quinta-feira, maio 12

PURO PRAZER #117


2046

(...os dias que passam)

quarta-feira, maio 11

CHÁ QUENTE #62

Contributo: Da Etnogenia

“(…) O que há na índole do povo dos Açores que possa licitamente atribuir-se à acção do meio, quais as transformações que este operou no moral dos portugueses que em meados do século XV se fixaram no arquipélago? (…) procurei fixar aquilo que se me afigurou mais característico no meio açoriano – o vulcanismo, a presença constante do mar, a insularidade ou isolamento do resto do mundo, a humidade do ar, a nebulosidade do céu, a temperatura oscilante entre estreitos limites, a pressão atmosférica, os vendavais e tempestades, a diferença entre ilhas e o continente pelo que respeita às condições geográficas e da paisagem, verificar ao mesmo tempo quais as qualidades morais comuns a todos os ilhéus, a sua religiosidade profunda, espírito de submissão, indolência, imaginação criadora, sentido da perfeição e do pormenor, espírito satírico, certo grau de saudosismo, talvez mais acentuado do que no continente, etc (…) ao caracterizar o modo de ser moral do povo açoriano, procurei juntar aquelas qualidades que em todos os autores que se ocuparam do assunto, mau grado as divergências que noutras manifestam, se acham indicadas. Só tive em conta aquelas que todos aceitam, quer no geral, quer a propósito de cada ilha. Mais particularmente atendi à classificação dos ilhéus em três tipos, proposta por Vitorino Nemésio numa conferência «O Açoriano e os Açores», (…) São estes tipos o micaelense, o mais trabalhador do arquipélago e também o mais diferenciado do continental, rude, industrioso, rijo e tenaz; o das «ilhas de baixo», afável, com certa manha, festeiro, indolente; e o picaroto, tomando a vida a sério, ora no mar, ora em terra, vigoroso, sadio, às vezes heróico (…)”

Luís da Silva Ribeiro, Obras. Ed. IHIT/SREC, Volume II, Pags 515 ss.

(…ora, este vosso criado, filho de micaelenses, neto de micaelenses, minhotos e faialenses, bisneto de micaelenses, minhotos, florentinos e picarotos, hoje apenas pode dizer que é Açoriano e mais tudo isto e o que quiserem que seja)

terça-feira, maio 10

PURO PRAZER #116




Tuesday Comic, porque hoje entramos numa nova dimensão, bem acompanhados com o Quebra-Nozes de Tchaikovsky

É d'HOMEM #30

Paulo Gusmão contesta a perda de algumas regalias (serviços de secretária e adjunto, por exemplo) com a sua passagem deputado independente e vai propor hoje alterações ao Regimento da Assembleia. (RDP/A)

CHÁ COM TORRADAS #55

Quando a BOGA é mais que um peixe espera-se uma boa caldeirada!

POST(AL) AUTONÓMICO #11



Primeiro Corso

(…) Tudo, para o ilhéu, se resume em longitude e apartamento. A solidão é o âmago do que está separado e distante (…) Oh, solidão das ilhas!...Conquista da terra por firmeza no pouco que se tem e por tino e recuo a tempo no muito que se deseja…Portos fechados, ilhas à vista…Entre nós e o mundo aquela porção de sal que torna incorrupto o aro da terra…Movimento e força; outras vezes tranquilidade e pasmo…Extensão…Extensão…(E, por mais que embirremos com reticências, que são espasmos tipográficos, a coisa é assim mesmo…Tem de exprimir-se nesta dose exacta de exaltação e de pouca sintaxe…) Ilhas pontiagudas naquela brutalidade oceânica que é afinal a única coisa delicada e discreta da nossa vida – o mar do nosso segredo…a volubilidade do nosso ardor que nada estanca…esta inconsciência de projectos humanos (mas desumano é o lógico, o ético, o inflexível!) . Além disso, o vapor da carreira…o boletim meteorológico (grau de humidade à saturação cem…), e o acostamento de Santos com a bandeira de saída…Oiço os rebocadores.

Vitorino Nemésio, Corsário das Ilhas. In Açorianidade e Autonomia – Páginas Escolhidas. Ed. Signo 1989.

segunda-feira, maio 9

CHÁ DAS CINCO #36

Contributo n.º 1

Da geografia: Sendo Açoriano, logo Europeu, como conceber o cunho ultraperiférico?

