quarta-feira, novembro 16

PURO PRAZER #179

Sob escuta:

Ascent, Bernardo Sassetti


Beyond The Sound Barrier, Wayne Shorter

Próxima encomenda:

Coincidences, Stephan Oliva


Solo 2, Baptiste Trotignon


Something Like Now, Moutin Reunion Quartet

terça-feira, novembro 15

PURO PRAZER #178

Vitorino Nemésio
CABEÇA DE BOGA

"...Fazia um luar como dia, um luar mexido e sonoro da massa do mar. O quintal era grande, com couves tronchas e, ao fundo, um cedro das Bermudas. Conversámos para ali...: o Francisco da Segunda caía no banho de pranchada: comecei a teimar que o Tiàzé ia mais longe a nado; e o Abílio: que o Estoiro é que era o campeão de braçada e o que aguentava mais tempo debaixo de água e vinha à tona sem se cuspir. De saudade em saudade falámos de tudo: da Escola e das caneiras. O Abílio teve vontade de aliviar ("ir acima dos pés" - dizia-se lá na ilha). Para não perdermos conversa, arriou ali mesmo, numa cova ao pé do cedro.
- E sempre queres que eu seja teu compadre, Abílio?
Ele limpou-se a uma mancheia de folhas de erva-limão e disse-me com um ar mais murcho do que triste:
- A Lucinda deixou-me quando tive o suficiente ..."

Na Biblioteca online do conto

(um projecto exemplar)

CHÁ QUENTE #124


Hoje há um ano, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores tomava posse para a sua VIII Legislatura. De então para cá podemos contabilizar as seguintes iniciativas de origem parlamentar:
5 Anteproposta de Lei
1 Projecto de Decreto Legislativo Regional
23 Proposta de Resolução
73 Requerimentos
43 Votos
128 Intervenções em Plenário

Pelos dados que possuo, e que são públicos, trata-se, em 30 anos de autonomia, do ano menos profícuo em termos de iniciativas legislativas da responsabilidade dos grupos parlamentares. Bem sei que o trabalho parlamentar não se esgota aí mas querem continuar a dizer que tudo está bem?

segunda-feira, novembro 14

PURO PRAZER #177


Pierrot le fou

Camille : - Tu vois mes pieds dans la glace ?
Paul : - Oui.
Camille : - Tu les trouves jolis ?
Paul : - Oui, très.
Camille : - Et me chevilles, tu les aimes ?
Paul : - Oui.
Camille : - Tu les aimes mes genoux, aussi ?
Paul : - Oui, j'aime beaucoup tes genoux.
Camille : - Et mes cuisses ?
Paul : - Aussi.
Camille : - Tu vois mon derrière dans la glace ?
Paul : - Oui.
Camille : - Tu les trouves jolies mes fesses ?
Paul : - Oui... très.
Camille : - Et mes seins, tu les aimes ?
Paul : - Oui, énormément.
Camille : Qu'est-ce que tu préfères : mes seins, ou la pointe de mes seins ?
Paul : - J'sais pas. C'est pareil.
Camille : - Et mes épaules, tu les aimes ?
Paul : - Oui.
Camille : - Moi j'trouve qu'elles sont pas assez rondes... Et mes bras ?
Paul : - Oui.
Camille : - Et mon visage ?
Paul : - Aussi.
Camille : - Tout ? Ma bouche, mes yeux, mon nez, mes oreilles ?
Paul : - Oui, tout.
Camille : - Donc tu m'aimes totalement !
Paul : - Oui. Je t'aime totalement, tendrement, tragiquement.
Camille : - Moi aussi, Paul.

É d'HOMEM #60

"...A qualidade da democracia deve, por isso, também começar na própria estruturação dos partidos políticos. No próximo fim-de-semana, o Partido Socialista/Açores tem já uma oportunidade de dar um sinal claro de que está aberto aos tempos de mudança. Pode começar já por aprovar, em congresso, a proposta da Juventude Socialista que viabiliza a eleição directa do presidente do PS por voto secreto dos militantes..."

Directas, por Nuno Tomé

(Coerência é um passo decisivo no sentido da credibilidade. Os meus parabéns à JS/A na pessoa do seu jovem líder)

domingo, novembro 13

CHÁ DAS CINCO #85

"...A acção exterior regional, em geral, e a participação na política comunitária, em particular, devem ser, pois, interpretadas, fundamentalmente, como uma melhoria no exercício da gestão pública. Essas palavras não perderam actualidade e, vendo reforçada a sua acuidade, tornam a sua previsão em sede de Estatuto Político-Administrativo incontornável..."

JANELAS ALTAS (IX), Para uma revisão estatutária. (também no Diário Insular de hoje)

É d'HOMEM #59


Diário Insular Nos últimos anos, Angra tentou colocar-se no xadrez regional como capital da cultura. Foram criadas várias infra-estruturas no concelho para esse fim, mas, nos últimos tempos, a abertura de dois espaços culturais em Ponta Delgada parece ameaçar esse lugar. Como será possível consolidar esse posicionamento – com evidentes benefícios para o turismo – contrariando a tendência centralizadora de São Miguel?
José Pedro CardosoA nossa grande diferença em relação a Ponta Delgada é que enquanto lá se compra por catálogo, aqui não só trazemos eventos como criamos e construímos cultura. Fazemo-lo, primeiro, para nosso proveito e, segundo, entrando em parcerias com outros. Ou seja, quando, por exemplo, fazemos um Festival de Teatro, fazemo-lo com a convicção de que temos de dar espaço a quem cria dentro de portas. Isso é fundamental. Isto é, criamos contando com o nosso potencial interno e em parceria com o exterior, chamando nosso ao resultado final. As Sanjoaninas são outro exemplo dessa forma de fazer: 80 por cento da festa é feita com a prata da casa, sendo a restante parte oriunda do exterior, que vem enriquecer a nossa produção. No fundo, não nos limitamos a comprar, atravemo-nos a criar e a construir.
(...)
DI – Mas Angra perdeu ou não peso em relação a Ponta Delgada?
JPCAcho que não. O poder de uma terra sobre outra expressa em coisas muito simples. Por exemplo, a cidade de Ponta Delgada, para aparecer nos meios de comunicação social, teve de copiar o que Angra fez. Copiar o que está bem feito não é pecado. Plagiar e transformar como se fosse uma bandeira própria não é crime punível por lei, mas desagrada-me ver. Sinto que esta cidade tem sido plagiada e que o reconhecimento recai sobre quem plagia e não sobre que cria. Mas Angra continua a ser uma cidade e um concelho onde as pessoas pensam mais, onde há maior troca de informação e de experiências. Isso permite que esta ilha seja mais rica, mais viva. Por tudo isso, julgo que a Terceira continua a dar cartas na Região em termos de saber dizer e de saber fazer.

