...ou as duas faces da moeda:
“Parece ser a nova moda da política regional: atacar os jornalistas (…) Os deputados do PS não consideraram sequer a possibilidade dos relatos da actividade parlamentar serem o que são por causa da própria actividade parlamentar. Não, nos corredores preferem insinuar que os jornalistas são uns malandros. Vão para a Horta descansar, não prestam atenção e produzem relatos pouco edificantes do que se passa na sala do plenário. Os deputados do PS estão preocupados com a criação de «canais directos» mas ainda não repararam que
os jornalistas são os menos culpados pelo que é debatido na sala das sessões. Os deputados socialistas ainda nem sequer repararam que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores tornou-se um espécie de ressonância da actividade do governo regional.
Que a maioria das intervenções provocam a sonolência generalizada tendo em conta as loas ao executivo açoriano e a falta completa de qualquer sentido que não seja o da pura propaganda (…)”
Nuno Mendes, Jornal dos Açores, 27 de Junho
“(…)
O problema é que o jornalismo parlamentar açoriano nem sequer existe. A esmagadora maioria dos jornalistas que cobrem os trabalhos parlamentares limita-se a elaborar actas incompletas e mal construídas do que se passa na Horta, evidenciando uma falta de apreensão do fenómeno parlamentar que vai muito para além do que, por benevolência, poderia ser admissível. O jornalismo interpretativo nunca teve lugar pelos lados da Horta e a contextualização, nas suas múltiplas vertentes, nem chegou a fazer parte do dicionário dos jornalistas que habitualmente cobrem os trabalhos parlamentares (…)
Só que o jornalismo parlamentar açoriano é apenas e só o reflexo do jornalismo que se faz nos Açores. Todos os adjectivos que utilizámos para qualificar o jornalismo que se faz na Horta poderiam ser aplicados ao jornalismo que se faz todos os dias nos Açores. Ou seja,
a mediocridade está generalizada e não dá sinais de retroceder (…)”
Armando Mendes,
Diário Insular, 3 de Julho
O Nuno Mendes, entretanto,
aqui acresceu isto:
"...Há bons e maus jornalistas parlamentares. Há os que se borrifam para aquilo, os que se esforçam e tentam fazer um bom trabalho.
Não há nenhum bom jornalista parlamentar? Pois não há. Também não há nenhum bom jornalista ambiental, nenhum bom jornalista científico (apesar da abundância de temas), nenhum bom jornalista musical..."
E o
Rui Lucas num dos comentários aqui deixados:
"...para fazer uma análise séria tenho também que falar daquilo que a maioria não vê, que são as opções editoriais de cada órgão de comunicação social.
A insensibilidade em relação à política por parte de quem fecha o jornal, por exemplo, leva a que temas importantes não mereçam o devido destaque..."
O Rui Messias , entretanto, juntou-se:
"...há duas linhas de argumentação a suster neste debate (que, em nosso ver, devia extravasar os limites da blogosfera, já que revela um “problema” do arquipélago): por um lado, (e este mais corporativo) os jornalistas açorianos deviam debater internamente esta questão, como outras que afectam a profissão (e ela é cada vez mais uma profissão nos Açores e não um complemento de outra actividade, como aconteceu no passado); por outro, o facto de uma força política (que tem maioria do parlamento) lançar esta discussão revela algo mais do que uma simples “intenção comunicacional”..."
Ora os contributos foram simpáticos mas nenhum dos jornalistas aqui citados se disponibilizou para explicar o porquê de todas essas conclusões. Não será esse exercício colectivo que falta ao jornalismo açoriano?
*(ESTE POST DESAPARECEU SUBITAMENTE DO CHÁ MAS VOLTEI A POSTÁ-LO ESPERANDO QUE TENHA SIDO POR PROBLEMAS TÉCNICOS DO BLOGGER E NÃO POR OUTRAS RAZÕES)