CHÁ QUENTE #61



“A paz mundial não poderá ser salvaguardada sem esforços criativos à altura dos perigos que a ameaçam. O contributo que uma Europa viva e organizada pode dar à civilização é indispensável para a manutenção de relações pacíficas (…) A Europa não se fará de uma só vez, nem numa construção de conjunto: far-se-á por meio de realizações concretas que criem primeiro uma solidariedade de facto (…)”

Robert Schuman, Declaração de 9 de Maio de 1950

(…pois então pensemos no que diz o sr. Schuman, em mais um dia de festa com o finale da 9.ª Sinfonia de Beethoven a ajudar-nos nessa reflexão intemporal)

sábado, maio 7

POST(AL) AUTONÓMICO #10


Açorianidade

Não sei se chego a tempo com a minha colaboração para a Insula no V centenário do descobrimento dos Açores. É uma colaboração estritamente sentimental, uma espécie de minuto de recolhimento em meia dúzia de linhas (…) Quisera poder enfeixar nesta página emotiva o essencial da minha consciência de ilhéu. Em primeiro lugar o apego à terra, este amor elementar que não conhece razões, mas impulsos; - e logo o sentimento de uma herança étnica que se relaciona intimamente com a grandeza do mar (…) Uma espécie de embriaguez do isolamento impregna a alma e os actos de todo o ilhéu, estrutura-lhe o espírito e procura uma fórmula quási religiosa de convívio com quem não teve a fortuna de nascer, como o logos, na água (…) Como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. A geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as sereias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar. Mas este simbolismo está muito longe de aludir com clareza aos segredos do ser açoriano, e mais parece um entretenimento literário do que um sério propósito de pôr o problema da nossa alma. Um dia, se me puder fechar nas minhas quatros paredes da Terceira, sem obrigações para com o mundo e com a vida civil já cumprida, tentarei um ensaio sobre a minha açorianidade subjacente que o desterro afina e exacerba. Antes desse dia de libertação íntima mal poderei fazer-me entender dos outros (…).

Vitorino Nemésio. Insula, n.º 7-8 (Julho-Agosto), Ponta Delgada 1932.

(...este é um gesto de um Homem livre!)

sexta-feira, maio 6

PURO PRAZER #115


Grunion Run, Byron Kim

“Se ontem tínhamos o direito de ser fatalistas por optimismo, doravante devemos ser audaciosos por pessimismo. Nesta consciência crítica perpassa um optimismo pessimista, corrijo, um pessimismo optimista (enganei-me de propósito), uma visão desoladora com um mínimo de esperança. Mas é neste desfasamento entre a idealidade e a realidade que radica o nó-górdio da condição humana. Viver o tempo como uma enriquecedora tensão entre a memória do passado e a pulsão das saudades do futuro, contrapondo à crise do historicismo a lucidez de quem está avisado de que a mesma luz que ilumina é também a luz que cega e sabe, como única certeza, que os conceitos de verdade, de realidade e de sentido têm de ser constantemente interrogados.”

Cidadania e Sociedade de Valores, Miguel Veiga. Congresso da Cidadania

(a este «naco de prosa», adiciono Più Mosso de Astor Piazzola e o desejo de um belíssimo fim-de-semana para todos!)

CHÁ COM TORRADAS #54


Os Açores e a 2.ª Guerra Mundial - Colóquio Internacional (é já amanhã)

quinta-feira, maio 5

CHÁ DAS CINCO #35

...depois da pescada e do lagostim, o golfinho. Entretanto, a solha aguarda com impaciência!

CHÁ COM TORRADAS #53

...e, no entanto, talvez prefira os que não lêem àqueles que só lêem o Paulo ou a Margarida.

PURO PRAZER #114




Miguel Gonçalves Mendes – Nós vivemos uma vida inteira cheia de amor, de ódio, de obras, de…mas o que é que fica, o que é que realmente fica de nós?
Mário Cesariny – Bom, de nós, ficam os filhos se fazes filhos, ficam livros e pinturas se escreves ou pintas, ficam esculturas, etc…Não é grande consolação…para mim não é! Porque se houvesse a eternidade era uma coisa, não é? Mas não há. Não interessa quantos milhares de anos ou milhões de anos, o planeta terra vai levar a explodir, não é? Portanto…acaba tudo por desaparecer, pronto, fsssst!É muito misterioso isto tudo, não é?
Miguel Gonçalves Mendes – Então para que é que isto serve?
Mário Cesariny – Não sei, serve para foder que é muito agradável e dá muito gozo. Serve para amar…e serve para morrer. Pronto!

Verso de Autografia/Mário Cesariny. Ed. Assírio & Alvim, 2004.