(E quem fala assim não é gago...é terceirense!)

sábado, novembro 12

CHÁ QUENTE #123


Pela primeira vez vi o Psycho em ecrã gigante. Foi um acontecimento! Éramos perto de 50 na sala (mais do que é costume) e, possivelmente, deveríamos todos sair penhorados à Câmara de Angra por se ter lembrado de, a partir de hoje, fazer, quinzenalmente, ao sábado à tarde, sessões especiais. Mas não por minha parte: não porque acabaram em 2002 com os ciclos de cinema em Novembro, única altura do ano em que podíamos gozar das películas que deliciavam a Europa inteira menos a cidade património mundial, não porque há dois anos consecutivos não se realiza o festival de cinema que nunca foi digno sucessor os ciclos, não porque desde que o centro cultural abriu têm sido constantes os série B em cartaz, não porque cinema é cultura e não é com estas manifestações quinzenais, ainda que extraordinárias, que me vão fazer esquecer tudo isso tão depressa. Daqui a 15 dias lá estarei para o «2046»!

PURO PRAZER #176


Cloud Cleaner

sexta-feira, novembro 11

É d'HOMEM #58

«Que bom seria para Portugal ver os sindicatos menos conservadores em relação aos que têm o privilégio de ter emprego e de ter sindicato e mais atentos aos direitos dos novos pobres, que são os que nunca têm emprego nem sindicato. Que ajuda o movimento sindical poderia dar a este Governo, se nos apoiasse - e ultrapassasse até - na reivindicação de maior apoio social para aqueles que foram marginalizados pelo progresso»

Freitas do Amaral, discussão do Orçamento do Estado

CHÁ COM TORRADAS #102


Free Element XX, Dodo Jin Ming

PURO PRAZER #175


Homage to Matisse, Mark Rothko

19,1 milhões de euros
(um preço de amigo)

quinta-feira, novembro 10

CHÁ QUENTE #122

Recapitulando:

“…no actual momento do desenvolvimento do nosso sistema autonómico é de admitir de forma unânime que existe um défice de articulação das relações político-administrativas entre os protagonistas do sistema, ou seja, entre as Regiões Autónomas, naquilo que são consideradas «relações horizontais», tal como se introduz uma excessiva voluntariedade no regime e na praxis das «relações verticais», ou seja, que ligam as Regiões ao aparelho do Estado…”

Domingo, Setembro 25, 2005, JANELAS ALTAS (V)

“…São diversos os mecanismos adequados para a canalização dos vários eixos, sejam com funções gerais de informação recíproca, sejam de relacionamento institucional para a prevenção de conflitos. Trata-se de articular a cooperação não só no campo administrativo mas também de verdadeira participação política. Ela inclui tanto a intervenção na função legislativa e regulamentar como nos grandes planos de âmbito estatal. Falamos de um terceiro nível da organização pública, de clarificar a responsabilidade política resultante da adopção de decisões. Este é, pois, um problema da autonomia democrática…”
Domingo, Outubro 16, 2005, JANELAS ALTAS (VI)

“…A decidida aposta na construção de relações de cooperação mais fluidas e estáveis é, desde algum tempo, o caminho escolhido pelos sistemas políticos descentralizados mais avançados. A importância que oferecem as estruturas formais de cooperação, que aqui defendemos e propugnamos, seja com a Madeira seja com a administração central, através de Comissões Bilaterais e/ou Comissões Mistas Sectoriais, também se avaliará, assim, a médio prazo, no seu contributo para a necessária melhoria da capacidade de auto-governo da nossa Região…”
Domingo, Outubro 23, 2005, JANELAS ALTAS (VII)


(...curiosamente o próximo artigo, já no prelo, é sobre finanças regionais...)

quarta-feira, novembro 9

CHÁ QUENTE #121


A solar prominence is a large bright feature located in the solar corona. While the corona consists of extremely hot gases which do not emit much visible light, prominences contain much cooler gas, similar in composition to that of the chromosphere. A prominence forms over timescales of about a day, and may persist in the corona for several weeks. Many prominences break apart and give rise to coronal mass ejections.
Despite decades of study, the mechanism by which prominences form is not yet well understood. Theories have not satisfactorily explained how prominences can remain stable for such a long time when they are much denser than their surroundings.


Em som de fundo "The Love Life of the Octopus".

Não sei porquê mas pareceu-me adequado!

terça-feira, novembro 8

CHÁ QUENTE #120

Ainda sobre o Ódio:



LE TONNEAU DE LA HAINE
La Haine est le tonneau des pâles Danaïdes ;
La Vengeance éperdue aux bras rouges et forts
A beau précipiter dans ses ténèbres vides
De grands seaux pleins du sang et des larmes des morts.
(...)

O TONEL DO ÓDIO
O Ódio é o tonel das brancas danaídes;
A Vingança febril, de braços rubros, fortes,
Tenta precipitar nessas trevas vazias
Grandes baldes com o sangue e as lágrimas dos mortos,
(...)

Les Fleurs du mal, Charles Baudelaire

CHÁ DAS CINCO #84



José Manuel Barroso, at the exhibition "Azorean Tea"

segunda-feira, novembro 7

CHÁ QUENTE #119

Depois de, aqui, ter ficado esclarecido que a próxima disputa da liderança do PSD/Açores se resolverá ainda em Congresso, apesar do folclore «para inglês ver» à volta das directas no conclave passado, nova dúvida me assaltou: Porque é que a «febre das directas» que atacou os órgãos nacionais dos partidos, e que já culminaram em eleições de dois líderes (o Sr. Sócrates no PS e o Sr. Castro no CDS/PP) não chegou aos Açores ou se chegou foi de modo enviesado? Será pela busca de equilíbrio entre as estruturas de ilha, qual sistema eleitoral regional? Quem me conhece sabe que sou totalmente a favor da democracia directa e que abomino intermediários, delegados ou similares, como tal estarei particularmente atento às propostas da JS/A no próximo Congresso do PS/Açores pois, salvo erro, a moção do jovem líder Tomé ia nesse sentido.


