se inicia. O jornal "A União" faz chamada de primeira página com a notícia "Os independentes António Maio e Vânia Paim deverão figurar nas listas do PS, pelo círculo eleitoral da ilha Terceira, às legislativas regionais de Outubro". Dentro dos possíveis irei dando conta das muitas danças que se avizinham...

PURO PRAZER #315


Há coisa de 3 anos escrevi, no Suplemento de Cultura do Açoriano Oriental, Gonçalo M. Tavares (em 1488 caracteres), acompanhando a Revista/LER na crítica como “a maior revelação literária portuguesa dos últimos anos”. Hoje poderia escrever "é maior certeza literária da língua portuguesa portuguesa nos últimos anos", e se estivesse em Ponta Delgada, pelas 20.30h, iria à Livraria Solmar agradecer-lhe pelo melhor livro de poesia (Investigações. Novalis) e melhor romance (Jerusalém), em língua portuguesa, que pude ler neste novo milénio. Obrigado Gonçalo M. Tavares.

quinta-feira, abril 10

CHÁ QUENTE #357

Considera que foi criado um novo tipo de jornalismo através dos blogues?
Jornalismo é jornalismo. Descobrir factos e histórias. Verificá-los. Dizê-los. Obter reacções. Se se compreendeu mal uma coisa, ser transparente e corrigi-la. Porém, nos últimos anos muito do jornalismo clássico perdeu parte disso. Os factos nem sempre são verificados. Artigos importantes não são publicados porque, bem, o espaço foi ocupado por uma fotografia da Britney Spears. A tentativa constante de informar tendo em conta "os dois lados" de um assunto diluiu muita da credibilidade dos "media", porque muitas histórias não têm de facto dois lados. Por isso os blogues e a Internet surgiram como um canal alternativo. Aquilo que é bom está de facto a reinventar é o jornalismo.

(...)
A web é um susto para as empresas de meios de informação tradicionais?
Sim, estão assustadas. Principalmente porque o modelo que está a perder força motriz - os meios tradicionais de difusão, os jornais e a televisão - é um dos que tem um modelo de negócios sólido, feito de uma combinação de publicidade e de assinaturas, embora o modelo que está a crescer - o online - ainda não seja um modelo de negócios sólido. A verdadeira questão é: quem pagará no futuro o bom jornalismo? E lembre-se que bom jornalismo não tem só a ver com venda de jornais: é o sangue que corre nas veias de uma democracia.


Excertos de uma entrevista do Expresso a Bruno Giussani, considerado um "guru" da web e das novas tecnologias.

CHÁ DAS CINCO #245

Abril é tão bom mês como outro qualquer, a primeira Tourada à Corda da Ilha Terceira vai realizar-se a 28 de Abril, antecipando em três dias a tradicional abertura oficial. São os Terceirenses no seu melhor, e não há Grupo de Amigos que lhes valha...

quarta-feira, abril 9

segunda-feira, abril 7

CHÁ COM TORRADAS #229

"...Muitas vezes rio-me quando me lembram a existência de um perigosa deriva para um projecto neo-liberal ou, em contra-posição, lamentam um projecto liberal «agrilhoado», outras dá-me “vontade de chorar”. Mas logo passa…"

A MÃO (IN)VISÍVEL, ontem no Diário Insular ou n' O Bule do Chá

sexta-feira, abril 4

CHÁ QUENTE #355

Uma sondagem lançada hoje, dia do 40.º aniversário do assassinato de Martin Luther King, revela que 76% dos norte-americanos consideram que os USA estão preparados para ter um presidente negro (+14% do que há 2 anos atrás). Ao contrário do que se poderia pensar a sondagem indicou que são os brancos americanos quem mais considera essa hipótese (78%) à frente dos afro-americanos (69%).

