quarta-feira, agosto 16

PURO PRAZER #247


Férias. Férias com livros. Livros aos molhos como os gosto de ver e comprar.

Lendo:

BLINK
Malcom Gladwell
Back Bay Books, 2005

VIDA DO CAPITÃO ALONSO CONTRERAS
Posfácio de Ortega y Gasset
Ed. Teorema, 2006

SETE ROSAS MAIS TARDE
Paul Celan
Ed. Cotovia, 2006

A ler:

O TIO VÂNIA
Tchekhov
Ed. Relógio d’Água, 2005

O AJUDANTE
Robert Walser
Ed. Relógio d’Água, 2006

MEDEIA
Eurípedes
Recriação de Sophia Mello Breyner
Ed. Caminho, 2006

A Encomendar:

463 TISANAS
Ana Hatherly
Ed. Quimera, 2006

ANTOLOGIA
Arnaldo Antunes
Ed. Quasi, 2006

DECAMERON I/II
Boccaccio
Ed. Relógio D’Água, 2006

ROUSSEAU E OUTROS CINCO INIMIGOS DA LIBERDADE
Isaiah Berlin
Ed. Gradiva, 2006

TRÊS TIPOS DE PODER E OUTROS ESCRITOS
Max Weber
Ed. Tribuna, 2005

A NOVA DESORDEM MUNDIAL
Tzvetan Todorov
Ed. ASA, 2006

Até um dias destes!

terça-feira, agosto 15

CHÁ QUENTE #217

Urbanismo de outro mundo, ou penúltimo post antes das férias...
Dongtan, a cidade verde.
O município de Xangai quer construir uma cidade ecológica de 500 mil habitantes, que sirva de modelo ao mundo inteiro. Sem resíduos nem emissões de dióxido de carbono, consumirá só dois terços das necessidades habituais de energia, graças a um plano urbano, a infra-estruturas energéticas e a uma arquitectura totalmente repensados.
O principal objectivo é que as energias renováveis satisfaçam o total das necessidades energéticas de Dongtan e que os veículos da cidade não poluam. A energia será produzida por uma «central de energia» graças a unidades eólicas, biocarburantes e matérias orgânicas recicladas. A maior parte dos resíduos de Dongtan serão reciclados e os resíduos orgânicos transformados em composto ou em biomassa, a fim de produzir energia. As águas residuais servirão para a irrigação e para o composto e não haverá locais de enterramento de resíduos.
O plano da cidade prevê bairros que fazem lembrar aldeias e ruas pedonais, em vez de estradas, o alinhamento das ruas tirará partido dos microclimas criados pelo ordenamento urbano. A largura e o aspecto dos imóveis permitirão tirar partido da sombra e da exposição directa ao sol, a fim de realizar poupanças de energia. Produzida localmente, a energia alimentará ao mesmo tempo os edifícios e os diversos meios de transporte.
Londres segue o exemplo.
As cidades consomem imensa energia e produzem quantidades consideráveis de resíduos e gases com efeito de estufa. Construir cidades que combatam estes problemas e que funcionem melhor é um dos maiores desafios da actualidade. O presidente da Câmara de Londres, Ken Livingston, também partilha este ponto de vista. Em Abril de 2006, anunciou ter planos para que Londres deixe de gerar qualquer emissão de gás carbónico, na zona de Thames Gateway, e recuperou um projecto, apresentado pela Greenpeace, que prevê a construção de mil casas que não emitirão qualquer partícula de carbono. No condado de Surrey, a câmara de Woking lançou um projecto semelhante em pequena escala, comprando energia a empresas locais e fazendo uma melhor utilização das energias renováveis. Isto permitiu-lhe não apenas fazer poupanças mas também reduzir em 77% as emissões que emanavam dos edifícios municipais.
Chicago planta jardins nos telhados
Em pleno centro de Chicago vê-se um oásis de verdura. Pequenos arbustos de espeinheiro-alvares erguem-se sobre um montículo e não é raro ver lá borboletas monarcas a esvoaçar e abelhas a colherem o polén dos trevos. O mais surpreendente é que esta extensão de vegetação não é um novo parque paisagístico, mas o telhado da câmara municipal, o primeiro telhado verde de uma cidade que colocou a ecologia no centro das suas prioridades.
Chicago multiplica as medidads para incentivar – e por vezes obrigar – os promotores imobiliários a seguir o exemplo da câmara municipal, com efeito, o conselho municipal acaba de anunciar a criação de um fundo de 500mil dólares, destinado a financiar a instalação de telhados verdes nos prédios existentes: as obras de transformação iniciadas serão subsidiadas pela câmara Municipal até 100mil dólares. No ano passado a cidade começou a atribuir subsídios de cinco mil dólares a particulares para projectos de menor envergadura, essencialmente residenciais.
Os tenhados verdes são apenas um elemento de um plano de urbanismo verde mais vasto que compreende a plantação de centenas de milhares de árvores na cidade, uma melhor rentabilidade energética e a substituição de certas vias por terraplenos plantados.


Tudo isto e muito mais no Courrier Internacional de 21 de Julho.

NOTA: Por cá, entre o noticiarismo habitual e o 8 ou 80 da blogosfera, os defensores do desenvolvimento sustentável já nem pestanejam quando se anuncia a consignação da empreitada da 2fase do chamado «prolongamento da avenida para são roque» sem "que esteja concluído o projecto e aprovados todos os estudos necessários de impacto ambiental pela Secretaria Regional do Ambiente". É o que se chama um Concelho Feliz…com pouco!

CHÁ DAS CINCO #133

Coisas que se estranham e não se entranham, ou antepenúltimo post antes das férias...

Não haver, aos sábados domingos e feriados, Jornal da Tarde na RTP/Açores!

segunda-feira, agosto 14

CHÁ QUENTE #216

A ONU o Médio-Oriente...
Emphasizes the importance of the extension of the control of the Government of Lebanon over all Lebanese territory in accordance with the provisions of resolution 1559 (2004) and resolution 1680 (2006), and of the relevant provisions of the Taif Accords, for it to exercise its full sovereignty, so that therewill be no weapons without the consent of the Government of Lebanon and no authority other than that of the Government of Lebanon

On the UN's watch
Peace in Lebanon depends on a robust force being deployed
The Lebanese Government desperately needs a complete end to fighting, but it cannot control Hezbollah. Israel will accept an end to fighting, but only if Hezbollah can be brought under control. Sheikh Hassan Nasrallah, the leader of Hezbollah’s military wing, does not want to stop a war that, he believes, recruits more extremists to the cause with every Israeli bomb dropped. He says he will abide by the ceasefire but also that he will attack Israeli forces so long as they are on Lebanese soil. This may well mean continued fighting, since Israel will not withdraw — and is not obliged by the UN to — until the Lebanese military and the reinforced UN contingent led by France are deployed from the Litani river to the frontier.

