quinta-feira, maio 11

PURO PRAZER #228



The Fall of Icarus, Pieter Brueghel

Landscape with the Fall of Icarus
Paisagem com queda de Ícaro

According to Brueghel
when Icarus fell
it was spring

De acordo com Brueghel
quando Ícaro caiu
era primavera

a farmer was ploughing
his field
the whole pageantry

um lavrador arava
os seus campos
todo o esplendor

of the year was
awake tingling
with itself
do ano
formigava ali
à beira do mar
consigo mesmo
preocupado

sweating in the sun
that melted
the wings' wax

suando ao sol
que derretia
a cera das asas


unsignificantly
off the coast
there was
perto
da costa
houve
a splash quite unnoticed
this was
Icarus drowning

uma pancada quase imperceptível
era Ícaro
que se afogava


William Carlos Williams

terça-feira, maio 9

CHÁ DAS CINCO #114

Dia da Europa
(Democracia, Diálogo e Debate)

Denis de Rougemont

Hommage

Alors, que voulons-nous?
La puissance ou la liberté?
A ces deux finalités correspondent deux politiques différentes.


La réponse à la jeunesse du Monde entier, pour Denis de Rougemont, ne relève pas de l'économie et encore moins de la politique.
Elle exige la recréation de communautés vivantes et véritables.

Ce qu'il nous faut à tous, c'est une Europe qui ne serait pas nécessairement la plus puissante, mais ce coin de la planète, indispensable au monde de demain, où les hommes pourraient trouver non pas le plus de bonheur, peut-être, mais le plus de saveur, le plus de sens à la vie.

segunda-feira, maio 8

PURO PRAZER #227

Cantinho do Hooligan:

AAC/OAF

O Sócio n.º 5131 sofreu até à ultima gota de sangue


domingo, maio 7

É d'HOMEM #84

Diário Insular - O que podem os açorianos esperar do seu desempenho como Representante da República?
José António Mesquita - Rigor e empenhamento. Rigor no exercício das minhas competências constitucionais, sobretudo no domínio da análise da constitucionalidade e legalidade dos decretos legislativos e dos decretos regulamentares regionais. Mas rigor sem excessivo rigorismo, porque as regras conformadoras das competências legislativas e administrativas regionais têm que ser lidas à luz do princípio da autonomia regional que é, como se sabe, um princípio fundamental caracterizador do próprio Estado português, enquanto Estado unitário. Aliás, em Direito, os princípios servem precisamente para dar “abertura” às regras jurídicas, flexibilizar a sua interpretação e permitir a sua adaptação às novas realidades.
Por outro lado, empenhamento na defesa dos valores do Estado de Direito democrático e dos demais valores constitucionais, incluindo obviamente os valores da autonomia regional e local.
(…)
DI -
Actualmente, tendo a Autonomia, segundo alguns, ganho mais fôlego na última revisão constitucional, acha que faz sentido manter um Representante da República na Região?
JAM -
Sem dúvida. Esse novo fôlego da autonomia, resultante das modificações constitucionais operadas em 2004, é uma justificação acrescida para um cargo como o de Representante da República.
Se pensarmos que as competências legislativas se alargaram muito, dando mesmo um importante salto qualitativo, mais se justifica a existência de um cargo cujo núcleo de competências se centra na assinatura, veto e controlo da constitucionalidade e da legalidade dos diplomas dimanados da Assembleia Legislativa e do Governo Regional.
A tradição constitucional do Ocidente assenta, precisamente, nesta lógica de balanceamento de poderes.
(…)
DI - Entende que, além das competências de verificação da legislação produzida no arquipélago, o Representante da República pode, através da influência inerente ao cargo, incentivar outras acções? Quais?
JAM - Parece-me que sim, embora seja talvez um pouco cedo para dizer quais poderão vir a ser essas acções. De momento, apenas posso garantir que, no respectivo delineamento,
procurarei sempre respeitar escrupulosamente as esferas de actuação dos órgãos de governo próprio da Região.