CHÁ COM TORRADAS #228

Tão amigos que nós somos? Segundo o Diário Insular de hoje, o Open de Fotografia Subaquática da Graciosa deste ano, que contava com a participação de alguns dos mais consagrados fotógrafos subaquáticos portugueses e estrangeiros, poderá ser prejudicado com a alteração da data de uma prova semelhante que decorre na ilha de El Hierro (Canárias) na mesma altura. A prova de uma das mais pequenas ilhas das Canárias realizou-se até ao ano passado nos meses de Setembro e Outubro, mas depois de ter sido anunciada a data do Open da Graciosa (2 a 5 de Julho), a organização do evento de El Hierro decidiu marcar o sua para a mesma data. O primeiro Open de Fotosub da Graciosa levou à ilha cerca de 600 pessoas! Bem vindos ao mundo cruel do Turismo global ainda há quem acredite em nichos de mercado sem concorrência?

quinta-feira, abril 3

CHÁ DAS CINCO #244


Uma questão de lentes.
zé corisco - um momento histórico!
zé portuga - sem dúvida!

Não conheço nenhum país desenvolvido, em especial países europeus com modelo de Estado descentralizado, que "despache", em 90 minutos, um dos diplomas mais estruturantes, política e constitucionalmente, do seu modelo de desenvolvimento, preferindo "engalfinhar-se" com unhas e dentes na construção da 3.ª!!!! travessia sobre o Rio Tejo! Parafraseando o Dr. Álvaro Monjardino, cambada de "toscos"...

CHÁ QUENTE #354

A propósito da aprovação na generalidade, pela Assembleia da República, da Proposta de Estatuto Político-Administrativo da Região, hoje às 16.00, em directo na RTP/A e RDP/A, o noticiário das 8.30 da RDP/A enfatisava que para Alberto João Jardim "a proposta de revisão do Estatuto dos Açores é desastrada e que se o projecto for aprovado não há necessidade de uma revisão constitucional incidir sobre as Autonomias", opinião, aliás expressa, a 4 de Fevereiro deste ano, num dos seus escritos semanais no Jornal da Madeira. Curioso é notar, contudo, que foi o mesmo Alberto João Jardim, nas vestes de Presidente do Governo Regional da Madeira, que incumbiu o seu Chefe de Gabinete, a 30 de Novembro de 2007, de informar a Assembleia da República, no âmbito do processo de audição da Proposta de Revisão do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, que "pelo facto de o Estatuto proposto ter sido aprovado pelos Srs. Deputados que representam o povo açoriano, coerentemente o Governo Regional da Madeira subscreve-o". Como vêem, para dançar este "bailhinho", serão sempre precisos 2...

CHÁ COM TORRADAS #227

Pausa publicitária!


Curso Liderança no Séc.XXI: Formação Avançada de Executivos
Iniciativa da FLAD e do Governo Regional dos Açores, em colaboração com a Harvard Kennedy School
A Fundação Luso-Americana e o Governo Regional dos Açores, em colaboração com a Harvard Kennedy School (HKS), uma das mais prestigiadas instituições mundiais na área da formação avançada de executivos, trazem a Portugal um dos melhores cursos de liderança do mundo, proporcionando aos participantes uma oportunidade única que, graças a uma comparticipação financeira significativa, terá um custo abaixo do valor real do curso.
O curso "Liderança para Século XXI" é um programa desenvolvido pela HKS, que lida com as razões pelas quais lideramos e o modo como o fazemos, indo além de simples soluções técnicas que actuam apenas com primeiros-socorros para as necessidades de mudança organizacional mais profundas.
O curso destina-se a executivos dos sectores público e privado, assim como de instituições sem fins lucrativos e ONGs, que queiram compreender e melhorar as suas capacidades de liderança.
O curso é conduzido inteiramente em Inglês. É obrigatória fluência em Inglês falado.

Data: 2 a 6 de Junho de 2008
Local: Hotel Terceira Mar, Angra do Heroísmo, Terceira, Açores

Preço do curso: € 900 Euros *
Inclui propinas, materiais, alojamento no Hotel Terceira Mar (5 noites) e almoços nos 5 dias do curso; não inclui o preço da passagem aérea ou outros custos de deslocação.

*preço abaixo do custo real do curso, praticado a título excepcional, possível graças às comparticipações da Fundação Luso-Americana e do Governo Regional dos Açores.

DATAS IMPORTANTES
- Data limite para entrega de candidaturas: 18 de Abril. A candidatura deverá obrigatoriamente ser apresentada em formulário on-line, disponível através do sistema de candidaturas on-line. O formulário online poderá ser preenchido em Português ou em Inglês.

