Nesta semana comemoram-se os 25 anos de
dois pecados históricos da autonomia regional.
As elevações da Praia da Vitória (dia 20) e da Ribeira Grande (dia 29) ao estatuto de Cidade. Nenhuma delas, ao tempo, estava preparada para tal.
Nem uma nem outra tinham um lastro sócio-económico que lhes garantisse desenvolvimento a médio longo prazo. Foi uma decisão política e porventura teve custos. Não seria má ideia alguém fazer o estudo desse impacto, até porque gostaria de poder afirmar com mais segurança que os Açores estiveram a viver nos últimos 25 anos com uma cidade preparada para o século XIX (Angra) e outra para a segunda metade do século XX (Ponta Delgada), e 3 vilas (chamadas de cidades) ao nível da primeira metade do século XX (Horta, Praia da Vitória e Ribeira Grande).
Não deixa de ser curiosa a leitura dos preâmbulos do Decretos que agora se celebram. Para a Praia da Vitória o Decreto Regional n.º 7/81/A, de 20 de Junho, assegura-nos que:
Implantada junto da maior baía dos Açores, a Praia da Vitória sobreviveu a dois terramotos e testemunha hoje o desenvolvimento que a seu lado se processa, na decorrência de importantes instalações aeronáuticas e militares que na Base das Lajes têm o seu centro, com a conhecida projecção internacional.
As perspectivas do seu futuro passam pelo aproveitamento de importantes aptidões portuárias, já programado, que fará dela, possivelmente, o principal centro económico da ilha Terceira
Para a Ribeira Grande o Decreto Regional n.º 9/81/A, de 29 de Junho garante-nos que:
E a sua actividade económica é hoje acentuada por empreendimentos agrícolas modernos e pela primeira central geotérmica portuguesa.
A convergência destes dois factores desenha uma evolução a breve prazo que irá operar uma síntese entre novos centros geradores de energia - eléctrica e calorífica - e um plano de regas orientado para culturas intensivas. Paralelamente, as suas actividades industriais, comerciais e bancárias, em aberta expansão, asseguram o enquadramento de uma vida económica que cresce com segurança.
Mas tudo isso tem um lado positivo. Por um lado, confirma-nos que cidades, vilas ou freguesias não se fazem por decreto e, por outro, que, quer a Praia da Vitória quer a Ribeira Grande, sendo duas cidades por cumprir permitem que o que está feito não condicione o por fazer que já está planeado e diagnosticado. É por isso que penso que poderíamos celebrar estes 25 anos como aqueles que nos fazem descobrir que as cidades do século XXI estão a chegar porque nelas vivem e crescem novas gerações, mais bem preparadas, mais despertas, mais conscientes…e que estas cidades são, nos Açores, a Praia da Vitória e a Ribeira Grande, assim queira o seu povo, assim pensem e façam os seus líderes…