NOTA: Uma entrevista cautelosa e respondida com regra e esquadro. A perspectiva político-jurídica parece correcta mas, como o Veto continua lá, este sublinhar do balanceamento de poderes é, de facto, a novidade interpretativa. Aguardemos...

sábado, maio 6

CHÁ DAS CINCO #113

Isto é muito grave! Então querem ver que o Presidente da República também mentiu durante a campanha eleitoral? Querem ver que agora confessa a sua impossibilidade para inverter o rumo do país? Já ninguém se exalta? Já ninguém sobe ao palanque e diz que foi enganado? Claro que não! A manchete é outra, os jornais e as tvs preferem fazer alarde do não assunto: do cansaço do MNE após 12 horas de trabalho diário ou o exercício de estilo que é o congresso do CDS/PP. Mas lá está, preto no branco, no cantinho superior esquerdo do semanário de referência: "Cavaco Silva acredita que a situação económica do país está «condenada» até 2010, não sendo certo que, apesar de tudo, «melhore» nos anos logo a seguir". Mas como eu não percebo nada disto, aguardo serenamente pelas «luminárias da praça»...

PURO PRAZER #226


Aurora

Sábado
18h
CCCAH

Recorrendo às palavras de Truffaut
"O mais belo filme da história do cinema"

sexta-feira, maio 5

CHÁ DAS CINCO #112


Maternidade, Gauguin

Parece que o país urbano «caiu na real» com a chegada das primeiras famílias oriundas do Brasil com que a Câmara Municipal de Vila de Rei pretende inverter a tendência de desertificação do concelho. Mas só o país das cidades é que ainda não se deu conta do que está a acontecer no país das aldeias, até porque só por lá passa nas excursões do Inatel. Carrazeda de Ansiães dá 7500 euros para o terceiro filho. Alfândega da Fé subsidia casamentos, a compra de habitação a custos controlados e oferece refeições, transporte e os livros escolares até ao 9.º ano, etc ... conforme muitos outros exemplos que o Público nos traz.
Há dias o Governo português anunciou que vai aumentar o período de concessão dos subsídios de maternidade e paternidade a partir do segundo filho e com um acréscimo adicional a partir do terceiro. O documento também inclui a diferenciação da contribuição paga pelos trabalhadores em função do número de filhos, que, de início, será feita apenas para os trabalhadores mais jovens.
Medidas de pobres para um país pobre? Na Alemanha o Elterngeld, anunciado esta semana, será pago durante 12 meses podendo ser estendido a 14 se o pai ficar pelo menos 2 meses em casa a cuidar da criança. Equivalerá mensalmente a 67% do último salário líquido auferido com o tecto máximo de 1800 euros. Famílias monoparentais e desempregados receberão 300 mensais.
Por cá acho que poderíamos fazer um mix do plano Merkel com o de Vila de Rei e de Alfândega da Fé, com uma diferença: em vez de brasileiros de Maringá, tragam as ucranianas. Chamem-me tolo…

quinta-feira, maio 4

CHÁ DAS CINCO #111


Pequena Tourada, Picasso

A ligação da Universidade do Minho ao tecido empresarial existe desde a fundação. Tem como missão ajudar ao desenvolvimento da envolvente sócio-económica e envolver-se em iniciativas que preservem a identidade da região. A UM tem aprofundado a forma como cumpre esta missão desde logo através da obrigatoriedade de, em todos os seus cursos, a componente curricular contemplar a realização de estágios que facilitam o contacto com as empresas. Estes contactos acabaram por evoluir para a criação de centros tecnológicos temáticos e centros de investigação que começaram a servir de interface a actividades sectoriais externas e que servira de trampolim para a geração de novas empresas. Daqui, à constatação de que toda a região sairia beneficiada com a criação de clusters sectoriais que dinamizem a economia regional é um passo muito curto. Cabe à UM a criação de plataformas virtuais que agrupem tecnologias transversais de aplicação de largo espectro, como tecnologias de comunicação e informação, as biotecnologias e as nano tecnologias, as tecnologias multimédia. Entretanto, no Hawai e na Austrália a aquacultura chega ao mar alto. As novas tecnologias permitem a criação em profundidade e ao largo de peixes altamente valorados no mercado e fazem descansar as preocupações ambientais. Temos ainda que a Costa Rica é a campeã da alta tecnologia. O que seduz os investidores são os baixos custos, a mão-obra instruída e bilingue, a estabilidade política, os generosos benefícios fiscais e a posição geográfica do país. Por cá, com a chegada do Dia do Trabalhador, ironia das ironias, chegam também as touradas à corda aos arraiais espalhados por todos os cantos das 30 freguesias da ilha Terceira. Com isto é que o Michael Porter não contava...