Ainda a propósito de Congressos não se esqueçam de ler:
As Mariposas, por Vasco Garcia

PURO PRAZER #174


Faith, Erik Simanis

“(…) Viva a velocidade! O coração da minha mãe ainda era um coração de gente, o meu coração já é um hélice que abrevia o dia porque faz girar a terra mais depressa! Viva a Velocidade acceleradamente premio! Morra a Saudade e o regresso! Morra o verbo parar e o verbo recuar! Viva o verbo ganhar sempre por correr demais! A minha amante não é uma mulher, Puff! A minha amante é a velocidade que Eu monto. Bravo!!. Morram os relógios, mentira! O mez é que tem 24 horas! o anno são só 12 dias! A Eternidade existe sim mas não é tão devagar! Os meu olhos são holofotes a policiar o infinito. Morra o Kilometro! O Kilometro não existe, o mais pequeno que há são 20 leguas! Eu sou Millionario. A minha Fortuna é o Século XX (…)”

José de Almada Negreiros, K4 o quadrado Azul (edição fac-similada) Assírio & Alvim, 2000


(Com um Abraço de Muito Obrigado ao André)

domingo, novembro 6

CHÁ QUENTE #118


Obrigado pelo esclarecimento Sr. Presidente!

CHÁ DAS CINCO #83

Preocupações em tarde soalheira de domingo:

A leitura dos manifestos eleitorais dos principais candidatos à Presidência da República resultou no vazio esperado relativamente às autonomias. Vazio pelos lugares comuns, vazio pela ausência de referência expressa, vazio pela falta de perspectiva nacional para estas nove ilhas. Poder-me-ão acusar de estar a pedir demais face ao estado da Nação, os candidatos têm mais em que pensar. Mas um novo discurso nacional para as autonomias passados 30 anos é pedir assim tanto? E alguém terá mais responsabilidade em o fazer do que o Presidente da República? Responder-me-ão que a Região, ela própria, não tem um discurso autonómico. Que Região é a responsável primeira desse status quo. Se é assim, e admito que o seja, então respondo que passados 30 anos de andarmos a cimentar uma ideia de arquipélago nestas nove ilhas, a semear uma cultura de vivência democrática em sede de autonomia política, é tempo para começar a falar para fora, para o todo nacional. É tempo de perder o medo de falar de autonomia, é tempo de cortar essa referência da autonomia ao sr. Jardim, esse que nada fará ou falará por nós. É, pois, mais que tempo e se não for hoje outro dia pode ser tarde...


(Com dedicatória aos Homens do :Ilhas. O nosso «fermento» blogosférico!Parabéns aos 5x2anos!)

sábado, novembro 5

É d'HOMEM #57

Não há qualquer referência às autonomias regionais no Contrato Presidencial da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República!

(...será que a «Pátria do Poeta» não é a «minha Pátria»?)

sexta-feira, novembro 4

PURO PRAZER #173

La femme aux bas blancs, Eugène Delacroix

“(…) - Oh, suave juventude, bem mais bela que este corpo que tem o condão de a inflamar!
E, com as duas mãos, pôs-se a mexer no fecho do meu colarinho, desabotoando-o com uma incrível rapidez.
- Tira tudo, tira tudo, desembaraça-te de tudo e disso também – disse ela, voluvelmente. – Tira tudo e despe-te, para que eu te contemple, para que eu te contemple o deus! Depressa!
«Porquê, quando a hora te chama, não estás ainda pronta para a capela! Despe-te depressa que eu conto os instantes! O atavio das núpcias…» É assim que chamo os teus membros de deus, que eu tenho desejo de te contemplar, desde que te vi pela primeira vez. Ah, até que enfim! O busto sagrado, os ombros, a doçura dos braços. Desembaraça-te de tudo isso; é isso que eu chamo gentileza! Vem para mim, meu bem-amado! Vem para mim, para mim!
Nunca uma mulher usou duma linguagem mais expressiva! Era um canto que se exalava dela, nada mais. E ela continuou a exprimir-se assim dessa maneira quando eu estava a seu lado. Era do seu feitio definir tudo por palavras, mas ela tinha nos seus braços o aluno da severa Rosza. Ele encheu-a de felicidade e teve a honra de lho ouvir dizer.
- Tu, o mais doce! Tu anjo do amor e monstro da volúpia! Jovem demónio, criança tenra, como tu percebes disto! O meu marido, esse, não compreende nada do assunto, nem, fica sabendo, é capaz de nada. Tu embriagas-me e matas-me! O êxtase corta-me a respiração e parte-me o coração…O teu amor faz-me morrer! – Ela beijou-me os braços e o pescoço. – Trata-me por tu – gemeu ela, subitamente, perto do paroxismo supremo. – Trata-me por tu, rudemente para me humilhares! Adoro ser humilhada! Adoro! Oh como te adoro, pequeno escravo estúpido, que assim me envileces!
Ela caía em delíquio. Nós caíamos em delíquio. Eu tinha-lhe dado o melhor de mim mesmo. Embora ela me desse prazer, em compensação eu tinha-lhe pago com juros (…)”


As Confissões de Félix Krull – Cavalheiro de Indústria, Thomas Mann. Ed. Relógio D’Água, 2003


(Entretanto, o Chá Verde ficou muito feliz por Portugal ter, finalmente, feito isto. Bom fim-de-semana)

CHÁ COM TORRADAS #101

Goste-se, ou não, do estilo ou da cor política, Carla Martins e Pedro Gomes representaram, a meu ver, pela aplicação nos trabalhos e pela voluntariedade na exposição das ideias, duas lufadas de ar na Assembleia Regional. Ainda que a primeira fosse, algumas vezes, mal orientada, pelos seus pares, para discursos de ilha, quando tem, claramente, uma pensamento regional, ou que o segundo se perdesse, também alguma vezes, em gongorismos potenciados pela sua formação de base, a verdade é que a fragilizada democracia parlamentar prega-nos destas partidas e de uma penada o grupo parlamentar social democrata, logo o parlamento regional, ficou, ainda, mais pobre com a sua partida e com a chegada de dois «reformados da política»!

quinta-feira, novembro 3

É d'HOMEM #56

"...Estimular a cooperação entre o poder central, as autonomias regionais e o poder local, na aplicação de políticas de desenvolvimento, rigor financeiro, ordenamento do território e respeito pelo ambiente..."

