Ascent, Bernardo Sassetti
Beyond The Sound Barrier, Wayne Shorter
Próxima encomenda:
Coincidences, Stephan Oliva
Solo 2, Baptiste Trotignon
Something Like Now, Moutin Reunion Quartet
Vitorino Nemésio
CABEÇA DE BOGA
"...Fazia um luar como dia, um luar mexido e sonoro da massa do mar. O quintal era grande, com couves tronchas e, ao fundo, um cedro das Bermudas. Conversámos para ali...: o Francisco da Segunda caía no banho de pranchada: comecei a teimar que o Tiàzé ia mais longe a nado; e o Abílio: que o Estoiro é que era o campeão de braçada e o que aguentava mais tempo debaixo de água e vinha à tona sem se cuspir. De saudade em saudade falámos de tudo: da Escola e das caneiras. O Abílio teve vontade de aliviar ("ir acima dos pés" - dizia-se lá na ilha). Para não perdermos conversa, arriou ali mesmo, numa cova ao pé do cedro.
- E sempre queres que eu seja teu compadre, Abílio?
Ele limpou-se a uma mancheia de folhas de erva-limão e disse-me com um ar mais murcho do que triste:
- A Lucinda deixou-me quando tive o suficiente ..."
(um projecto exemplar)

(Coerência é um passo decisivo no sentido da credibilidade. Os meus parabéns à JS/A na pessoa do seu jovem líder)
Diário Insular – Nos últimos anos, Angra tentou colocar-se no xadrez regional como capital da cultura. Foram criadas várias infra-estruturas no concelho para esse fim, mas, nos últimos tempos, a abertura de dois espaços culturais em Ponta Delgada parece ameaçar esse lugar. Como será possível consolidar esse posicionamento – com evidentes benefícios para o turismo – contrariando a tendência centralizadora de São Miguel?
José Pedro Cardoso – A nossa grande diferença em relação a Ponta Delgada é que enquanto lá se compra por catálogo, aqui não só trazemos eventos como criamos e construímos cultura. Fazemo-lo, primeiro, para nosso proveito e, segundo, entrando em parcerias com outros. Ou seja, quando, por exemplo, fazemos um Festival de Teatro, fazemo-lo com a convicção de que temos de dar espaço a quem cria dentro de portas. Isso é fundamental. Isto é, criamos contando com o nosso potencial interno e em parceria com o exterior, chamando nosso ao resultado final. As Sanjoaninas são outro exemplo dessa forma de fazer: 80 por cento da festa é feita com a prata da casa, sendo a restante parte oriunda do exterior, que vem enriquecer a nossa produção. No fundo, não nos limitamos a comprar, atravemo-nos a criar e a construir.
(...)
DI – Mas Angra perdeu ou não peso em relação a Ponta Delgada?
JPC – Acho que não. O poder de uma terra sobre outra expressa em coisas muito simples. Por exemplo, a cidade de Ponta Delgada, para aparecer nos meios de comunicação social, teve de copiar o que Angra fez. Copiar o que está bem feito não é pecado. Plagiar e transformar como se fosse uma bandeira própria não é crime punível por lei, mas desagrada-me ver. Sinto que esta cidade tem sido plagiada e que o reconhecimento recai sobre quem plagia e não sobre que cria. Mas Angra continua a ser uma cidade e um concelho onde as pessoas pensam mais, onde há maior troca de informação e de experiências. Isso permite que esta ilha seja mais rica, mais viva. Por tudo isso, julgo que a Terceira continua a dar cartas na Região em termos de saber dizer e de saber fazer.
(E quem fala assim não é gago...é terceirense!)
(...curiosamente o próximo artigo, já no prelo, é sobre finanças regionais...)
Em som de fundo "The Love Life of the Octopus".
Não sei porquê mas pareceu-me adequado!
(Com um Abraço de Muito Obrigado ao André)
(Com dedicatória aos Homens do :Ilhas. O nosso «fermento» blogosférico!Parabéns aos 5x2anos!)
(...será que a «Pátria do Poeta» não é a «minha Pátria»?)
(Entretanto, o Chá Verde ficou muito feliz por Portugal ter, finalmente, feito isto. Bom fim-de-semana)
you are welcome to elsinore
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinore
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
© Pena Capital. Mário Cesariny, 1957
(Esta é a única abordagem que o Chá Verde se sente capaz de fazer às Presidenciais, ficando a aguardar, serenamente, os manifestos deste e deste senhor para poder manifestar publicamente as suas conclusões)



Mui Atenciosamente,
Guilherme Tavares Marinho
A ler:
Rescaldos, por Nuno Mendes
Intrigas Micaelenses, por Tomaz Dentinho (Açoriano Oriental de hoje)
Nota sobre nada, editorial do Diário Insular de hoje