quarta-feira, maio 3

CHÁ QUENTE #185

"Regra geral, as estruturas partidárias raramente discutem ideias, apenas lugares, não estudam, não questionam a política do Governo ou do partido, não preparam propostas para resolver problemas, não se abrem aos cidadãos sem partido, ou às empresas, ou às universidades. Um dos instrumentos fundamentais para a acção política passa pelo estudo. A arte de bem governar passa pela preparação das políticas, pela formação, pelo contacto internacional permanente. Para os partidos mobilizarem a sociedade têm de manter laços estreitos com os cidadãos militantes e não militantes. A sociedade em rede que se vai estendendo não tem nos partidos políticos entrepostos interessantes de informação."
Partidos, António José Teixeira

"Desde meados dos anos 80, por todo o mundo ocidental, o aumento da insatisfação com os partidos existentes levou a novidades no plano político, como seja o surgimento de partidos novos, à esquerda e à direita; de partidos a defender clivagens novas ou que tinham estado adormecidas, nomeadamente partidos regionalistas, partidos verdes, partidos eurocépticos. Levou a novas formas de intervir politicamente; levou a novas formas de distribuição de poder, como seja a regionalização.
Todos estes fenómenos aconteceram porque grupos de cidadãos se juntaram e conseguiram cativar outros
."
O antipartidarismo alienado, Marina Costa Lobo

NOTA: Sobre esta matéria já escrevi algumas linhas, quiçá demasiadas, em tão pouco tempo. Como se perderam oportunidades na revisão constitucional de 2004, relativamente aos partidos regionais, ou na revisão eleitoral, relativamente às candidaturas de cidadãos à Assembleia Legislativa, caminho que dificilmente sofrerá arrepio, resta-me esperar por 2009-2010. Até lá olhemos as soluções fora do centro esquerda político (PS/A e PSD/A). Um Partido Democrático do Atlântico que não aproveita o definhar autonómico do PSD/A, um BE que teima em não ter um discurso para a Região, um CDS/PP que se apaga por que viveu do brilho no espelho do ex-líder Portas, um PCP a quem falta palco e liderança que o façam sair da cidade da Horta. Demasiado mau para ser verdade ... e como não oiço os sinos a rebate aguardarei pelos toques de finados!Paz às suas almas...

terça-feira, maio 2

OXIDANTE #1


Angra do Heroísmo, a melhor esplanada da cidade continua por abrir.
Porquê? Porquê? Porquê? Porquê...
Expliquem-me como se eu fosse uma criança de 4 anos...

segunda-feira, abril 24

CHÁ QUENTE #184


Jean-Marie Colombani
Director do «Le Monde»

O futuro é a Internet
(Excertos da entrevista o Expresso - Revista Actual)
Expresso - A imprensa está em vias de extinção?
JMC -Não é uma coisa do passado mas vai ter de aprender a viajar de diferentes maneiras. Aliás, já começa a aprender: tivemos o suporte de papel, amanhã o suporte – ecrã ou o suporte-papel, mas sob a forma de fotocópia em casa de cada um. Haverá várias maneiras de fazer viajar a informação.
(…)
E. -
Como se concilia a necessidade de exigência com a precaridade crescente e a lógica do lucro das empresas, que conduz ao abaixamento da qualidade?
JMC -
(…) O problema da precaridade é (…) um movimento geral da economia e não exclusivamente da imprensa, um fenómeno geral, mais vincado nuns sectores que noutros. Claro que não se fazem jornais de qualidade dessa maneira. Esses fazem-se com jornalistas que conhecem as suas áreas, com um certo grau de tempo de experiência, que progridem, porque adquirem um conhecimento e um talento que se vai forjando com o tempo.
(…)
E.-
Há défice de crítica nos jornais?
JMC -
Há um défice de autocrítica, de autocontrolo e de humildade, sobretudo. As derrapagens acontecem quando os jornalistas deixam de ser modestos face aos factos. Ora, os jornalistas existem para expor os factos antes de mais nada. Quando perdem essa noção e se empenham em combates pessoais ou políticos, as derivas podem acontecer. Esses incidentes traduzem antes de mais o facto de os jornais estarem num período de grande incerteza e interrogação sobre o próprio futuro do jornalismo, e a resposta por vezes é dada sob a forma de uma corrida desenfreada ao espectacular, o que é uma maneira de se extraviarem. É um sintoma de um problema mais geral, da transição que estamos a viver. E não temos outra resposta que não seja o autocontrolo, as regras internas, a vigilância, a ética profissional.
E. – A Internet também ameaça os jornalistas de extinção?
JMC - Já estão ameaçados pelas perturbações actuais.
O jornalismo já não tem o monopólio do jornalismo. E quem não perceber isso, morre, porque não saberá adaptar-se e não se transformará de forma a justificar de novo o seu trabalho.