(…ou um filme em forma de livro, devidamente acompanhado pela Gymnopedie n.º 1 de Satie)

terça-feira, maio 3

CHÁ QUENTE #60

E eis senão quando, ao PROGRAMA 24:

Comentários: Francisco José Viegas, Pedro de Mendoza y Arruda e Pedro Mexia.

...a «jovem geração de pensadores açorianos» é substituída pelo clube dos amigos do «Programa que, mais do que sobre o saber, é sobre o pensar»!Parabéns conseguiram chocar-me!!!

CHÁ QUENTE #59


Skeleton decorated with animal and plant forms, Felipe Linares

Pública – Usa uma expressão de Roland Barthes (1915 – 1980) - «o grau zero da escrita» -, mas com um sentido diametralmente oposto.
Muniz Sodré – Sim, é verdade. Vejo aqui o grau zero como aniquilação e não como potencialidade. O meu grau zero não é o da escrita, como o de Barthes, mas sim o da identidade e dos valores. Abolição do tempo longo, da duração. Vivemos num tempo de empregos «part time» e relacionamentos «fast food». Todos os mecanismos de sociabilização demorados são incómodos. Quando esses laços longos de trabalho e de afectos deixam de existir, as relações são episódicas. Tudo é muito curto e efémero, seja ao nível profissional, seja ao familiar e amoroso. Tudo é muito fugaz, inclusive a emoção e o sentimento. Acho que o grotesco é um efeito da violência desse tempo que encolhe. Um tempo que se contrai para ajustar contrários (…)

Muniz Sodré, Pública, 1 de Maio de 2005.

segunda-feira, maio 2

É d'HOMEM #29

Eu decidi não convocar o referendo proposto pela Assembleia da República sobre a interrupção voluntária da gravidez porque entendi não estarem asseguradas as condições mínimas adequadas a uma participação significativa dos portugueses, e agora desenrasquem-se que vou ali e não sei se volto...

(...com sorte ainda vai a ouvir este fascinante trio, Ghost Of A Chance, Joe Lovano)

CHÁ DAS CINCO #34

Criminologia política

Crime 1:
28 de Maio de 2003 - a Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Trabalho reúne para dar parecer sobre projectos de Lei do PSD-CDS/PP, PS e BE que visavam estabelecer a limitação de mandatos. O PSD/A do sr. Cruz, sobre essa matéria, tinha a dizer o seguinte:
O PSD mostra concordância genérica com o princípio da limitação de mandatos sucessivos, que considera um importante contributo para a reforma do sistema político. Considera também que este é apenas um dos impulsos necessários para a reforma do Estado, num vasto conjunto de outras reformas necessárias, designadamente a alteração da Lei Eleitoral das Autarquias Locais.
17 de Abril de 2005 - o Dr. Álvaro Monjardino publica na União (conforme atempado destaque do Chá Verde) um artigo chamando a atenção para a inconstitucinalidade da limitação dos mandatos dos políticos regionais se feita fora do Etatuto Político-Administrativo.
20 de Abril de 2005 - O sr Cruz faz uma conferência de imprensa onde declara:
"a limitação dos mandatos dos Presidentes dos Governos Regionais é da competência exclusiva das Assembleias Legislativas. A proposta do PS não respeita a Constituição nem a Autonomia Constitucional"

Crime 2:
21 de Abril de 2005 - os srs. Amaral e Ponte assinam um requerimento na Assembleia da República sobre as emissões da RTP/A, logo o sr. Ponte era nessa data Deputado à República e o sr. Cruz Deputado Regional.
21 de Abril de 2005 - o sr. Cruz que no dia anterior esteve a dar a dita conferência de imprensa em Ponta Delgada, não comparece na Assembleia Legislativa reunida em sessão plenária na cidade da Horta.

...ficarão estes crimes sem castigo?

domingo, maio 1

PURO PRAZER #113 (Act.)


Marcello Mastroiani

...porque dia da Mãe, do Senhor Santo Cristo e do Trabalhador é quando um Homem quiser!

sábado, abril 30

CHÁ QUENTE #58



DER UNTERGANG ... 60 anos depois!

CHÁ DAS CINCO #33

...ainda a promoção dos Açores

Regra n.º 1:
Para atrair o turismo, basta proteger as obras da natureza e torná-las acessíveis a todos.
Regra n.º 2:
Para atrair o turismo, basta proteger as obras da natureza e torná-las acessíveis a todos.
Regra n.º 3:
Para atrair o turismo, basta proteger as obras da natureza e torná-las acessíveis a todos.