Chaos, conflict, tyranny: would we do better without the UN?
By Niall Ferguson
It is funny that the acronym for the United Nations is UN. It always makes me think of negatives. Unhelpful. Unrealistic. Unproductive. Unhappy. This has been an especially unhappy summer for the United Nations.
E as outras nuvens negras...

The Horn of Africa
The path to ruin
The Horn of Africa has long been haunted by hunger and by violence. The story of Bossaso is an early sign that these evils will continue, and worsen. Islamist expansionism in Somalia—and the armed resistance to it—plus uncontrolled population growth throughout the area could result in whole pockets of the Horn facing collapse. This would be a humanitarian disaster; it could also lead to a much wider conflict, involving several countries.
...
The Islamist advance in Somalia was a response to political anarchy, not a symptom of population or environmental pressures. But UN relief agencies are sounding the alarm on these pressures. They are specially concerned about south Somalia and Ethiopia's vast Ogaden desert, where malnutrition rates are far higher than the 15% which signals a humanitarian emergency (nutrition rates in the Horn generally are the lowest in the world). A drought last year resulted in massive loss of livestock in both regions. A Somali war involving Ethiopia would be fought asymmetrically, with Islamist guerrillas striking across Somalia and inside Ethiopia, raising the chances of catastrophic famine.
...
War in Somalia could ignite other wars. Most of these will probably be small tribal affairs, such as the battles in northern Kenya, which tribal elders say have claimed more than 100 lives this year. But an Ethiopian offensive in Somalia could result in Eritrea taking its chance to attack Ethiopia. A war between the two countries fizzled out in 2000, but with no resolution on their disputed border.

CHÁ DAS CINCO #132

Jardim diz que o povo “é inteligente” e vai compreender o que o Governo da República está a fazer à Madeira, por isso mesmo, deve ser informado das propostas que estão a ser feitas porque a população não deve ser prejudicada.
Por forma a esclarecer a população sobre o sucedido, o Governo Regional decidiu publicar na imprensa madeirense um comunicado onde explica o que o Governo de Sócrates está a tentar fazer.
O Governo Regional da Madeira denuncia ainda que a Região sofre um corte orçamental ao contrário dos Açores: "Numa análise à repartição das Transferências do Estado - continua a nota - e no caso da Madeira, na actual situação é de 49,38 por cento, sendo que na proposta do Governo da República passa para 42,10 por cento. Já no caso dos Açores, as transferências orçamentais são, actualmente, de 50,62 por cento, com o Executivo de José Sócrates a propor um aumento para 57,9 por cento".
Por isso, o Governo Regional diz ser "totalmente inaceitável qualquer alteração de critérios na fórmula de cálculo das transferências do Orçamento de Estado, que prejudique a Madeira e favoreça os Açores".

domingo, agosto 13

PURO PRAZER #246

Recordações de Ponta Delgada

Caminhos do Pensamento
Estudos de Homenagem ao Professor José Enes
Org: José Luís Brandão da Luz
Edições Colibri/Universidade dos Açores
2006
(Na Livraria Solmar)

Mística e Nuvens do Vulcão do Pico
Victor Hugo Forjaz, Lurdes Bettencourt Oliveira, Zilda Tavares M. França, João José Fernandes, Urbano Bettencourt
Edição Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores
2006
(Na Livraria O Gil)

sexta-feira, agosto 11

CHÁ QUENTE #214


ROY LICHTENSTEIN, Bull II

TUDO A POSTOS PARA A FESTA BRANCA 2006?

"...um conceito próprio dos grandes bailes de Verão realizados nos melhores locais da Europa....que promete ser o maior acontecimento social deste Verão..."

CHÁ DAS CINCO #131


UK seen as weak link by the US
“To strike at the US, al-Qaeda counts less on domestic sleeper cells than on foreign infiltration. As a 9/11 commission staff report put it, al-Qaeda faces ‘a travel problem’: how can it move its mujahideen from hatchery to target? Europe’s mujahideen may represent a solution,”

quarta-feira, agosto 9

CHÁ COM TORRADAS #129 (Act.)


To Israel with love
Why America gives Israel its unconditional support
"...Americans instinctively see events in the Middle East through the prism of September 11th 2001. They look at Hizbullah and Hamas with their Islamist slogans and masked faces and see the people who attacked America—and they look at Israeli citizens and see themselves. In America the “war on terror” is a fact of life, constantly reiterated. The sense that America is linked with Israel in a war against Islamist extremism is reinforced by Iranian statements about wiping Israel off the surface of the earth, and by the political advance of the Islamists of Hamas in Palestine..."

Entretanto, o projecto de resolução da França e dos Estados Unidos sobre o Líbano vai ser emendado para ter em conta as objecções das autoridades libanesas e da Liga Árabe.

As coisas são o que são
“…Na Europa, governos, partidos, políticos, igrejas, ONG, cidadãos clamam há semanas por um cessar-fogo, de cuja necessidade urgente o bombardeamento de dezenas de crianças libanesas em Cana se tornou emblema. Cada dia morre mais gente. Partes vitais do Líbano vão sendo transformadas em ruínas pela aviação israelita. E no norte de Israel já caíram mais de mil «rockets». Parar a guerra para negociar depois a paz parece imposição evidente de humanidade e bom-senso.
Não é tão simples. Certamente ao Hezbollah, aos seus mentores iranianos e sírios e a todos os jiadistas antiocidentais conviria um cessar-fogo imediato e incondicional: o sul do Líbano continuaria nas mãos da milícia xiita que nunca desarmou, contra o exigido pelas Nações Unidas em 2000 quando Israel se retirara. As provocações que levaram à retaliação israelita teriam sido recompensadas, deixando Israel mais vulnerável. Nenhum governo de Telavive aceitaria tal acordo. Em todas as guerras em que teve de se defender dos vizinhos Israel fê-lo para garantir sobrevivência – e o chefe do Hezbollah e o Presidente do Irão continuam a apelar à liquidação do Estado de Israel.
Os regimes sunitas moderados da região, com medo de uma tenaz xiita iraniana, iraquiana e libanesa, querem uma derrota do Hezbollah mas têm cuidado a exprimir-se perante indignação popular que cresce dia a dia com a violência israelita em Gaza e no Líbano.
Bom senso europeu exige fim da guerra europeu mas com um acordo que neutralize o Hezbollah e reforce a segurança futura de Israel e do Líbano. O tempo é pouco. Na ONU, americanos e franceses trabalham por isso. O que está em jogo é, por um lado, a sobrevivência da única democracia parlamentar do Médio-Oriente e, por outro, a contenção de regimes ditatoriais destabilizadores: o do Irão, além disso teocrático e prosélito. Se a Europa e Estados Unidos forem influências determinantes na região, Israel poderá vir a ter ao seu lado um Estado palestiniano democrático. Se o Irão triunfasse, não haveria democracia palestiniana e Israel ficaria em perigo mortal. É tudo isto que os termos de um cessar-fogo na Guerra do Líbano têm que levar em conta. As coisas são o que são."