Excerto do Manifesto Eleitoral de Mário Soares à Presidência da República

(...isto promete!!!!)

A ler:
As Eleições Presidenciais, por Dionísio de Sousa
O PREÇO DA MOEDA, por Pedro Gomes

CHÁ QUENTE #117

Já agora alguém me sabe dizer se o próximo líder do PSD/A já vai ser eleito por sufrágio directo dos militantes? Se bem me recordo no último congresso ...

É d'HOMEM #55

"O senhor deputado Duarte Freitas, eleito para o Parlamento Europeu pela coligação PSD/CDS há cerca de dois anos, tem demonstrado tal tenacidade no sector das pescas e da modernização das respectivas frotas, que será grande pena e não menor perda para a pátria açoriana ele continuar a gastar o seu latim macarrónico em redacções impossíveis de se ler, vivendo sobre brasas em terra alheia, nem lá nem cá, gastando a sua intensa e imensa massa cinzenta, demais a mais sentindo-se, como é humano e natural, deslocado e sem préstimo, o que não acontece, honra lhe seja, na paróquia açoriana, onde sempre foi peixe de águas profundas. É de facto um homem de acção e não de escrita; um homem capaz de ir de porta em porta angariar votos para o seu amado partido, oferecendo a lua e as estrelas a quem delas necessita, e algumas latas de tinta, e de andar sempre de sorriso em riste como se tivesse assim saído do ventre de sua mãe."

PARA SE SALVAR COMO OS TRIPULANTES DO SÃO MACAIO,
PSD/Açores precisa urgentemente de Duarte Freitas
por Cristóvão de Aguiar (a não perder no Diário Insular de hoje)

terça-feira, novembro 1

PURO PRAZER #172


Kevin Blechdom


CHÁ DAS CINCO #82


Um estranho silêncio continua a cobrir as contínuas manifestações das claras clivagens raciais em França. Parece que só para os jovens de Clichy-sous-Bois não foram normais os incêndios que causaram numerosas vítimas junto das comunidades africanas em Paris. Pensar que ainda há bem pouco tempo era causa nacional a discussão sobre o direito à utilização dos símbolos religiosos nas escolas. Coerências...

segunda-feira, outubro 31

PURO PRAZER #171


Helsingor Castle
(15 anos)


you are welcome to elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinore

E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

© Pena Capital. Mário Cesariny, 1957

PURO PRAZER #170



Há sempre uma pergunta por fazer...

domingo, outubro 30

É d'HOMEM #54

"...A defesa da coesão nacional será um objectivo permanente da minha acção, porque só assim é possível satisfazer efectivamente a diversidade de interesses regionais e locais e assegurar condições favoráveis ao desenvolvimento. Aí incluo, em posição destacada, o apoio às autonomias regionais dos Açores e da Madeira, realizações de sucesso da democracia portuguesa. Defendo o diálogo profícuo entre os órgãos de governo regional e nacional e o reconhecimento das especificidades das Regiões no quadro da solidariedade entre as diversas partes do todo nacional..."

In As minhas ambições para Portugal, manifesto de Aníbal Cavaco Silva à Presidência da República


(Esta é a única abordagem que o Chá Verde se sente capaz de fazer às Presidenciais, ficando a aguardar, serenamente, os manifestos deste e deste senhor para poder manifestar publicamente as suas conclusões)

CHÁ COM TORRADAS #100

"...a concreta planificação de investimentos, sob o mesmo território, implica ou deve implicar, para além da cooperação, coordenação de grandes objectivos e políticas entre a Administração Regional e Local.
A lógica reclama-o. E o desenvolvimento dos Açores e fortalecimento da Autonomia a isso obriga.
Posições como as defendidas, há poucos anos (durante o Governo Durão Barroso) pela Presidente da Associação de Municípios dos Açores no sentido de que os respectivos municípios deviam ter acesso a fundos comunitários nacionais sem intermediação da Administração Regional – só podem ser consideradas como táctica aforradora de curto alcance, no mínimo indiferente a uma correcta coordenação regional conforme à Autonomia
..."
PODERES E COOPERAÇÃO, por Francisco Coelho

"...não houve o cuidado de introduzir na lei máxima do Estado a realidade da existência de concelhos nas Regiões Autónomas e isto levou à situação bizarra de não existir claramente definida a hierarquia política dos três poderes que coabitam nos Açores: o poder do Estado, o poder da Região e o poder Municipal.
Ora, parece-me que seria inevitável vir a clarificar este assunto e saber, por exemplo, a quem compete a execução nas Regiões Autónomas das leis sobre o municipalismo emanadas da Assembleia da República.
A mim não me resta dúvida que esse poder deve claramente pertencer aos Órgãos de Governo próprio da Região (...) O que não me surge como aceitável é este mimetismo em que temos vivido de o figurino de repartição do poder por um lado e, acima de tudo, de ritmo da descentralização se fazer nas Regiões Autónomas pela lei geral.
Nisto, como em tudo, deve sempre estar presente a autonomia política, constitucional e democrática. Os açorianos organizados politicamente são suficientes e capazes para se auto-governarem..."