(...obrigado ao Courier Internacional por me ter lembrado)

sexta-feira, abril 29

PURO PRAZER #112


Buster Keaton

Jornal de Letras: É para «desencantar» que usa uma linguagem tão directa?
Gonçalo M. Tavares: Em termos de linguagem, acho que uma pessoa deve dizer o que tem a dizer e calar-se o mais rapidamente possível. Há uma responsabilidade no acto de abrir uma frase. Ou seja, antes de o fazer deve-se perguntar se tem alguma coisa para dizer. E devemos ser o mais sintéticos possível.

Entrevista no Jornal de Letras, 27 de Abril 2005

(...subsídios para o surgimento de um «Homem Novo» (Parte II), acompanhados da Variação n.º 5, das Variações Goldberg, Bach. Bom fim-de-semana)

CHÁ QUENTE #57

JORNALISTA: Diga-nos Sr. Candidato, o que o faz correr hoje à Presidência da Câmara depois da estrondosa derrota em 2001 para a Presidência da Assembleia Municipal?
CANDIDATO: Sabe, é que em 2001 eu era Eurodeputado, mas entretanto fui Secretário de Estado e Ministro.
JORNALISTA: Logo...?
CANDIDATO: Logo, sou um homem totalmente diferente!

quinta-feira, abril 28

CHÁ DAS CINCO #32

“Os Açores têm que se diferenciar de Portugal”

"A reduzida dimensão geográfica e populacional do arquipélago não determina o desenvolvimento. Uma das vantagens das novas tecnologias de informação prende-se com o facto de se poder criar novos produtos e serviços que sejam facilmente exportáveis"

António Carrapatoso, em entrevista ao Expresso da 9

(...boca santa, mas onde é que eu já li isto?)

CHÁ COM TORRADAS #52

Fala em gente com competência. Nos últimos anos, têm surgido pessoas menos competentes na política açoriana, capazes de catapultar o sistema autonómico para novos caminhos?

Penso que não, porque em algumas áreas, principalmente nas áreas executivas, temos tido manifestamente gente com grande competência. Mas, aos políticos em geral e aos deputados em particular, não se pede apenas competência técnica, pede-se mais do que isso: capacidade de decisão política, entusiasmo, clareza nos objectivos que se pretende atingir e, acima de tudo, disponibilidade.

Reis Leite numa incontornável entrevista ao Açoriano Oriental

PURO PRAZER #111


Catherine Deneuve

Antoine - ... poderá um primeiro amor tornar-se no último?

Les temps qui changent, André Téchiné

quarta-feira, abril 27

CHÁ DAS CINCO #31

Bill Viola

...uma janela, em Abril, para o surgimento do «homem novo»!

terça-feira, abril 26

PURO PRAZER #110

"... the biggest, heaviest, most radiant thing ever printed in the history of civilization."

(...porque os puros estão de volta, Money Jungle - Duke Ellington com um especial agradecimento à Mariana e ao Alexandre!)

CHÁ COM TORRADAS #51

David Scheirer

...aterro em Ponta Delgada e leio o António José: "Arte é, portanto, sexo, meus caros, mas alguém desconfiava que poderia ser outra coisa?", sorrio, o dia começa bem!

sexta-feira, abril 22

CHÁ COM TORRADAS #50

Com "Menos bananas na ilha Terceira", afinal quem é bairrista?


(...por isso o Lester left town, Wayne Shorter)

quinta-feira, abril 21

PURO PRAZER #109


Girl with a black hair, Egon Schiele

Figos

A maneira correcta de comer um figo à mesa
É parti-lo em quatro, pegando no pedúnculo,
E abri-lo para dele fazer uma flor de mel, brilhante, rósea, húmida,
desabrochada em quatro espessas pétalas.

Depois põe-se de lado a casca
Que é como um cálice quadrissépalo,
E colhe-se a flor com os lábios.

Mas a maneira vulgar
É pôr a boca na fenda, e de um sorvo só aspirar toda a carne.

Cada fruta tem o seu segredo.
O figo é uma fruta muito secreta.
Quando se vê como desponta direito, sente-se logo que é simbólico:
Parece masculino.
Mas quando se conhece melhor, pensa-se como os romanos que é
uma fruta feminina.

Os italianos apelidam de figo os órgãos sexuais da fêmea:
A fenda, o yoni,
Magnífica via húmida que conduz ao centro.
Enredada,
Inflectida,
Florescendo toda para dentro com suas fibras matriciais;
Com um orifício apenas.