As incertezas de Colombani
Chegou a altura em que as empresas de comunicação vão ter de responder à questão elementar, diz Colombani – Qual é o seu trabalho? Comprar papel ao mais baixo preço possível, pôr-lhe tinta e vender mais caro? (…) Ou fazer apenas informação, indiferente aos meios em que ela «viaja»?
Saber responder a essa pergunta vai ser crucial para o futuro das empresas de «media». Até agora, os órgãos de comunicação social viviam à custa do monopólio de informação pelos jornalistas. Mas eles perderam-no para os cidadãos, que com o desenvolvimento da Internet têm a impressão de ser melhor informados do que passando pelo canal do «media». Na net, dizia o director do «Le Monde», «as pessoas passeiam, escrevem, trocam dados e não precisam do jornalista, nem da televisão, nem da rádio, nem dos jornais».
Ora se os cidadãos se apoderam da informação, o que resta ao jornalista? Quando, ainda para mais, a opinião pública se comporta perante os jornais e jornalistas como estes face ao poder, isto é, desconfiando e criticando?
(…)
Para ele, que não tem receitas, é esta a palavra mágica, o ponto definitivamente assente e do qual depende a continuação dos jornais e do jornalismo: qualidade. E rigor e exigência. De modo a que se continue a valer a pena comprar um jornal. Seja sob que forma for que ele continue a existir, no papel, na net, ou tal como se anuncia já, como produto final de uma mera impressora caseira.


Cristalino! Mas, duvido que seja desta que os «iluminados da praça» concedam. Contudo, a partir de agora teremos a certeza de que só não o fazem por ignorância, mas por má-fé!Vão pensando nisso...até já!

domingo, abril 23

PURO PRAZER #225


Poemas em prosa
Oscar Wilde

O BENFEITOR
(…)
Quando atravessou o salão de calcedónia e o salão de jaspe e chegou ao grande salão de festas, viu estendido num sofá cor de algas vermelhas alguém cujo cabelo estava coroado por rosas rubras e cujos lábios estavam vermelhos de vinho.
Ele foi por detrás, tocou-lhe no ombro e disse-lhe: «Porque vives desta maneira?»
E o jovem virou-se e reconheceu-O. Pensou um pouco e disse-Lhe: «Mas eu estive leproso em tempos e tu curaste-me. De que outra maneira hei-de viver?»
Ele abandonou a casa e voltou novamente para a rua.
Passado um bocado avistou uma mulher cuja face e o vestuário estavam pintados e que trazia os pés ajaezados a pérolas.
E, por detrás dela, vinha furtivo como um caçador, um homem jovem que vestia um manto com duas cores. Nesse preciso instante a face da mulher era clara e honesta, como a de uma deusa, mas os olhos do jovem estavam cobertos de luxúria.
Então Ele correu rapidamente e tocou a mão do jovem e disse-lhe: «Porque estás a olhar para essa mulher dessa maneira?»
O rapaz virou-se e reconheceu-O. E disse: «Mas eu fui cego em tempos e tu deste-me a vista. Para que outra coisas deveria olhar?»
Ele correu para a mulher e tocou-lhe no vestuário pintado e disse-lhe: «Não existe outro caminho que não seja o caminho do pecado?»
A mulher virou-se e reconheceu-O. Riu e disse: «Mas tu perdoaste-me os pecados e este caminho é um caminho agradável.»
Ele saiu da cidade.
E quando saiu de lá, avistou, na beira da estrada, um outro jovem que estava a chorar.
Ele caminhou na sua direcção e tocando-lhe nas longas madeixas de cabelo perguntou-lhe: «Porque choras?»
E o rapaz olhou para cima e reconheceu-O. Pensando um instante, respondeu-lhe: «Mas eu estive morto em tempos e tu tiraste-me da morte. Que mais posso fazer do que chorar?»