- Data para entrevistas/testes de selecção: 22-23 Abril (Açores); 28-29 de Abril (Lisboa)

- Data de anúncio dos resultados da selecção: 9 de Maio

- Data limite para pagamento da inscrição: 19 de Maio – pagamento de € 450

- Data de início do curso: Segunda-feira, 2 de Junho, às 14h00 – data limite para pagamento dos restantes € 450

- Data de encerramento do curso: Sexta-Feira, 6 de Junho, às 18h00

quarta-feira, abril 2

CHÁ DAS CINCO #243

CHÁ QUENTE #353

Os ditadores, afinal, caem pela força do voto? O partido Zanu-PF do Presidente Robert Mugabe perdeu a maioria no parlamento anunciou a comissão eleitorial do Zimbabwe. Quando faltam apurar apenas 7, dos 207 lugares, o Zanu-PF ganhou 94 enquanto a oposição, liderada por Morgan Tsvangirai, já ganhou 105.

terça-feira, abril 1

CHÁ QUENTE #352

Coisas de arrepiar. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, disse, ontem, que a maior dificuldade quando se exercem funções governamentais está na relação com os outros ministros e só depois com a comunicação social ou com a oposição, devido a uma «política de capelas» ou «política de preservação do poder», um problema «muito flagrante neste momento na acção externa». Como isto não parece ser peta de 1 de Abril antecipada, e a responsabilidade primeira para falta de coordenação inter-ministerial é do Primeiro-Ministro, não vejo como não tirar consequências das palavras do n.º 2 do Governo da República...

CHÁ COM TORRADAS #226

Das coisas verdadeiramente importantes. No Diário Insular, de dia 30, TIBÉRIO LOPES, na primeira tese de mestrado sobre o fenómeno das associações juvenis nos Açores, conclui que as associações juvenis são passivas, essencialmente recreativas, desligadas da sociedade, sem causas e desencantadas com a política.