José Cutileiro (Expresso, 5 Agosto)

segunda-feira, agosto 7

PURO PRAZER #244


La Vida secreta de las palabras
De 3 a 9 de Agosto
16:40/19:10/21:40
(Cine Solmar)

...SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO/
PALAVRAS/SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO/
PALAVRAS/SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO/PALAVRAS/
SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO/
PALAVRAS/SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO/PALAVRAS/
SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO/PALAVRAS/
SILÊNCIO/PALAVRAS/SILÊNCIO...

CHÁ COM TORRADAS #128

"... Sabia que olhando à posição estratégica da Região no contexto mundial e às repercussões a nível económico, social e ambiental sobre os países comunitários vizinhos, os Açores podem revelar-se como um importante ponto de monitorização do tráfego marítimo, à semelhança, aliás, do que já acontece para o tráfego aéreo?
Sabia que ter em conta a realidade atlântica e insular implica, por ex.: a protecção ambiental; a preservação dos recursos e biodiversidade marinha; a vigilância e segurança marítimas; a prevenção de acidentes, poluição e catástrofes naturais; o controlo marítimo de fronteiras e a compatibilização com a Política Europeia de Segurança e Defesa?..."


In, SABIA QUE...? no D.I. ou n' O Bule do Chá

quinta-feira, agosto 3

CHÁ QUENTE #213 (Act.)

"...Toda a gente sabe que os Açores e a Madeira, com 250 mil eleitores, representam menos do que um bairro de Lisboa mas no entanto estão politicamente sobrerepresentados no parlamento. É público e notório que são beneficiários líquidos da solidariedade nacional. Ficam com todas as receitas cobradas na região e recebem verbas do Orçamento de Estado que nenhuma outra zona do País beneficia, por força de um factor de majoração que ninguém põe em causa para atenuar os efeitos da insularidade. Gerem como entendem essas receitas. Têm acesso directo aos fundos da Comunidade Europeia e, de forma indirecta, aqueles que se destinam ao todo nacional.
Está tudo certo, mas o que não pode acontecer é ouvir esta espécie de gang dos Açores e da Madeira reclamar que as transferências do continente para as regiões têm que continuar a aumentar todos os anos mesmo quando o resto do País está obrigado a sacrifícios e a uma contenção orçamental rigorosa."


O gang das ilhas, Emídio Rangel


NOTA: Separando as águas ou como continua a ser preferível apresentar argumentos do que mandar bocas. Não vou invocar argumentação histórica, como diz o Ezequiel «a causa autonómica já tem barbas». Vou tentar mostrar uma perspectiva constitucional do presente e do futuro autonómico, assim:

a) Sobre a legitimidade dos Deputados eleitos pelo Círculo dos Açores poderem votar contra um diploma nacional que diga especialmente respeito às ilhas.

O Estado português é unitário. É o que consagra a Constituição. Não considera expressamente estado unitário regional como alguma doutrina recomenda. Porque é que essa doutrina conceptualiza o Estado português como unitário regional?

Por causa do que dispõe o artigo 6.º quando diz:
1. O Estado é unitário e respeita na sua organização e funcionamento o regime autonómico insular e os princípios da subsidiariedade, da autonomia das autarquias locais e da descentralização democrática da administração pública.
2. Os arquipélagos dos Açores e da Madeira constituem regiões autónomas dotadas de estatutos político-administrativos e de órgãos de governo próprio.

Ou do artigo 225.º
1. O regime político-administrativo próprio dos arquipélagos dos Açores e da Madeira fundamenta-se nas suas características geográficas, económicas, sociais e culturais e nas históricas aspirações autonomistas das populações insulares.
2. A autonomia das regiões visa a participação democrática dos cidadãos, o desenvolvimento económico-social e a promoção e defesa dos interesses regionais, bem como o reforço da unidade nacional e dos laços de solidariedade entre todos os portugueses.
3. A autonomia político-administrativa regional não afecta a integridade da soberania do Estado e exerce-se no quadro da Constituição.