CHÁ COM TORRADAS #120

Através de uma abordagem pró-activa a União Europeia pretendeu com a Estratégia de Lisboa transformar a necessidade de protecção do ambiente e de coesão social em oportunidades de inovação, crescimento e emprego. Para tanto, definiu as alterações estruturais a introduzir nas economias e sociedades e elaborou um programa positivo de orientação deste processo de transformação para a melhoria da qualidade de vida de todos os cidadãos. Esta visão confirmou a natureza tridimensional inerente ao desenvolvimento sustentável, enquanto pedra angular de uma estratégia a médio/longo prazo, ou seja, aquele objectivo só pode ser atingido se conseguirmos conjugar crescimento económico, inclusão social e protecção do ambiente. O futuro da Região terá de ser considerado neste contexto global...

ESTRATÉGIA (I) , como sempre no DI ou n' O Bule do Chá.

sábado, abril 22

CHÁ QUENTE #183


Boletim Económico
- Primavera de 2006 -

Olivier Blanchard (via Aguiar-Conraria)
«...mesmo com reformas dramáticas, o crescimento da produtividade não acontece de um dia para o outro. Por isso, um outro meio, potencialmente mais rápido no restabelecimento da competitividade, é a diminuição do crescimento dos salários nominais, ou mesmo, dadas as circunstâncias, a diminuição dos salários nominais - se não se quiser apoiar no desemprego para conseguir o mesmo efeito ao longo do tempo. Existem outros meios? A resposta, basicamente, é: não existem
"Adjustment within the Euro. The Difficult Case of Portugal"
(ou)
«...é necessário regressar a um contrato único, mas a um contrato progressivo, um contrato que dê aos trabalhadores maior protecção à medida que fiquem na empresa. A palavra essencial é "progressivo". O que é necessário evitar, aquilo que aprisiona o sistema actual, é o efeito de "fronteira" [effet de seuil], que se produz no final dos contratos CDD. Num contrato progressivo, os direitos do empregado aumentam lentamente com o tempo: não existe o dia fatídico em que se tem de saltar de um contrato para o outro
"Emploi: la solution passe par le CUP (contrat unique progressif)"

NOTA: Lembro-me de pelo ano de 2001, numa mesa de amigos, ter sublinhado a necessidade da diminuição dos salários nominais (além da introdução dos contratos de trabalho) na função pública portuguesa. Quase fui linchado. Tal como então continuo a pensar que, não havendo rescisões, não há outro caminho...

sexta-feira, abril 21

CHÁ DAS CINCO #110

Da paz podre, ou como afinal «ainda mexe»...

"Berta Cabral tem muito peso em Ponta Delgada...
E não só em Ponta Delgada. No resto da ilha também. Berta Cabral extravasou o concelho e a ilha. É uma pessoa conceituada a nível regional.
O que nos leva novamente às eleições regionais. Há quem defenda que César avança se Berta Cabral for a candidata do PSD porque será o único com hipóteses de a derrotar...
Aquilo que disse para a Câmara de Ponta Delgada aplica-se para as eleições regionais. Se Carlos César se recandidatar, o PSD terá que apresentar um candidato forte, o qual poderá ser, eventualmente, o actual líder. Costa Neves tem um brilhante palmarés político. Mas não sei se daqui a três anos ele será o líder do PSD. Poderá haver uma terceira via, apesar de não falar de ninguém em concreto..."
Dionísio Leite, 7.04.2006

“….é necessário olhar "para a política como um serviço. Costa Neves tem o mérito de se predispor ao serviço da política, ao contrário de outros que se refugiam e escondem à espera de melhores tempos para saírem com vitórias eleitorais. Esta postura mais não é do que um erro, uma vez que quem escolhe o tempo são os cidadãos e a própria vida democrática." … "se existem figuras no PSD que se estão a guardar para melhores alturas, penso que estão a perder a oportunidade de servirem a democracia e que, mais tarde, poderão vir a arrepender-se", terminando referindo que "alguns militantes não podem pensar que pelo simples facto de não terem sido candidatos em actos eleitorais dos quais os seus partidos saíram derrotados, não foram também derrotados"
Clélio Meneses, 21.04.2006