"Qual é o retrato das associações juvenis que sai deste trabalho de mestrado?
Nesta tese de mestrado, que apresentei na Universidade dos Açores, deparei-me com uma situação de que não estava à espera, que é o facto das associações juvenis não serem muito mobilizadoras e basicamente reproduzirem o modelo de relações sociais que os jovens têm no exterior. Os jovens entram numa associação porque estão lá o irmão, o primo, os amigos… Não pela defesa de uma causa ou de um ideal. Apercebi-me, também, o que é um dado muito importante, que a maioria das actividades é recreativa. Outro aspecto de relevar é o facto da maioria das decisões sobre o plano de actividades ser tomada pelos mais velhos, os que têm mais anos de associação. Os que lá estão há menos tempo não interferem muito nessas decisões. Isto significa que pode haver um enviesamento, do tipo: “Nós produzimos para que eles façam”. O pode levar a que não haja outro tipo de actividades...
(...)
São portanto, como dizia, associações que assentam principalmente no aspecto recreativo…
Desde 2006 que analiso os planos de actividades de todas as associações juvenis dos Açores. Não vejo nos projectos 10 por cento de criatividade e empreendorismo. Não vejo algo que seja por causas, por mudança, pelos jovens fazerem uma reflexão sobre os próprios projectos. Quando vejo um acampamento sei que isso é uma actividade, mas é preocupante se não existir mais nada que implique reflexão sobre a sociedade, sobre o mundo juvenil, sobre a própria associação… Quando não vejo nada disto, nada sobre a pobreza, ou mesmo sobre os órgãos de comunicação social e a proximidade que eles devem ter junto do ensino secundário, a conclusão é que essas causas não estão lá.
As associações juvenis são apolíticas?
São de certa forma apolíticas, visto que os seus membros não vêem a intervenção na sociedade e mesmo a própria política como solução. Os jovens manifestam vontade de participar, mas não encontramos resultados. Não encontrei dados sólidos que lhes permitam dizer que de facto se batem por causas, nomeadamente nos planos de actividades.
As associações juvenis estão muitas vezes, por outro lado, ligadas a estruturas políticas… São rampas de lançamento para futuros líderes, digamos assim…
Isso não se verifica em todos os casos, mas temos associações de juventude onde isso existe. É algo próprio da estratégia política. Há um prolongamento da possibilidade de chegar a determinados públicos através das associações. Por outro lado, para quem está lá, é uma forma de chegar ao poder político. Vamos supor que temos uma associação em Santa Bárbara. Podemos fazer parte da linha política ou não, mas estamos favorecidos no sentido de podermos desenvolver projectos na freguesia. Há poder de intervenção e visibilidade. O que vejo nas associações juvenis é que há visibilidade, mas não há impacte junto dos jovens.
Explique-me melhor essa ideia.
Não tenho dados científicos, mas vejo que não se proporciona uma mudança.
Se aquilo que os jovens nas associações fazem é convívio e lazer, centrados nos grupos a que pertencem, não pode existir essa evolução.
Que juventude surge retratada neste trabalho? É desencantada?
É uma juventude passiva dentro das associações. Mas é, ao mesmo tempo, uma juventude com um bom sistema de valores em relação à família e em relação aos amigos. Embora motivada para a participação social, esta juventude encontra no campo da sua acção o poder político como a última solução. Tem um excelente quadro de valores, mas não vê na política nenhuma vantagem para intervir na sociedade. Também podemos interpretar isso como um sinal descrença em relação aos políticos. Existe uma falha.
As associações têm duas grandes funções, a que chamamos de “interface”, ou seja, a função social e organizacional. Isto tem de funcionar. Por um lado temos os estatutos, a hierarquia e depois vem a função social, mobilizadora, cognitiva. Não se verifica mudança no seio da associação nem mecanismos para que isso aconteça na sociedade. Este “interface” deixou de funcionar. A função social está a falhar.
(...)
Que impacte se pode dizer que estas associações juvenis têm no arquipélago?
No meu trabalho concluo que as Associações Juvenis dos Açores manifestam, pela acção e presença dos jovens, uma dinâmica favorável ao desenvolvimento das relações de proximidade e às redes de sociabilidade. Há uma valorização da família e dos amigos, proporciona-se a realização das aspirações pessoais e individuais, constrói-se uma concepção de cidadania, a própria identidade e cria-se a disponibilidade para participação na sociedade no futuro, como cidadãos do espaço local e regional. Mas é preciso ver que existiam, até 31 de Dezembro de 2006, 31 associações, com mais de 10 mil pessoas envolvidas. Isto significa cerca de cinco por cento da população dos Açores. Se tivermos em conta este número, esse impacte não devia ser mais visível?"


NOTA:
E ninguém está preocupado? A 2 de Setembro do ano passado escrevi num artigo intitulado ASSOCIATIVISMOZINHOS…
"...A opção azórica tem sido pelo associativismo instantâneo, ou de não comprometimento, no espaço público. Associativismo financiável e financiado. Quem perde? Todos nós..."

terça-feira, março 25

CHÁ DAS CINCO #242


Dos dias que, felizmente, correm. Fazer mais e melhor pode ser fazer diferente. Fazer mais e melhor pode ser fazer igual. Fazer mais e melhor pode ser, simplesmente, fazer. Fazer mais e melhor pode ser, simplesmente, não fazer. Fazer pode não ser mais e melhor. Fazer ... mais e melhor ... mais e melhor ... mais e melhor ...

segunda-feira, março 24

CHÁ COM TORRADAS #225

"Não houve órgão de comunicação social que não discorresse sobre a possibilidade de, passados quase 10 anos, a Região, mais concretamente a Assembleia Legislativa, desistir da criação do “seu”/”nosso” canal parlamento. Estas curiosas reacções, mais epidérmicas que orgânicas, parecem revelar as sensibilidades da opinião pública, e publicada, sobre quais as prioridades a tratar no âmbito da Comissão Eventual para a Reforma do Parlamento. Contudo, começar aí o debate sobre uma reforma é, não só, começar pelo fim, como começar mal..."