Os três poderes, por Reis Leite

(...o «duo» do Diário Insular colocou, finalmente, o politiquês de lado e trouxe-nos uns bons nacos de prosa política. Aos poucos o novo discurso vai passando. É bonito de ler e será ainda mais quando for levado a bom porto. Cá estaremos!)

sábado, outubro 29

CHÁ DAS CINCO #81

Afinal ainda há «abébias»:

«Abébia» democrática 1
Uma lista constituída por elementos da oposição (PSD-CDS/PP) venceu as eleições para a mesa da Assembleia de Freguesia de São Pedro, em Angra do Heroísmo. A lista obteve cinco dos nove votos possíveis, apesar de o PS dispor de uma maioria de cinco representantes contra três do PSD e um do PP. O povo que votou maioritariamente no PS agradece aos seus «legítimos» representantes.

«Abébia» democrática 2
A coligação à esquerda (PS/CDU) na Câmara da Horta. Um balão de oxigénio para o Sr. «dinossauro» DecMota cujo perfil político não assegura certeza e estabilidade. Veremos se aguentam até 2008.

PURO PRAZER #169


Nunca me canso de rever este frame, talvez dos mais belos do cimena.
Bom fim-de-semana!

sexta-feira, outubro 28

É d'HOMEM #53

"Mal vamos se houver uma reedição de uma moção única, pouco ou nada criticada, e no fim votada quase por unanimidade. Corresponderá a um suicídio."

A crise, por José Guilherme Reis Leite

quarta-feira, outubro 26

PURO PRAZER #168


It's a wonderful life

George - What is it you want, Mary? What do you want? You...you want the moon? Just say the word and I'll throw a lasso around it and pull it down. Hey! That's a pretty good idea! I'll give you the moon, Mary. ... Then you can swallow it, and it'll all dissolve see, and the moonbeams would shoot out of your fingers and your toes and the ends of you hair ... am I talking too much?

Man on Porch - Why don't you kiss her instead of talking her to death? Oh! Youth is wasted on the wrong people!

CHÁ QUENTE #114

A ler:
CONSTRUIR UMA ALTERNATIVA POLÍTICA, por Pedro Gomes

(sendo que a única consequência possível deste artigo é uma candidatura à liderança do PSD/A)

terça-feira, outubro 25

PURO PRAZER #167



Jura

Jura muitas vezes começar uma vida melhor.
Mas quando vem a noite com os seus próprios conselhos.
com os seus compromissos, e com as suas promessas;
mas quando vem a noite com a sua própria força
do corpo que quer e pede, para a mesma
alegria fatal, perdido, vai de novo.

Os Poemas, Konstandinos Kavafis
Ed. Relógio D'Água, 2005

PURO PRAZER #166

dia 28, 21h30m
Auditório do Ramo Grande

(Post dedicado aos teóricos do jazz que teimam em não sair do sofá)

segunda-feira, outubro 24

CHÁ QUENTE #113

À atenção da insubstituível Vereadora para a Cultura
da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo


Exm.ª Sr.ª Dr.ª Luísa Brasil aqui se prova que...

...é possível fazer mais e melhor do que tem sido feito no Teatro:
FESTIVAL DE TEATRO “JUVEARTE 2005 com 10 Grupos de Teatro de Ponta Delgada, Ribeira Grande, Angra do Heroísmo, Funchal, Lisboa, Sintra, Almada, Leiria, Porto e Alentejo.

...é possível fazer mais e melhor do que tem sido feito no Cinema:
Para o efeito e com o objectivo de proporcionar ao público açoreano a oportunidade de assistir à exibição dos melhores filmes que passam anualmente neste festival, a MUU PRODUÇÕES CULTURAIS estabeleceu uma parceria com a CINEMA NOVO, CRL para a realização da “SEMANA FANTASPORTO 2005”.


Mui Atenciosamente,
Guilherme Tavares Marinho

domingo, outubro 23

PURO PRAZER #165


False Ceiling, Richard Wentworth

“Já há muito que vos dedicais a compenetrar-vos da vossa existência. Cuidadosamente, etiquetais, classificais, limitais as personagens que vos aparecem, e a vossa própria. Munidos de lentes finas e sem hastes, ides procurando, míopes e atentos, todas as diferenças. O cuidado com que os pintores do vosso século XVI contornavam as figuras, também o tendes vós em relação ao vosso espírito. Às vezes, quando me encontro só, folheando um desses livros a que atribuís algum valor, esquecendo com as sombras da noite uma angústia hoje familiar, fruo um gozo raro ao meditar na vossa caça ao indivíduo e nos esforços que fazeis para reter uma presa tão preciosa. Porque se é certo que vos encontrais a vós próprios, é tão só à maneira desses magos que, depois de haverem invocado os demónios, vêem o seu quarto invadido por inúmeros seres cornudos e despertam, muito mais tarde, sob pilhas de livros. Eles sentem uma grande dor de cabeça. Não que os livros os tenham magoado, mas recordam-se de que os diabos se disputavam e se batiam, porque cada um deles queria ser único e verdadeiro, o que induz em novas dificuldades tais feiticeiros engenhosos.”

A Tentação do Ocidente, André Malraux. Ed. Bertrand, 2005.

CHÁ QUENTE #112

A decidida aposta na construção de relações de cooperação mais fluidas e estáveis é, desde algum tempo, o caminho escolhido pelos sistemas políticos descentralizados mais avançados. A importância que oferecem as estruturas formais de cooperação, que aqui defendemos e propugnamos, seja com a Madeira seja com a administração central, através de Comissões Bilaterais e/ou Comissões Mistas Sectoriais, também se avaliará, assim, a médio prazo, no seu contributo para a necessária melhoria da capacidade de auto-governo da nossa Região.