Ora o Estado é unitário regional porque consagra as autonomias político-administrativas dos Açores e da Madeira. Uma autonomia política que não é, repito NÃO É, só administrativa (regiões e as autarquias).
O meu entendimento das autonomias políticas constitucionais só pode passar pelo seguinte princípio: o que é bom para as autonomias é bom para o Estado português. O que é mau para a autonomia é mau para o Estado português.
Em que medida, e em que circunstância, isso qualifica ou não a intervenção dos Deputados da Assembleia da República eleitos pelos círculos dos Açores e da Madeira?
Sabendo que na estrutura política institucional do Estado português não está previsto um órgão de cariz territorial como um Senado com competências para a apreciação política das políticas nacionais.
De que forma política institucional as Autonomias podem apreciar e influenciar aqueles diplomas a que a própria Constituição atribui cariz especial (estatuto, lei eleitoral e lei de finanças regionais)?
Como bem sabem, ou se não sabem ficam a saber, os pareceres dos órgãos de governo próprio (assembleia e governo regional) no âmbito do processo de audição sobre diplomas nacionais não são vinculativos. A única obrigação é ouvir-nos não propriamente fazer uso do que dizemos.
Resta-nos o quê no âmbito do processo político institucional democrático para velar pelo respeito do Estado unitário regional à autonomia política regional?
O pedido de fiscalização concreta de constitucionalidade ou legalidade do diploma, ou seja, a verificação decorre só após este estar publicado. Parece-lhes suficiente? Claro que não!
Então a jusante da publicação de um diploma quem deve fiscalizar os interesses regionais de acordo com a interpretação que a Região faz do que é a autonomiaconstitucional?
Não estarão todos os deputados eleitos, mas em especial os eleitos pelo círculo dos Açores e da Madeira, vinculados a uma obrigação de velar pelos interesses constitucionais das regiões autónomas no processo de aprovação de uma lei que diz particularmente respeito às Regiões?
Bem sabemos que um Deputado ao ser eleito é um deputado nacional. Mas sendo-o exerce os seus mandatos no respeito da Constituição.
Ora, como já sublinhamos é a Constituição que ressalva o respeito pela autonomia político-administrativa. É igualmente a constituição que, e para o que nos interessa, considera que é competência das Regiões “dispor, nos termos dos estatutos e da lei de finanças das regiões autónomas, das receitas fiscais nelas cobradas ou geradas, bem como de uma participação nas receitas tributárias do Estado, estabelecida de acordo com um princípio que assegure a efectiva solidariedade nacional, e de outras receitas que lhes sejam atribuídas e afectá-las às suas despesas”
O entendimento parece-me pois claro de que se um Deputado eleito pelo círculo dos Açores, ou por qualquer outro círculo, entender que qualquer proposta de lei das finanças regionais não sendo boa para os Açores, nem respeitando a autonomia constitucional, não será boa para o interesse nacional, deverá votar contra essa proposta, cumprindo o seu mandato de deputado da nação.
E mais estará a velar pela Constituição se essa proposta de lei não estabelecer participações nas receitas tributárias do Estado de acordo com um princípio que assegure a EFECTIVA solidariedade nacional.


b) Sobre a perspectiva de que a autonomia não deve viver de mão estendida.

O Nuno Barata foi ligeiro em afirmar que o que eu queria era mamá e que a autonomia continuasse a viver de mão estendida.
Como não é uma excitação de um novato na blogolândia regional, como também não acredito que o Nuno não leia o que ando a escrever há quase dois anos sobre as necessárias alterações à lei de finanças regionais e ao sistema de relacionamento financeiro entre administração central e autonomias, só posso enquadrar essa tirada como uma provocação gratuita.
Mas para que não restem dúvidas de que vale escrever o que se pensa, consigo rapidamente descobrir que em tempo disse:
“No Estatuto poderão prever-se fórmulas que combinem em maior ou menor grau de intensidade um modelo baseado numa nova filosofia de gestão tributária por parte da Região conjugada com um novo conceito de solidariedade inter-regional (com/sem um contributo regional para o Orçamento do Estado; com/sem uma compensação pelos serviços fundamentais do Estado que esta Região presta no seu território), e, posteriormente, quantificáveis em sede de Lei de Finanças Regionais.”
ou
“Sempre se deve ter presente que a via dos impostos próprios pode estar enquadrada num contexto bem mais preciso se o modelo de financiamento se basear numa ampla adaptação dos impostos estatais, com faculdades normativas e de gestão tributária própria, sempre se podendo incluir algumas regras que permitam definir a margem de actuação da Região em questões fiscais candentes como as da dupla insularidade ou as do mecenato cultural, tecnológico ou de investigação, social e ambiental.”
Ou seja defendo que a Região não se deve contentar com as suas receitas exclusivas devendo afectar parte destas ao todo nacional sendo que em compensação deveria ganhar nova margem de actuação na definição das suas políticas fiscais.
Também destaquei em tempo as alterações estatutárias na Catalunha relativas ao finaciamento e as que se referiam à questão das despesas com a saúde ou as de Aragão com critérios diferenciados na determinação dos fundos do Estado a transferir para aquela comunidade autónoma (tudo gente a querer mamá?)
Finalmente, porque não entendo a perspectiva da autonomia financeira e o estabelecimento das suas condições como uma pedinchice mas como um direito autonómico basilar reafirmo que também já vai sendo tempo de ser a Região a definir os critérios de atribuição dos recursos financeiros de um Fundo Especial Local, a criar, que congregue as transferências do Orçamento de Estado e do Orçamento Regional para as autarquias locais da Região a exemplo do que as comunidades autónomas já fazem há alguns anos.
Isto é o que eu penso. Está aqui preto no branco. Há dias assim, em que pensar um pouco antes de abrir a boca continua a valer a pena…

CHÁ COM TORRADAS #127

SONETO 49

Quando eu, senhora, em vós os olhos ponho,
e vejo o que não vi nunca, nem cri
que houvesse cá, recolhe-se a alma a si
e vou tresvaliando, como em sonho.

Isto passado, quando me desponho,
e me quero afirmar se foi assi,
pasmado e duvidoso do que vi,
m'espanto às vezes, outras m'avergonho.


Que, tornando ante vós, senhora, tal,
Quando m'era mister tant' outr' ajuda,
de que me valerei, se alma não val?

Esperando por ela que me acuda,
e não me acode, e está cuidando em al,
afronta o coração, a língua é muda.

Sá de Miranda

quarta-feira, agosto 2

É d'HOMEM #90


O parecer da Conta Geral do Estado de 2005 vai identificar os principais credores do Estado e identificar as respectivas dívidas.
A decisão do Tribunal de Contas sobre esta matéria foi tomada em finais de Maio e no site da instituição existe já um formulário, em suporte electrónico, destinado à recolha e tratamento automatizado da informação relativa à dívida não financeira, vencida e vincenda, à data de 31 de Dezembro de 2005 e situação da mesma, em 30 de Junho de 2006.

CHÁ DAS CINCO #130


Raul & Fidel

Announcement from the President to the Cuban people
1)I provisionally delegate my functions as first secretary of the Central Committee of the Communist Party of Cuba to the second secretary, comrade Raúl Castro Ruz.
2)I provisionally delegate my functions as Commander in Chief of the Revolutionary Armed Forces to the abovementioned comrade, General of the Army Raúl Castro Ruz.
3)I provisionally delegate my functions as president of the Council of State and the government of the Republic of Cuba to the first vice president, comrade Raúl Castro Ruz.