COMEÇAR PELO FIM, ontem no Diário Insular e n' O Bule do Chá

terça-feira, março 11

CHÁ DAS CINCO #241

Coisas de novelas. Uma saga que não acaba! Segundo o Diário Insular a Comissão Política Concelhia do PSD da Praia da Vitória, em reacção a um artigo de opinião publicado pelo líder do CDS/PP-A, conclui que “Mais do que hilariantes, as declarações do líder regional do CDS/PP- Açores manifestam um profundo desconhecimento do que se passa no seu próprio partido". Artur Lima responde que "não se relaciona com a Comissão Política Concelhia do PSD". O eleitorado assiste atónito. Tão amigos que eles eram!

segunda-feira, março 10

CHÁ QUENTE #351

"...Para quem quer dar o peito às balas nestas refregas, para quem quer, de facto, tomar posição, só ideias podem interessar. As ideias, e a clareza na exposição das mesmas, capitalizam quem, um dia, quiser, ou tiver de, decidir sobre os Açores e o futuro da Base das Lajes..."

CLARO COMO ÁGUA, ontem no Diário Insular ou n' O Bule do Chá

sexta-feira, março 7

É d'HOMEM #121

Segundo Paulo Estevão (líder do PPM/Açores), a concepção da definição política externa presente na proposta de revisão estatutária, tem um pai. Na verdade "Apesar de formuladas de forma débil, estas propostas têm, de facto, uma paternidade. Os pais não são, no entanto, o PSD ou, muito menos, o PS. Quem as apresentou, de forma estruturada e muito mais afirmativa, foi o PPM-A". Mais palavras para quê? Deixem-me aplaudir...

CHÁ DAS CINCO #240

Peço a palavra! Determina o actual Estatuto Político-Administrativo, no artigo 21.º, que "Os Deputados são representantes de toda a Região e não dos círculos por que foram eleitos". Esta norma quadro, de cariz assumidamente político, pretende ser base de toda a actividade desenvolvida pelos legítimos representantes do povo açoriano. Estes, contudo, vêem-se numa situação quase esquizofrénica, pois se eleitos pelo círculo da sua ilha, a quem, diariamente, devem prestar contas, são, igualmente, responsáveis pelas outras 8. E tem sido aqui que, frequentemente, "a porca torce o rabo". Seja por fragilidade do sistema político autonómico, seja por inaptidão, imaturidade ou incompreensão do verdadeiro alcance e estatuto do que é ser Deputado Regional, a alguns eleitos fugirá, sempre, o "pé para o chinelo" já que só conseguem defender os interesses da sua ilha por contraposição aos interesses das outras. É que, se até posso entender que, para alguns, seja difícil perceber o que é ser deputado regional, não posso aceitar que não saibam, ou não queiram saber, que ser deputado regional é, pelo menos, não ser bairrista nem fomentador do bairrismo.
E assim chego ao núcleo da questão: a actual norma do Estatuto é perfeitamente inócua na sua previsão pois dela não se tiram as necessárias consequências. Tais sejam: avaliar e punir os casos em que os deputados eleitos não se comportam como deputados regionais, isto é, quando os Deputados violam, grosseiramente, o Estatuto Político-Administrativo que juraram respeitar. Um caso prático de violação daquela norma estatutária é o artigo de opinião, do Deputado Regional António Ventura, hoje, no Diário Insular, quando utiliza os seguintes termos:
"...para além da normal espera que sofre cada obra, não deixa de ser curioso o facto de no Plano e Orçamento da Região para 2008 a verba inscrita para o Parque de Exposições da Terceira – que já era minúscula – ter sido reduzida a metade comparativamente à verba de 2007, todavia, para São Miguel os montantes para o Parque de Exposições são duplicados em 2008, até parece que o nosso só irá avançar quando for construído o de São Miguel, nunca antes. Será assim?
Embora o nosso tenha sido anunciado primeiro, terá de aguardar que o de São Miguel tenha mais visibilidade
..."
Alguém me explica que ideal político é esse que obriga a que sempre que se queira reivindicar investimentos para a Ilha Terceira há que compará-los com os investimentos na Ilha de São Miguel? Ora se isto não é matéria para uma censura política, já que não há outra disponível, não vejo que aquela norma, ou outras que se seguirão com o mesmo propósito, venha, algum dia, a ter sentido. E o caso é tanto mais grave quanto estamos a falar de um jovem, com fortes responsabilidades políticas (líder da Comissão Política da Ilha Terceira), já criado nos embalos do III movimento autonómico que teve como obrigação primeira a construção de uma concepção política de Região. Por triste coincidência, trata-se do mesmo Deputado Regional António Ventura que constata, também hoje, em artigo de opinião, n' "A União", que: "há algum tempo que decorre uma revolução de desinteresse e alheamento das pessoas para com a política (...) Uma revolução que se está a mostrar na abstenção do voto, na indiferença para com a política e os políticos e na falta de confiança nos Parlamentos." Pois é, há dias que mais vale não sair de casa. Disse!