Janelas Altas VII. Para uma revisão Estatutária. No Diário Insular de hoje e n'O Bule do Chá

sexta-feira, outubro 21

quinta-feira, outubro 20

CHÁ COM TORRADAS #99

Haverá melhor forma para comemorar os 10 anos da partida do «fundador»?

quarta-feira, outubro 19

POST(AL) AUTONÓMICO #21

“…procurando mais uma vez – perdoem-me a insistência e o repisar do assunto – fixar os aspectos em que na actualidade se apresenta o problema da autonomia administrativa, regime de excepção para os distritos insulanos, que se torna desnecessário voltar a defender e justificar, visto o Governo já ter reconhecido que mais pesam hoje do que em 1895 as razões da campanha daquela época e que mesmo a essas razões outras se lhes podem juntar, em resumo:
1.º - Ao contrário do que preconiza o Estatuto, as Juntas Gerais (pelo menos a deste distrito) não dispõem de recursos próprios suficientes para sustentarem a sua autonomia.
2.º- A situação que se apresenta é a negação flagrante e clamorosa do princípio e elementar justiça que no Estatuto está escrito por estas palavras que volto a recordar. “Desde que o Governo entrega às Juntas Gerais serviços que no Continente estão a seu cargo, justo é que lhes confie também receitas suficientes para fazerem face aos encargos que eles acarretam”.
3.º - Estando as receitas das Juntas muito longe de bastarem para as suas despesas obrigatórias, com a consequência de alguns serviços de maior interesse público irem a caminho do estiolamento, as Juntas, com receitas de vida e despesas de morta, conforme a síntese do Dr. Armando Cândido, em grande parte da sua acção encontram-se convertidas em pagadorias, que são também a negação do que se estabelece e ensina em palavras do Estatuto que já por mais de uma vez li.
4.º - Assim destruído o indispensável equilíbrio entre as receitas e as despesas, perante a importância dos interesses públicos em jogo apresenta-se com o carácter de inadiável necessidade, sempre conforme estabelece o Estatuto (e pelas palavras que nele se lêem), que às Juntas se atribuam receitas e fixem encargos que deixem disponibilidades suficientes para uma obra de fomento, senão grandiosa, ao menos bastante para auxiliar o incremento da riqueza e o melhoramento da economia local, isto é: - para que as Juntas evitem a consumação da asfixia e saiam da letargia em que se estiolam. E não é lícito desejá-lo por meio de subsídios do Estado, não só porque o Estatuto expressamente os repele e rejeita – nem podia deixar de fazê-lo – como processo corrente de administração, como também porque, e nada há mais elementar, subsídios são a negação de autonomia, não se admitem autonomias que para existirem precisem de subsídios permanentes.
Afinal, como vêem, história da Autonomia à parte (e com remorsos e vexado reconheço), nesta curta enumeração se contém tudo o que encheu a eternidade desta palestra!”


A Autonomia Administrativa dos Distritos das Ilhas Adjacentes, José Bruno Carreiro. Colecção Autonomia, Ed. Jornal de Cultura, 1994.

(Esta palestra tendo sido proferida há 50 anos continua, cruelmente, actual. Se, historicamente, os movimentos autonómicos coincidiram com momentos de fragilidade política do Estado também é verdade que só tiveram sustentabilidade porque existiram gerações de açorianos motivadas para tal desígnio. Hoje, não tenho essa certeza.) Também no Da Autonomia.

CHÁ COM TORRADAS #98

Também Vitor Cruz disse que não estava disponível 2 vezes!

terça-feira, outubro 18

CHÁ COM TORRADAS #97

A RDP/A brinda-nos às 8.30 com a seguinte notícia:
Berta Cabral poderá fazer uma jogada de antecipação e lançar para a liderança do PSD/A uma pessoa da sua confiança até 2007. Só nessa altura é que a actual presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada avançaria para a liderança do seu partido na Região Autónoma.

Oferece-me dizer o seguinte:
É fundamental uma clarificação de águas no maior partido da oposição. Já o escrevi e volto a repetir que uma boa oposição ajuda a um melhor Governo. Como tal, é necessário precisar que 2006 e 2007 não podem ser entendidos, politicamente, como anos zero, senão vejamos: serão dois anos em que o Governo Regional aplicará o seu programa tentando reforçar o posicionamento da Região face ao estado económico-financeiro da nação, em que se trabalhará sobre o próximo quadro comunitário de apoio e sobre o estatuto político-administrativo, bem como nas reformas políticas que daí possam advir. Assim, uma estratégia de dois anos de «micro-ondas» ou de «aguenta que ainda não é tempo» só se concebe num modo de fazer política à moda antiga. Mas, a isto o PSD/A já nos tem habituado, infelizmente...


A ler:
Rescaldos, por Nuno Mendes
Intrigas Micaelenses, por Tomaz Dentinho (Açoriano Oriental de hoje)
Nota sobre nada, editorial do Diário Insular de hoje

segunda-feira, outubro 17

CHÁ QUENTE #111

"Constata-se que as relações de cooperação em Portugal, diferentemente do restante panorama comparado, tomam um balanço pobre que impede o aproveitamento das reais virtudes do sistema autonómico.
Lembramos que as causas da aparição destes instrumentos de cooperação foram o crescimento das tarefas que os poderes públicos territoriais tiveram que afrontar e o alcance supra-territorial dos problemas que tiveram que resolver. Hoje em dia, actuações sobre âmbitos como a educação, saúde, ambiente, obras públicas e telecomunicações não podem encarar-se como sendo responsabilidade de uma só instância."


Janelas Altas VI. Para uma Revisão Estatutária. No Diário Insular de domingo ou, como sempre, n'O Bule do Chá.

CHÁ COM TORRADAS #96

Um blog não depende da vontade do blogger. Ou seja, os problemas no portátil dão-nos cabo da cabeça.

sábado, outubro 8

PURO PRAZER #163

Últimas aquisições


Charlie Parker, The Complete Norman Granz Master Takes


Miles Davis, Complete 1951-1953 All Stars Studio Recordings


John Coltrane, The Complete Mainstream 1958 Sessions

Futuras aquisições


Miles Davis, The Cellar Door Sessions 1970


Thelonious Monk Quartet with John Coltrane- At Carnegie Hall
(em som de fundo Monk's Mood)


John Coltrane, One Up, One Down: Live At The Half Note

sexta-feira, outubro 7

CHÁ QUENTE #110

"As autarquias locais deveriam fazer jus ao nome de escolas da democracia que receberam, nomeadamente pela voz de Alexis de Tocqueville largamente difundida pelos mais significativos autores portugueses. Deveríamos ter exemplos de democracia que se revelaria no exercício de referendos, no poder efectivo das assembleias e ainda em algo que as pessoas julgam que existe a nível local, mas que não existe efectivamente: a relação directa entre os eleitos e os eleitores. Quem, vivendo numa freguesia, alguma vez teve uma reunião com membros da respectiva assembleia para trocar impressões sobre os assuntos da comunidade local? Quem, vivendo num município, já viu os membros da assembleia municipal convocar reuniões para prestar contas? As excepções que, porventura, haja apenas confirmam a regra.
Não será fácil mudar estas coisas, se é que se quer mudar, se é que se quer um autêntico poder local democrático ou, como prefiro chamar-lhe, uma democracia local. É toda uma pedagogia democrática que está por fazer. Se houver a preocupação de mudar as coisas, há um ponto por onde começar: modificar a organização e funcionamento das assembleias locais. Não é tudo, mas é muito importante. Alguém estará interessado nisso?
"