Cuba mantiene la calma tras el comunicado que afirma que Castro está "estable"
"Yo no puedo inventar noticias buenas porque no sería ético, y si las noticias son malas, el único que va a sacar provecho es el enemigo"

Doença de Fidel leva cubanos a armazenar alimentos
«Há quem esteja a comprar coisas para guardar porque teme que venha aí uma crise»

What happens after Fidel Castro?
Between those who seek a continuation of the government and those who seek total change are those loyal to Castro and what has been achieved but who have complaints about the way the country is run.

domingo, julho 30

PURO PRAZER #243

Encaged (white light)
100x70cm
técnica mista com base em papel

OXIDANTE #4


TODOS OS ANOS EM AGOSTO NÃO HÁ CINEMA NA ILHA TERCEIRA! PORQUÊ?

sábado, julho 29

PURO PRAZER #242

"…Pangloss ensinava a Metafísico-teológico-cosmológico-nigologia. Provava de modo admirável que não havia efeito sem causa e que, neste melhor de todos os Mundos possíveis, o Castelo do senhor Barão era o mais belo dos Castelos, e a senhora a melhor das Baronesas possíveis.
«Está demonstrado, dizia, que as coisas não podem ser de outra forma: pois tendo tudo sido feito para um fim determinado, tudo se dirige para o melhor dos fins. Notai como os narizes foram feitos para levar óculos; e com efeito temos óculos. As pernas foram manifestamente instituídas para ser calçadas, e com efeito temos calças. As pedras formaram-se para ser talhadas e delas se fazerem Castelos; e com efeito Monsenhor tem um magnífico Castelo, pois o maior Barão da província deve possuir os melhores aposentos. E tendo sido feitos os porcos para serem comidos, com efeito comemos porco todo o ano. Em consequência, aqueles que defenderam que tudo está bem foram tolos; teria de se dizer que tudo está no seu melhor»…
"

Cândido ou O Optimismo, Voltaire. Ed. Tinta da China, 2006.

sexta-feira, julho 28

CHÁ QUENTE #213

Na melhor toalha de mesa cai a nódoa ou como qualquer dia isto vai dar molho…
Há coisas que se escrevem e que depois de publicadas reparamos que não têm sentido. Talvez seja este um desses casos. Vejamos a crónica de João Paz sobre a I Feira Gastronómica do Atlântico. Após um belo texto de exaltação à iniciativa o jornalista decide-se, em jeito de remate, pela seguinte tirada:
A frequência dos restaurantes ultrapassa, em muito, a que se tem verificado na feira anual de gastronomia da Praia da Vitória, na ilha Terceira.”
Ora querer comparar a novidade da primeira edição de um feira gastronómica com a de uma feira que já vai para a sétima edição, falar da frequência aos restaurantes, quando todos sabemos que só no concelho de PDL há quase a mesma população da ilha terceira, parece-me justificar a conclusão de essa frase é um perfeito disparate. Querer comparar eventos nas duas Ilhas é um tique regional antigo, mas a fazê-lo que se faça pela qualidade e não pela quantidade. Além disso posso dar o meu testemunho de assíduo frequentador da Feira Gastronómica da Praia da Vitória, cuja localização é imbatível com qualquer outra feira que se realiza nos Açores, nos últimos 7 anos há restaurantes que continuaram a ter, noite após noite, a casa cheia. Outros não, porquê? Porque as pessoas, depois da novidade, apenas voltam aos melhores. O mesmo acontecerá em Ponta Delgada. Simples!

CHÁ QUENTE #212

Não me estando a ser nada fácil digerir as palavras do MNE na Assembleia da República. Tendo-as ouvido de passagem no Canal1, ainda não as pude confirmar em nenhum outro OCS, penso que não andarei longe da verdade se disser que a tese explanada foi a de que não o Sr MNE não acredita na diplomacia internacional sem uma força militar que a sustente (e a Noruega?).
Mas, talvez esse desabrido comentário (lá caiu por terra a importância estratégica da CPLP e da língua lusa) se deva à humilhação que a UE sofreu hoje «Israel garante que Conferência de Roma lhe deu "uma autorização para continuar" ataques no Líbano»
A conferência internacional sobre o Líbano, que ontem decorreu em Roma, falhou um acordo sobre o cessar-fogo imediato no conflito israelo-libanês, por causa de entreves colocados pelos Estados Unidos face às pressões colocadas pelos outros países participantes , nomeadamente a França.
Ou ao bloqueio diplomático que se deu na ONU «Falta de consenso en la ONU» La pasada madrugada, los 15 miembros del Consejo de Seguridad de la ONU pasaron horas discutiendo qué escribir en un papel sobre la muerte de sus cuatro cascos azules en Líbano.
Entretanto numa ronda pela imprensa internacional dou de caras com John Berger, Noam Chomsky, Harold Pinter et José Saramago « C'est Israël le vrai responsable»
Chaque provocation et contre-provocation est montée en épingle et donne lieu à des leçons de morale. Mais les débats qui en résultent, les accusations et les serments ne servent qu'à détourner l'attention du monde d'une pratique militaire, économique et géographique à long terme dont l'objectif politique n'est rien moins que la liquidation de la nation palestinienne.
Nada de novo, e não interessando, aqui, encontrar culpados sigo para o The Ethics of war - Mind those proportions
In the end, some philosophers think, debate about the ethics of war will have to reintegrate two ancient questions—about the right to go to war, and the methods that may be used—which have become artificially separated in modern times. To put it more simply, nobody will be impressed with a line that goes: “We didn't start this war, so our cause is just—but now that it's begun, we'll fight as dirty as we like.” Augustine saw the questions of jus ad bellum and jus in bello as intertwined—and so, probably, should modern man.
Regressamos, pois, a Santo Agostinho.

E a este Guerra e Paz
Ética e o uso da violência na guerra
A teoria da guerra justa.
"...parte das abordagens contemporâneas da ética da guerra se desenvolveram, tem duas componentes: uma teoria dos fins e uma teoria dos meios. A primeira, conhecida como a teoria do jus ad bellum, define as condições em que é lícito fazer a guerra. A segunda teoria, a do jus in bello, estabelece os limites da conduta lícita na guerra.

a componente principal da teoria do jus ad bellum é a exigência de que a guerra seja travada por uma causa justa. Apesar dos teóricos da guerra justa serem praticamente unânimes na crença em que a auto-defesa nacional pode fornecer uma causa justa de guerra, em pouco mais estão de acordo. Outros candidatos a causa justa são a defesa de outro estado contra uma agressão externa injusta, a recuperação de direitos (isto é, a recuperação do que pode ter sido perdido quando não houve resistência a uma agressão injusta anterior, ou quando a resistência anterior foi derrotada), a defesa de direitos humanos fundamentais noutro estado contra abusos do governo e a punição de agressores injustos.