CHÁ QUENTE #350

Descomplicando as coisas, facilitando a vida ao Diário dos Açores (DA) e à Comissão Nacional de Eleições (CNE). Segundo o DA "Uma das implicações da não aprovação do novo Estatuto Político Administrativo dos Açores até antes das eleições Regionais de Outubro é que todas as alterações criadas pela Lei Eleitoral não poderão entrar em vigor" e acrescenta "O caso pode mesmo ser complexo e a Comissão Nacional de Eleições já está a estudar o assunto, porque existe um conflito claro entre o actual Estatuto e a Lei Eleitoral em vigor". Nada mais errado! As actuais normas eleitoriais constantes do Estatuto Político-Administrativo (artigos 11.º a 20.º) não terão qualquer valor jurídico perante as normas constantes da Lei Eleitoral, uma vez que são consideradas "excesso de Estatuto". Ou seja, se há matérias que devem constar, obrigatoriamente, do Estatuto, e como tal com valor reforçado, outras há que, lá constando, não têm o mesmo valor podendo ser revogadas por outras leis. A matéria eleitoral é desse segundo tipo, pelo que a actual Lei Eleitoral da Região revogou as disposições eleitorais constantes do actual Estatuto. Em favor desta interpretação está, não só, uma vasta jurisprudência do Tribunal Constitucional, como a redacção do artigo 226.º da Constituição que separa, claramente, as iniciativas legislativas estatutárias das referentes à lei eleitoral. Simples não é?

CHÁ QUENTE #349

Os partidos políticos espanhóis decidiram suspender a campanha eleitoral, a dois dias das legislativas, na sequência do assassinato, esta manhã, de um ex-vereador socialista do País Basco, acção que a polícia atribuiu à ETA. Que efeito terá o atentado no resultado eleitoral de domingo? Os destinos políticos de um país podem ser, de novo, condicionados pelo terrorismo. O mundo não está mais seguro...

terça-feira, março 4

CHÁ DAS CINCO #239

USA2008, actualização possível na 3.ªfeira mais democrata dos últimos meses

A sondagem nacional diária da Gallup continua a mostar uma vantagem de Barack Obama sobre Hillary Clinton, neste momento de 5%. Segundo as contas da CNN Obama terá mais 150 delegados do que Hillary, o que significa que, depois das suas 11 vitórias consecutivas, se vencer no Texas e no Ohio, será "game over" para a Sr.ª Clinton. Mas se Clinton ganhar Texas e Ohio, com poucos delegados de vantagem, como muitos prognosticam, teremos corrida quase até à convenção democrata, no Verão. O Texas e o Ohio representam 193 e 141 delegados, respectivamente.

No trend da Pollster para o Texas Hillary surge à frente de Obama com 47,6% vs 45,9%. Das últimas 8 sondagens divulgadas ontem a Senadora vence 5. Contudo na "poll of polls" da CNN para o Texas, Obama lidera com 47% vs 45% e com 8% de indecisos.

No trend da Pollster para o Ohio Hillary surge à frente de Obama com 49,6% vs 43,6%. Das últimas 9 sondagens divulgadas ontem a Senadora vence 8 e empata 1, e na CNN "poll of polls" para o Ohio, Clinton estava à frente de Obama, 48% vs 43%, com 9% de indecisos.
Para confundir ainda mais as coisas segundo sondagem (Zogby) divulgada, hoje, pelo The Houston Chronicle, Hillary lidera no Texas com 47% das preferências do eleitorado, contra 44% de Obama, enquanto no Estado de Ohio estão ambos empatados a 44%.
Por os números estarem neste yo-yo, dizem que a culpa é da incerteza do voto dos latinos, é que Estados pequenos como Rhode Island, com apenas 32 delegados, e Vermont, com 15, têm merecido tanta atenção. Todos os delegados contam. No primeiro, o trend dá vantagem a Hillary, 42% vs 37%, e no segundo vantagem a Obama, 57% vs 34%. Facto parece ser que, para o clã Clinton, se Hillary ganhar no Texas e Ohio, hoje à noite, certamente, conseguirá suster a marcha de Obama na Pennsylvania e, finalmente, poder demonstrar aos apoiantes de Obama que ela é quem merece a designação democrata por ter arrebatado todos os Estados mais populosos em disputa (Florida, Nova Iorque, Nova Jersey, California, Massachusetts). Neste momento a vantagem Clinton no trend da Pennsylvania é de 46,7% vs 34,9%, mas sondagens recentes já mostram diferenças de menos de 10%