Natalino cria movimento de CIDADANIA constituído por personalidades do meio político, social, empresarial e cultural, o movimento associativo, “Açores – Século XXI” tem por finalidade contribuir para a reflexão e discussão das problemáticas sociais, económicas e políticas relativas ao desenvolvimento da Região Autónoma dos Açores.
Jornaldiário, 21.04.2006

NOTA: Um movimento de cidadania (teremos um think thank?) é sempre bem vindo, mesmo que seja com intuitos político-partidários! Espero nele nasçam mais proposituras e menos diagnósticos. Já agora, não havia por aí outro movimento? Pois, haver havia! Procura-se Dr. Sá Couto...

quinta-feira, abril 20

CHÁ QUENTE #182

Do oxigénio e da falta dele ou como isto é demasiado mau para deixar passar
Pedem oxigénio para respirar. Vegetam. Estive a semana à espera da conferência de imprensa costumeira. Ela surge, infalivelmente, eles falham. Contradizem o que aprovaram. Aparecer é o mote. Tal como em 2000-2004. E mais uma vez falham! Aliás andaram a falhar toda a semana, na tv, nos jornais. Eu compreendo que seja difícil fazer uma oposição por falta de acesso a algumas fontes. Mas a outras não. Na Assembleia atrapalham-se e atropelam os outros! Não ajudam, não fazem nem deixam fazer! E a fiscalização política? E a propositura? E a alternativa? E as ideias? Nada vezes nada! Nada! Vegetam! Nenhum contributo palpável para um assunto estruturante para os Açores e que vai atravessar 3 legislaturas. Nem com um líder ex-deputado europeu, nem com um líder ex-secretário de estado para os assuntos europeus, nem com um vice-presidente eurodeputado. Nada de conteúdos, insistem nos procedimentos, na forma. Os formalistas sem substância, ou a substância do formalismo. Desde 2000 que na Europa não se fala de outra coisa: Estratégia. Lisboa, Gotemburgo, as revisões da Comissão Barroso, perspectivas financeiras 2007-2013, etc , está tudo na net e eles outra vez nada. O buraco negro, está lá mas.... nada! Porque devia ser assim e devia ser assado. Desobriga? E Estratégia? Ah, simples = 1/3 para infra-estruturas + outro 1/3 para empresas e + outro 1/3 para inovação. Simples, demasiado simples, oxidado e … perigoso! Por favor, peçam oxigénio para pensar!!!

CHÁ QUENTE #181

Aviso à navegação
(ou como o «efeito mancha de óleo» é fatal)

Principais Processos de Degradação do Óleo no Mar
Expansão na superfície: é um dos processos mais significativos durante os primeiros estágios de um derrame. A principal força atuante na expansão inicial do óleo é seu peso. Um grande derrame instantâneo irá, portanto, expandir mais rapidamente que uma descarga lenta. Esse efeito da gravidade é rapidamente substituído pelos efeitos da tensão superficial. O óleo se estende rapidamente sobre a superfície da água graças a ação combinada da gravidade e da diferença entre a tensão superficial da água e do petróleo. Durante os primeiros estágios, o óleo se expande como uma mancha coesa e sua velocidade também é influenciada por sua viscosidade. Um óleo de alta viscosidade se expande vagarosamente e, se estiver a uma temperatura abaixo de seu ponto de fluidez, não haverá expansão.

Nota: hoje não estou a falar dos blogues, mas podia...

CHÁ QUENTE #180

América entre o real e a ficção mas sempre no nosso ecrã. Depois de Geena Davis a fazer o papel de Presidente do EUA (a série não parece má se descontarmos os momentos soap do costume) será coincidência que na semana em que vai receber o presidente chinês Jintao, a superpotência emergente, Bush faz uma limpeza no seu Gabinete? Não me parece, até porque é isto que vai fazer com que as primeiras páginas dos jornais de referência (ver WPost, LATimes, o NYTimes) se encham de …Bush e não de questões sobre a predominância económica mundial dos EUA

Anyway, deste lado do atlântico alguns «brits» não estão com meias palavras

America meets the new superpower
ou então

… todos diferentes, todos iguais à procura uma boa primeira página?