A teoria do jus in bello consiste em três requisitos. 1) O requisito da força mínima: a quantidade de violência usada em qualquer ocasião não deve exceder a necessária para realizar o fim em vista. 2) O requisito da proporcionalidade: as más consequências esperadas de um acto de guerra não devem exceder, ou serem maiores do que as suas boas consequências esperadas. 3) O requisito da discriminação: a força deve ser dirigida apenas contra pessoas que sejam alvos legítimos de ataque..."


Conclusões? Uma de há muitos anos: mais vale ler do que falar...

quarta-feira, julho 26

CHÁ QUENTE #211

"...Whatever else happens in the coming weeks – whether the war in Lebanon intensifies or ends in an early stalemate – one impact will be a considerable boost to support for the wider al-Qaida movement. In that sense, President Bush's view of the Israeli operations in Lebanon as being an essential part of his global war on terror might well prove correct, but in ways very far from those he intends..."
Lebanon in the wider war, Paul Rogers

"...Perhaps Hezbollah's ascendancy among Sunnis will make it possible for Shiites and Sunnis to stop the bloodletting in Iraq - and to focus instead on their "real" enemies, namely the United States and Israel. Rumblings against Israeli actions in Lebanon from both Shiites and Sunnis in Iraq already suggest such an outcome.
That may be good news for Iraqis, but it marks a dangerous turn for the West. And there are darker implications still. Al Qaeda, after all, is unlikely to take a loss of status lying down. Indeed, the rise of Hezbollah makes it all the more likely that Al Qaeda will soon seek to reassert itself through increased attacks on Shiites in Iraq and on Westerners all over the world - whatever it needs to do in order to regain the title of true defender of Islam."
Middle East: Al Qaeda takes a back seat, Bernard Haykel

terça-feira, julho 25

CHÁ DAS CINCO #129


A New Museum for the 21st Century

The new development of Tate Modern will create the world's first museum designed to show the full breadth of contemporary art in the 21st century.
The new project will:

- Create the world's leading centre for contemporary art, which will be of benefit to both artists and our public and help Tate to develop one of the finest collections of contemporary art in the world.

- Create a new landmark building for London, which will help it to maintain its position as the leading cultural and creative capital of the world.

- Act as a catalyst for the further regeneration of Southwark. The new building will facilitate the greater integration of Tate with its local community and urban landscape, bringing maximum benefit to the local area.

- Place education, life-long learning and the development of creative skills at the heart of what we do, enabling Tate to reach out to different audiences.

- Contribute substantial economic benefits to London as a whole and to Southwark in particular.

Sempre achei que havia mais esforço em torná-la silly do que em procurar o melhor da season. Entre nós merece todo o destaque a notícia do A.O. sobre o plano de formação completamente renovado para o ano lectivo 2006/2007, quer nos cursos destinados às crianças ou adolescentes, quer nos cursos destinados aos adultos, que a Academia das Artes nos propõe….

PURO PRAZER #241


ANGRAJAZZ 2006
4 A 7 DE OUTUBRO

CENTRO CULTURAL E DE CONGRESSOS DE ANGRA DO HEROÍSMO

NOTA: Sendo um dos indefectíveis do Angrajazz, considerando-o como um ponto fulcral na programação cultural da Região, não posso deixar passar alguma estranheza perante as opções musicais dos últimos anos, especialmente no que diz respeito à falta de equilíbrio das correntes jazzísticas nos programas, com notada ausência do jazz afro-americano.
Como, tendo em conta os organizadores, essa lacuna não se pode dever a ignorância, resta-me perguntar se é fetiche ou indisponibilidade financeira?

segunda-feira, julho 24

CHÁ COM TORRADAS #126

España, España, España
Dos Mil Anos de História
No Acabaram de Hacerte

Eugenio de Nora

"O cenário perfeito seria uma varanda sobre a praça de Sant Jaume. Pascal Maragall proclamaria de braços abertos: “Declaro a Espanha um Estado federal”. Contudo não pôde ser assim. Contentou-se com a tribuna do Parlamento da Catalunha. A sua emoção era genuína e estava a cumprir um velho sonho: dizer a todos os espanhóis o que devem ser e como devem sê-lo..."


¿ESPAÑAS?, no D.I. ou n' O Bule do Chá

quinta-feira, julho 20

É d'HOMEM #89


"...o presidente do CDS/PP dos Açores, Alvarino Pinheiro, criticou a «democracia no arquipélago» pelo facto de o poder (socialista de Carlos César) «ser exercido de forma musculada». «O poder assim exercido condiciona pessoas e empresas tornando o trabalho da oposição tão ou mais difícil do que há 32 anos atrás», referiu o líder centrista açoriano.
Alvarino Pinheiro acusou mesmo «o poder de comprar votos na via pública, pagando em espécie e se calhar mesmo em moeda corrente». O mesmo dirigente alertou para o facto de «o papel das autarquias ser chocante por condicionarem os votos em eleições». Segundo Alvarino Pinheiro «o país está a enviar fuzileiros para acompanhar as eleições na Guiné-Bissau e se calhar precisava era de enviá-los para algumas das ilhas açorianas»..."


NOTA: O facto do sr Pinheiro já ter anunciado que ia abandonar a liderança do partido e a política legitima-o para dizer o que bem entende até 2007?

CHÁ COM TORRADAS #125

À atenção do Rui Goulart

O círculo de compensação não é um círculo de restos!
O círculo regional de compensação, tal como consta muito claramente da alínea a) do n.º 2 do artigo 16.º da Proposta de Lei Eleitoral, é apurado de acordo com o número total de votos recebidos por cada lista no conjunto dos círculos de ilha.

quarta-feira, julho 19

CHÁ QUENTE #210

De acordo com o parecer do STAPE à Proposta de Lei Eleitoral para a Assembeleia Legislativa da RAA a introdução de uma forma de voto especial para cegos e amblíopesé de execução complexa em eleições com universos eleitorais vastos”. No documento, as eleições autárquicas são apontadas como um exemplo de que “o sistema proposto parece logisticamente inexequível” devido à existência de “três boletins de voto, 616 matrizes diversas para os órgãos municipais e mais de 4.000 para as assembleias de freguesia”. Embora utilização de boletins em Braille apenas dissesse respeito às eleições regionais nos Açores, o STAPE manifestou ainda o receio do sistema acabar igualmente por ser aplicado noutros actos eleitorais em todo o território nacional.
No parecer é ainda considerado que esta forma de voto especial para cegos e amplíopes é uma discriminação relativamente a eleitores com outras deficiências físicas. Segundo o documento, o sistema que era proposto introduziria “uma diferença de tratamento relativamente a eleitores portadores de outro tipo de deficiências físicas que se nos afigura pouco justificável”.