Entretanto, cruzando os debates e a campanha, coisas estranhas vão acontecendo, primeiro, o que parece ser uma ingerência do Canadá no destino da eleição democrata ao colocar em cheque as posições de Obama sobre os acordos NAFTA, depois, um inusitado apoio republicano a Hillary como única forma de prolongar a campanha democrata. Vale tudo menos tirar olhos?

CHÁ COM TORRADAS #224 (Act.)

Das dúvidas matinais. A quem interessa que, no dia anterior ao economista açoriano Mário Fortuna apresentar um estudo, sobre o impacto económico da Base das Lajes na economia açoriana, na comissão parlamentar eventual - Impacto na Região Autónoma dos Açores do Acordo entre a República Portuguesa e os Estados Unidos da América, se torne público que impacto directo e indirecto da base norte-americana das Lajes na economia da Terceira foi, o ano passado, de 113.9 milhões de dólares?

[Adenda, 05.03.08, 15.00]
O destacamento militar norte-americano na base das Lajes tem um impacto de cerca de um por cento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Açores, o que representa uma injecção na economia regional de 30 milhões de euros
. Os dados foram apresentados, hoje, pelo economista Mário Fortuna. Tratam-se de números com um impacto significativo para a ilha Terceira (vejamos que as receitas do Turismo, na ilha, rondaram cerca de oito milhões de euros em 2007), e para a Região, ainda que longe dos valores ontem anunciados -76 milhões de euros (113.9 milhões de dólares).

sexta-feira, fevereiro 29

CHÁ DAS CINCO #238

É d'HOMEM #120

“Não faz sentido que as câmaras andem a sustentar a RTP, quando esta empresa tem dinheiro para construir edifícios megalómanos em São Miguel mas não tem dinheiro para investir nas outras ilhas”, defendeu o deputado socialista, considerando que este é mais um exemplo da “postura colonialista” da empresa.
“Se se quiserem ir embora que vão, porque muitas vezes o que transmitem do concelho é nada ou muito pouco”, acrescentou.


João Maria Mendes, Deputado Municipal do PS, na sessão onde se discutia a cedência de parte de um imóvel para as instalações da RTP-RDP/A em Angra do Heroísmo (excerto de uma notícia de hoje no D.I.)

quinta-feira, fevereiro 28

CHÁ DAS CINCO #237

Dos “Pechinchinhos” no país das maravilhas! A direcção do Partido Democrático do Atlântico (PDA) vai reunir com o Partido Popular Monárquico (PPM), o Partido da Terra (MPT), a Nova Democracia (ND) e independentes (Paulo Gusmão?), tendo em vista um entendimento para a criação de uma coligação para as Eleições Legislativas Regionais em Outubro. Um projecto credível, ou nem por isso? É que, para o PDA, o sucesso da coligação está dependente, desde logo, de, por exemplo: o Partido da Nova Democracia fazer uma declaração solene “de que respeita e respeitará sempre a autonomia política do povo açoriano”; e o Partido da Terra retirar do seu programa local “a defesa do aborto e da liberalização das drogas”. Ou seja, “condições estruturantes” para o futuro dos Açores. Alguém devia fazer o obséquio de lembrar a essa gente que PDA+PPM+MPT+ND, ainda, estão longe de valer, fazendo fé nos últimos actos eleitorais, os 1500 votos que, segundo as minhas pobres contas, serão suficientes para eleger um deputado pelo círculo regional. Assim, se é para discutirem o sexo dos anjos, mais vale estarem sossegados. Haja pachorra!