In Democracia local e a obsessão presidencial, António Cândido de Oliveira (Público, 5 de Outubro de 2005)

(...a reflectir antes mas, sobretudo, depois de dia 9)

CHÁ COM TORRADAS #95

Cuidado romanos há uma Região que resiste estoicamente sem sondagens!Não sabe porquê, mas resiste!

quinta-feira, outubro 6

PURO PRAZER #162


Há o mar há a mulher
quer um quer outro me chegam em acessíveis baías
abertas talvez no adro amplo das tardes dos domingos
Oiço chamar mas não de uma forma qualquer
chamar mas de uma certa maneira
talvez um apelo ou uma presença ou um sofrimento
Ora eu que no fundo
apesar das muitas palavras vindas nas muitas páginas dos dicionários
bem vistas as coisas disponho somente de duas palavras
desde a primeira manhã do mundo
para nomear só duas coisas
apenas preciso de as atribuir
(...)
Excerto de «Uma forma de me despedir» de Ruy Belo

quarta-feira, outubro 5

CHÁ QUENTE #109

Quero desde já manifestar publicamente a minha frontal discordância com qualquer inversão do ónus da prova seja em que circunstância for. O cidadão é uma pessoa de bem e age de boa-fé, salvo prova em contrário da responsabilidade do Estado. Este é um princípio inalienável da minha concepção do Estado de Direito Democrático!Habituem-se...

CHÁ DAS CINCO #80

Segundo notícia do Açoriano Oriental de hoje:
"O líder do PS/A, Carlos César, acertou quando disse que a Câmara de Ponta Delgada está a competir com o Governo Regional, porque a sua presidente e candidata a novo mandato, Berta Cabral, já deixou bem vincado que “essa competição, além de saudável, vem garantir que o concelho ganhe duas vezes mais desenvolvimento”. E tanto assim é que, em seu entender, o município é que tem dado o primeiro passo em relação a obras emblemáticas, o que leva o Executivo a também avançar com os seus projectos para Ponta Delgada. “Se a Câmara não avançasse com a recuperação do Coliseu, o Executivo não teria recuperado o Teatro Micaelense”, salientou para mencionar outro exemplo de como as coisas se processam daquela forma: “A construção pelo município do Parque Urbano é um investimento que incentiva agora o Governo a querer apresentar o seu projecto para um novo espaço verde junto às Laranjeiras”."

Pelos vistos há quem não conheça Galileu e pense que Ponta Delgada é o Sol. Pelos vistos há quem pense que os recursos são infinitos! Pelos vistos é saudável uma câmara concorrer com o Governo!Pelos vistos há quem ache que cooperação é coisa de livros e de teóricos! Pelos vistos as infraestruturas de cultura e lazer são estruturantes para o desenvolvimento de um povo!Pelos vistos os pilares da Agenda XXI como a formação profissional, as novas tecnologias e o ambiente não merecem atenção!Pelos vistos há quem continue a fazer política com os mesmos olhos de há 20 anos!Pelos vistos este vai ser o mote dos próximos 4 anos!Pelos vistos há quem ache isto tudo normal!Habituem-se vocês que eu não...

É d'HOMEM #52 (PARTE 3)

"A Salsiçor tem uma máquina trituradora de fazer salsichas. Ela vinha mesmo a calhar para alguns candidatos que por aí andam..."

Passados 6 dias o Açoriano Oriental veio esclarecer:
"As declarações em estilo metafórico imputadas a Berta Cabral de que teria dito, na sua recente visita à “Salsiçor”, nas Feteiras, de que há candidatos que poderiam seguir para a “trituração” nas máquinas da fábrica, não correspondem à realidade. Estão em causa, não afirmações de Berta Cabral, mas sim algumas “graças” de quem estava presente na visita da candidata e que o Açoriano Oriental citou em jeito de frases soltas, sem proceder, aliás, a qualquer identificação. O mesmo critério foi aplicado em outras peças jornalísticas relativas ao PSD nestas Autárquicas."

Conclui-se pois que o Açoriano Oriental tem como critério jornalístico a utilização de «declarações em estilo metafórico», «graças» ou «frases soltas» de extremo mau gosto «sem proceder, aliás, a qualquer identificação». Habituem-se...

terça-feira, outubro 4

CHÁ DAS CINCO #79

Razões para crer que "um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda"!

CHÁ COM TORRADAS #94

Se alguma coisa positiva se pode retirar do discurso autárquico da maioria dos candidatos na ilha Terceira tal será a necessidade premente de uma cooperação inter-municipal. Sabendo-se que esta visão é fundamental para o futuro da ilha, aguardemos, pois, pelo dia seguinte...

segunda-feira, outubro 3

PURO PRAZER #161


(quando a noite se torna mais quente)

domingo, outubro 2

É d'HOMEM #52 (PARTE 2)

"A Salsiçor tem uma máquina trituradora de fazer salsichas. Ela vinha mesmo a calhar para alguns candidatos que por aí andam..."

A frase em destaque no Açoriano Oriental de 29 de Setembro de 2005 induz a que qualquer leitor a atribua a Berta Cabral. Foi o que o Chá Verde se limitou a fazer. Entretanto que se saiba não há qualquer desmentido oficial ou sequer retratação por parte do jornal. Para o Chá Verde, ao contrário do que alguns querem fazer crer, a questão de fundo não é quem a proferiu mas que ela tenha sido proferida e publicada, pelo que aqui repete: "Isto é grave, muito grave!"