CONCLUSÃO: BARDAMERDA
a) BARDAMERDA para o STAPE que faz um parecer que nem é digno de se limpar o ..

b) BARDAMERDA para a Assembleia da República que dá ouvidos a um parecer que nem é digno de se limpar o ..

domingo, julho 16

PURO PRAZER #240


casa com vista para a cidade

(sem prejuízo de outras janelas, gosto bem das minhas)

CHÁ DAS CINCO #128

“…Divergindo da linha oficial do partido, os socialistas catalães (PSC) têm defendido uma orientação na via do federalismo do Estado das Autonomias, com a ressalva de não exigirem, para tanto, qualquer revisão constitucional. Esta orientação federalista, propugnada pelo PSC, basear-se-ia, fundamentalmente, na revisão do sistema de financiamento autonómico, no reconhecimento de competências autonómicas exclusivas, na acentuação do papel territorial do Senado e na Participação das Comunidades Autónomas no processo de decisão política do Estado na EU. Entendida não como uma alternativa, mas como um projecto de orientação no processo de construção do Estado das Autonomias e de aprofundamento do autogoverno, esta proposta dos socialistas catalães visiona uma igualdade de direitos que, no entender daqueles, não deverá ser confundida com uniformidade. «Essa igualdade de direitos é a garantia da liberdade e, por conseguinte, da diversidade».
Perante esta posição, poder-se-ia inferir da existência de uma convicção sobre as limitações do actual modelo de Estado das Autonomias, devido sobretudo a uma prática política levada a efeito sobre os signos da conjuntura. Quer o processo de generalização das autonomias, com tradução numa certa desvalorização dos Estatutos de Autonomia das Comunidades históricas, quer a instituição das leis de bases, como domínio reservado do Estado, invadindo áreas de competências dos poderes autonómicos, quer ainda uma tendência visível para a identificação do Estado com o poder central e para a consequente marginalização das autonomias, relativamente às políticas do Estado, terão contribuído para que os socialistas catalães tentassem dar corpo à sua proposta federalista…”


* Relendo Maria Regina Marchueta “Os Nacionalismos Periféricos em Espanha. Sua Projecção Internacional.” Ed. Duarte Reis, 2002

sábado, julho 15

PURO PRAZER #239


Johnny Guitar

Vienna – Há cinco anos apaixonei-me por um homem. Não era bom nem mau, mas… eu amava-o. Quis casar com ele, ajudá-lo a construir um futuro.
Johnny – Mereciam ter sido felizes…
Vienna – Mas não foram. Separaram-se. Ele não se via “amarrado” a um lar.
Johnny – Felizmente ela foi esperta e livrou-se dele.
Vienna – Claro que foi. Aprendeu, daí em diante, a não se apaixonar por ninguém.
Johnny – Foi há tanto tempo…com certeza que, entretanto, na sua vida houve outros homens.
Vienna – Os suficientes.
Johnny – O que aconteceria se esse homem voltasse?
Vienna – Quando um fogo se apaga, o único que resta são as cinzas.
Johnny – Quantos homens já esqueceste?
Vienna – Tantos quantos as mulheres de quem te lembras.
Johnny – Não me deixes.
Vienna – Ainda aqui estou.
Johnny – Diz-me qualquer coisa bonita.
Vienna – O que queres que eu te diga?
Johnny – Mente-me. Diz-me que esperaste por mim todos estes anos.
Vienna – Todos estes anos esperei por ti.
Johnny – Diz-me que morrerias se eu não tivesse voltado.
Vienna – Tinha morrido se não tivesses voltado.
Johnny – Diz-me que me amas como sempre te amei.
Vienna – Amo-te como sempre me amaste.

sexta-feira, julho 14

quarta-feira, julho 12

CHÁ DAS CINCO #126

Dos dois concelhos felizes...
O fim-de-semana que passou pode assinalar-se como referência exemplar da realidade sociológica de Ponta Delgada. O Concelho dividido. O Concelho da malha urbana (o POVO da cidade) e o das freguesias (o POVO das freguesias). Se tradicionalmente constituíam as festas do Senhor Santo Cristo o momento para a «descida» do POVO das freguesias à Cidade, em que a cidade ficava por sua conta, os últimos anos, em especial por impulso da câmara municipal, algo mudou. Passaram-se a realizar um conjunto de eventos ditos populares no sentido de «devolver a cidade ao seu POVO». Nada contra esta partilha do espaço público, é saudável e desejável que a «descida à cidade» seja uma normalidade fora dos problemas de saúde ou da ida aos «serviços». A cidade é de todos e tudo o que esta oferece deve ser para todos. Ora o problema está aqui onde há um fosso que se vai agravando. O POVO das freguesias que desce à cidade não se mistura com o POVO da cidade nem acede aos espaços e eventos realizados para o POVO da cidade. E o POVO da cidade sai da cidade para não se misturar com o POVO das freguesias nem quer participar na festas preparadas pela cidade para o POVO das freguesias. Este fim-de-semana foi para os mais distraídos um fim-de-semana cheio. A dinâmica cultural da cidade de Ponta Delgada estabeleceu-se para ficar (graças a quem isso já são outros «quinhentos»…), entre públicos e privados podíamos escolher: exposições de pintura (Tomaz Borba Vieira, na Fonseca e Macedo, Mare Magnum, no Museu, e no Centro Municipal da Cultura) exposições de fotografia no Teatro Micaelense e na Casa das Artes, concertos Jorge Moyano no TM, o legado Sefardita no Museu, o concerto de apoio à AMI no Coliseu. Mas quem aí foi percebeu que o POVO, o «outro» POVO, estava orientado para a marginal e para a praça Gonçalo Velho. Que de novo se dividiu o que já estava dividido.
Em que medida se podia chamar este POVO para antes da coroação ver uma exposição que até era de acesso livre? Ou ouvir um concerto do Moyano, promovendo os espectáculos em espaços de acesso livre, em vez deste ir ver pela «enésima» vez a sua filarmónica? É que, como continuam a não convidar expressamente esse POVO, ou a facilitar-lhe o acesso, o POVO das freguesias não conhece nem esses palcos e espaços, nem o que lá há para oferecer. Nem os mais velhos nem, mais preocupantemente, os mais novos. Será que a solução é levar essa actividade cultural às freguesias? Mais facilmente iria o POVO da cidade às sopas e à massa sovada, sempre é comida e de graça. Há respostas que continuam por dar na sociedade micaelense. Talvez, até, seja cedo para responder pois só agora se pode dizer que há um roteiro cultural em Ponta Delgada. Mas olhando para outros que já por aí passaram e também não conseguiram encontrar respostas (ver Angra), se calhar é porque não as há e tudo isto é da natureza das coisas. Contudo, continua a parecer-me que, pelo menos, há um erro de concepção que persiste: o de se trabalhar para dois públicos alvo dando-lhes aquilo que eles pretensamente querem ver em vez de os procurar absorver naquilo que é possível oferecer…