terça-feira, abril 18

CHÁ QUENTE #179

Cherchez la femme (2) ou, pelo menos nas coisas do género, o sexo importa.
Esta não é matéria nova no Chá Verde nem pretendo dela arrepiar caminho ou colocar ponto final. Aliás cada vez mais se aborda a importância e o papel político, social e económico das mulheres na sociedade contemporânea. No entanto os ânimos exaltam-se quando se fala em introduzir instrumentos políticos que assegurem essa relevância. Os últimos 6 anos da minha vida profissional obrigaram-me a acompanhar as actividades da assembleia legislativa em permanência. Tenho pois o privilégio (ou azar para outros) de assistir, de forma mais ou menos desprendida, à maioria dos trabalhos, debates e intervenções parlamentares. Posso, assim, dizer, com algum grau de certeza, que a qualidade perpassa na maioria das intervenções parlamentares femininas (seja pela actualidade e importância dos temas, pelo cuidado e sensibilidade do trabalho, pela novas perspectivas de debate que abrem) e essa qualidade é proporcionalmente inversa à da das respostas ou questões que os seus colegas homens são capazes de trazer ou iniciar (a maioria por desconhecimento ou deficiente «formatação»).
Quero aqui esclarecer que falo de mulheres políticas que querem ser mulheres na política e não mulheres que querem ser como os homens da política – a diferença é como do dia para a noite mas isto agora não é para aqui chamado (mas aqui já foi aflorado). O que me interessa dizer é que não tem sido lembrado que a questão das quotas é instrumental naquelas que são as políticas mundiais do género. Por exemplo o «Roteiro para a igualdade entre homens e mulheres 2006-2010» define seis áreas de intervenção prioritárias da UE em matéria de igualdade entre homens e mulheres para o período 2006-2010: independência económica; conciliação da vida profissional e familiar; representação equitativa na tomada de decisões; erradicação de todas as formas de violência em razão do sexo; eliminação dos estereótipos de género; e promoção da igualdade entre homens e mulheres nas políticas externa e de desenvolvimento.
Está claro que o papel da mulher a nível mundial obriga a uma intervenção pública política, social e economicamente integrada. A meu favor tenho, outra vez, a The Economist: “… Governments, too, should embrace the potential of women. Women complain (rightly) of centuries of exploitation. Yet, to an economist, women are not exploited enough: they are the world's most under-utilised resource; getting more of them into work is part of the solution to many economic woes, including shrinking populations and poverty…” ou então “…It seems that if higher female labour participation is supported by the right policies, it need not reduce fertility. To make full use of their national pools of female talent, governments need to remove obstacles that make it hard for women to combine work with having children. This may mean offering parental leave and child care, allowing more flexible working hours, and reforming tax and social-security systems that create disincentives for women to work…”
Os Açores cresceram nos últimos 10 anos ao nível da sua população activa feminina mas também ao nível da sua instrução. Quer isto significar que o potencial humano de conhecimento e de trabalho qualificado das mulheres na Região continua a ter margem de progressão e deve ser uma aposta segura. Aliás será tanto mais segura a sua aposta quanto só assim estarão conseguidos os requisitos indispensáveis para que as economias e demografias mais debilitadas das nossas ilhas da coesão tenham futuro. Apostar no feminino é apostar certo. As políticas, até agora, exclusivamente, assistencialistas de protecção do género não têm outro caminho que serem substituídas por políticas integradas de potenciação do género.
Podíamos agora teorizar com Simone de Beauvoir que «nenhum fatalismo biológico, psicológico ou económico determina a figura que o ser feminino possui na sociedade; é a civilização no seu conjunto que determina essa criatura» mas isso pode ficar para estas senhoras, neste momento interessa-me mais que nesta matéria, como em tudo o mais, possamos e devamos ir mais longe: seja, incentivando a maternidade, facilitando a empregabilidade mas sobretudo a formação e o empreendedorismo; seja, avançando com a paridade nas listas para a assembleia legislativa (50% homens/mulheres).
Entretanto, como o mundo é «giro» e gira, depois de Bachelet, Alonen e Timochenko é capaz de sair uma Ségolène Royal na roleta gauloise. Ce sont les temps qui changent…

CHÁ COM TORRADAS #119

Luminária, s. pessoa que faz luz sobre um determinado assunto - como um editor, quando não escreve sobre esse assunto.

In Dicionário do Diabo, Ambrose Bierce. Ed. Tinta da China, 2006.