CHÁ QUENTE #108

Segundo o Diário de Notícias:
"Das 308 câmaras municipais do País, mais de um terço estão a ser investigadas pela Polícia Judiciária (PJ). Segundo dados recolhidos pelo DN, estão a correr na PJ 264 inquéritos, mais 41 averiguações preventivas sobre 124 autarquias locais. Os dados dizem respeito às investigações de todos os departamentos da PJ, sendo que os crimes mais frequentemente identificados passam por corrupção, peculato, tráfico de influências e abuso de poder, o que não significa que todos venham a ser alvo de uma acusação."

(Se se considerar que os Açores também devem estar a contribuir para a média nacional, 1/3 de 19 municípios dá 6. Ora, se por cá só é público o caso das Lajes das Flores alguém tem ideia de quais possam ser as outras 5 câmaras? Ou o silêncio é, também aqui, de ouro?)

sábado, outubro 1

CHÁ DAS CINCO #78

Federalistas, autonomistas e independentistas; centro derecha e izquierda, unieron ayer sus votos en el Parlamento catalán y aprobaron con una aplastante mayoría de 120 votos sobre 135 la propuesta de nuevo Estatuto de Autonomía.
Durante la primera sesión del debate de la reforma del nuevo Estatuto, el Parlamento de Cataluña ha aprobado el primer artículo del Estatut, que proclama que "Cataluña es una nación", con el aval de todos los partidos catalanes a excepción del PPC, que pedía seguir definiendo a Cataluña como nacionalidad.

¿Adónde va Catalunya?

sexta-feira, setembro 30

PURO PRAZER #160


Dave Holland Quintet

Angrajazz, ou como todos os anos temos oportunidade para ver e ouvir os melhores do mundo nos Açores! Fossem todas as bitolas assim...
(Last Minute Man no Dia Mundial da Música)

É d'HOMEM #52

"A Salsiçor tem uma máquina trituradora de fazer salsichas. Ela vinha mesmo a calhar para alguns candidatos que por aí andam..."

Berta Cabral, in Açoriano Oriental 29 de Setembro de 2005


(Isto é grave, muito grave!)

quarta-feira, setembro 28

CHÁ QUENTE #107

Segundo o Diário Insular:

"Um abaixo-assinado solicitando à RTP-Açores a repetição, em horário nobre, do debate entre os candidatos à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, nas eleições autárquicas de 9 de Outubro, está a percorrer o concelho."

(Como é bom de ver alguns Angrenses têm uma noção de cidadania muito apurada!Espero que não se fiquem pelos debates televisivos...)

CHÁ DAS CINCO #77

Obrigado a todos!
Esta semana está difícil fazer melhor.
Beijos repenicados e fortes abraços.

terça-feira, setembro 27

CHÁ VERDE #1


O Chá Verde faz hoje o seu 1.º aniversário!
(um muito obrigado a quantos nos visitaram)

segunda-feira, setembro 26

CHÁ DAS CINCO #76

Consequência primeira da frequência de um curso de técnicas de gestão do tempo: a actualização diária do blogue não é prioritária!

sábado, setembro 24

CHÁ DAS CINCO #75

"...no actual momento do desenvolvimento do nosso sistema autonómico é de admitir de forma unânime que existe um déficite de articulação das relações político-administrativas entre os protagonistas do sistema, ou seja, entre as Regiões Autónomas, naquilo que são consideradas «relações horizontais», tal como se introduz uma excessiva voluntariedade no regime e na praxis das «relações verticais», ou seja, que ligam as Regiões ao aparelho do Estado..."

Janelas Altas (V). Para uma revisão estatutária. De novo no Diário Insular e n' O Bule do Chá.

CHÁ QUENTE #106


Vamos construir (1993-1997)


Vamos construir (1997-2001)


Vamos construir (2001-2005)

Ficou provado à saciedade que a apelidada «dama de ferro» tem pés de barro que «fogem para o chinelo». Uma vez que nestas eleições se recusa a debater e explicar os seus projectos deixo aqui o desafio à Sra. Cabral para que assegure um referendo local sobre o seu projecto da central de camionagem e dos parques subterrâneos na avenida marginal de Ponta Delgada. Democracia participada é isto ... Habituem-se!

sexta-feira, setembro 23

CHÁ QUENTE #105

O que me incomoda, realmente, é quando o Homem se predispõe a reproduzir aquilo que a Natureza tão generosamente nos oferece. É assim que entendo o Ilhéu de Vila Franca face à construção de um aquário ou o Pinhal da Paz face ao anunciado parque urbano de Ponta Delgada ...

É d'HOMEM #51


O homem pode estar velho, mas não está cego!
Siga, pois, o baile: "Joana, pensar que estivemos tão perto..."

quinta-feira, setembro 22

É d'HOMEM #50

"Eu não sou como as galinhas que quando põem um ovo começam logo a cacarejar"

António Pedro Costa, RTP-Açores (Debate Autárquico 2005).

terça-feira, setembro 20

CHÁ DAS CINCO #74


Ain't she beautiful?

segunda-feira, setembro 19

CHÁ QUENTE #104


Ele veio para ficar...

CHÁ DAS CINCO #73

No velho e tradicional esquema político da «fuga do pé para o chinelo» a um ataque pessoal segue-se outro e outro e outro e mais outro, as ideias ficam de fora e quem mais perde é o cidadão comum. Mas a nova geração deixou-se desse tipo de rodeios e com superioridade moral prossegue a sua análise crítica, a metodologia pró-activa e o projecto integrado!Habituem-se...

É d'HOMEM #49

Aeroporto das Lajes, 9 a.m. Um casal de emigrantes aproxima-se do balcão do bar. Ele «Angelo», conforme detalhe platinado no cinto das calças, interroga a funcionária.
- Tem «juice»?
- Sim Sr. quer Sumol?
-Um qualquer, é para a minha mulher. E «uiske» tem?
A rapariga acena afirmativamente. Ele pede-lhe "um shot!".
- Novo ou velho?
- «Uiske» é velho!
A empregada procura um J.W. black label e enche-lhe o copo generosamente.
- Eia ... eu pedi um shot!!!
- Então qual é o mal? O Sr. vai dormir no avião...
Posto isto «Angelo», com ar de aprovação, bebe o precioso néctar de uma golada só...
- Aaaaaaaaaaaaaaah...