domingo, julho 9

CHÁ QUENTE #209


No país das maravilhas não interessa se...

...Tóquio não exclui ataque preventivo à Coreia do Norte...

...morrem mais de quarenta pessoas num acidente na estação de metro de Jesus em Valência...

CHÁ DAS CINCO #125

"A cidadania europeia deve servir para garantir direitos e deveres específicos, nomeadamente de liberdade, equidade, solidariedade, segurança e a justiça, bem como o acesso aos serviços públicos de base a nível europeu. Para os cidadãos dos Açores, as vantagens da adesão ultrapassaram as liberdades do mercado, pelo que se torna prioritário abordar estas questões. Trata-se, afinal, da criação de um espaço onde as liberdades públicas e os direitos e deveres individuais continuam a evoluir, em paralelo com diversidades culturais que conservam a sua força e devem ser objecto de apoio e incentivo constantes. A diversidade cultural constitui o sustentáculo da unidade europeia. A Região deve, por conseguinte, potenciar os esforços da União e assegurar que a repartição e a acessibilidade dos benefícios da Europa sem fronteiras sejam uniformes e equitativas. Num modelo europeu de sociedade, os cidadãos esperam ter acesso a um nível adequado de serviços básicos tais como a saúde, a protecção civil e a igualdade de oportunidades. Para tal, será necessário, num quadro comum, dar pleno sentido à cidadania europeia..."
ESTRATÉGIA VI, no DI ou n' O Bule do Chá

segunda-feira, julho 3

PURO PRAZER #238


Vida
(A UNS POLÍTICOS)

Alexandre! Alexandre! és tu que choras
Não haver já mais mundo que conquistes…
E sais daqui, ó triste! sem ao menos
Ter olhado uma vez dentro em tua alma!
Alexandres inglórios! toda a terra
Acabou, onde a vista vos alcança!
Correis … correis … correis…atrás de um átomo…
E ides deixando, ao lado, os universos!

Mas vós não vedes nada disto! nada!
E quereis aos homens ensinar a vida?!

Odes Modernas, Antero de Quental

CHÁ QUENTE #208


A Câmara Municipal da Calheta decidiu cancelar a edição deste ano do Festival de Julho, marcado inicialmente para decorrer entre os dias 19 a 23.
...A edilidade explica porquê: “a situação económica e financeira que afecta as autarquias dos Açores, em especial as câmaras municipais que desenvolveram e ainda desenvolvem um esforço de investimento muito significativo em zonas de dupla insularidade, como é o nosso caso, é uma das razões que aconselham à tomada desta medida”.
Mas há também o esforço que a autarquia diz estar a fazer no sentido de cumprir o plano de recuperação financeira, e ainda as obras em curso no âmbito do III Quadro Comunitário de Apoio, entre as quais estão o Centro Cultural da Calheta, as estradas na Ribeira Seca e em Santo Antão - em fase de conclusão - e a construção do Campo de Jogos Municipal da Calheta, que será adjudicada em breve
...

NOTA: A Câmara Municipal da Calheta está a sentir na pele as consequências dos últimos anos, naturalemeete concordo com o recuo, mas analisando os investimentos propostos será que devia estar a gastar os seus fundos repetindo no seu concelho infra-estruturas que já existem no Concelho das Velas?

domingo, julho 2

É d'HOMEM #88

"...não nos podemos ficar por dizer ou escrever que as coisas estão mal, sem irmos pelo menos um pouco mais além. Desde logo convém dizer que o que está mal é a folclorização e a fossilização anacrónica da nossa própria vida em coisas impensáveis como currais de porcos (uma cereja em cima do bolo); a criação de guetos cuja função óbvio é a desgraça nas suas variadas vertentes (o próprio Bailão é um gueto sem sentido cujo nascimento anunciou o desnorte nas festas que se iria seguir); a substituição das célebres tascas por cantinas miseráveis; a insistência em rainhas, damas e damos de rir às gargalhadas; o desfilar penoso de dezenas de marchas até às tantas da manhã; os problemas colocadas ao trânsito antes, durante e depois das festas, que só arreliam toda a gente; a concentração aos molhos de coisas num determinado período de tempo, antecedido e precedido do marasmo costumeiro; a falta de um gosto e de uma cultura modernos em quase tudo o que é feito, tendo como contraponto uma espécie de cristalização do nosso viver colectivo num tempo ideal que ninguém sabe qual é – tal como ninguém sabe porquê, para que serve, etc. Enfim… E já nem o povo vai nessa miscelânea sem sentido. Pelo contrário, farta-se de falar mal, em coro – sem, no entanto, dar a cara ou o corpo ao manifesto, como, aliás, é muito típico destas gentes..."
Perceber os tempos, Armando Mendes

sábado, julho 1

CHÁ DAS CINCO #124

We like the Portuguese. We do. It is just we can't remember why we do. They are, we are told, our oldest ally, although no one can remember why or for how long. We like Portuguese wine, such as vihno verde and port. But no one can remember whether port should be passed to the left or right. Or what VSOP means.
We like their beaches and golf courses in the Algarve. We know Lisbon is one of the world's most beautiful cities but can't remember the name of a single street. We like the fact Portugal stopped being fascist, using carnations instead of guns but we can't remember when. (It was 1974).
We love the Portuguese, mostly because they are not Spanish. Or French. Or German. Or ...

CHÁ DAS CINCO #123


Premonições matinais!