O figo, a ferradura, a flor da abóbora.
Símbolos.

Era uma flor que brotava para dentro, para a matriz;
Agora é uma fruta, a matriz madura.

Foi sempre um segredo.
E assim deveria ser, a fêmea deveria manter-se para sempre
secreta.

Nunca foi evidente, expandida num galho
Como outras flores, numa revelação de pétalas;
Rosa-prateado das flores do pessegueiro, verde vidraria veneziana
das flores da nespereira e da sorveira,
Taças de vinho pouco profundas em curtos caules túmidos,
Clara promessa do paraíso:
Ao espinheiro florido! À Revelação!
A corajosa, a aventurosa rosácea.

Dobrado sobre si mesmo, indizível segredo,
A seiva leitosa que coalha o leite quando se faz a ricotta,
Seiva tão estranhamente impregnando os dedos que afugenta as
próprias cabras;

Dobrado sobre si mesmo, velado como uma mulher muçulmana,
A nudez oculta, a floração para sempre invisível,

Apenas uma estreita via de acesso, cortinas corridas diante da luz;
Figo, fruta do mistério feminino, escondida e intima,
Fruta do Mediterrâneo com tua nudez coberta,
Onde tudo se passa no invisível, floração e fecundação, e maturação
Na intimidade mais profunda, que nenhuns olhos conseguem
devassar
Antes que tudo acabe, e demasiado madura te abras entregando
a alma.

Até que a gota da maturidade exsude,
E o ano chegue ao fim.

O figo guardou muito tempo o seu segredo.
Então abre-se e vê-se o escarlate através da fenda.
E o figo está completo, fechou-se o ano.

Assim morre o figo, revelando o carmesim através da fenda púrpura
Como uma ferida, a exposição do segredo à luz do dia.
Como uma prostituta, a fruta aberta mostra o segredo.

Assim também morrem as mulheres.

Demasiado maduro, esgotou-se o ano,
O ano das nossas mulheres.
Demasiado maduro, esgotou-se o ano das nossas mulheres.
Foi desvendado o segredo.
E em breve tudo estará podre.

Demasiado maduro, esgotou-se o ano das nossas mulheres.

Quando no seu espírito Eva soube que estava nua
Coseu folhas de figueira para si e para o homem.
Sempre estivera nua,
Mas nunca se importara com isso antes da maçã da ciência.

Soube-o no seu espírito, e coseu folhas de figueira.
E desde então as mulheres não pararam de coser.
Agora bordam, não para esconder, mas para adornar o figo aberto.

Têm agora mais que nunca a sua nudez no espírito,
E não hão-de nunca deixar que o esqueçamos.

Agora, o segredo
Tornou-se uma afirmação através dos lábios húmidos e escarlates
Que riem perante a indignação do Senhor.

Pois quê, bom Deus! gritam as mulheres.
Muito tempo guardámos o nosso segredo.
Somos um figo maduro.
Deixa-nos abrir em afirmação.

Elas esquecem que os figos maduros não se ocultam.
Os figos maduros não se ocultam.
Figos branco-mel do Norte, negros figos de entranhas escarlates do Sul.
Os figos maduros não se ocultam, não se ocultam sob nenhum clima.
Que fazer então quando todas as mulheres do mundo se abrirem na
sua afirmação?
Quando os figos abertos se não ocultarem?

D. H. Lawrence, As Magias

...desdogmatizar (parte II)!

quarta-feira, abril 20

PURO PRAZER #108


Kneeling girl propped on her elbows, Egon Schiele

...desdogmatizar, um cocktail de Schiele e Bellini (Casta Diva ainda na voz de Mara Zampieri)

terça-feira, abril 19

CHÁ DAS CINCO #30

Notícias do Público:
"Bonés, canecas de cerveja, vários modelos e tamanhos de camisolas, pins, autocolantes e uma infindável lista de objectos com o nome e fotografia de Joseph Ratzinger podem ser comprados, via Net, no site The Cardinal Ratzinger Fan Club (www.ratzingerfanclub.com)"

...tonterias pensariam vocês, mas e agora Habemus Papam (Bento XVI)?

CHÁ QUENTE #56

E agora algo completamente diferente:

O “Seminário de Telecomunicações dos Açores” , que decorrerá na cidade de Ponta Delgada, nos próximos dias 22 e 23 de Abril.
O seminário tem por objectivo abordar o panorama das telecomunicações como um factor do desenvolvimento regional e debaterá várias temáticas relacionadas com “O papel das telecomunicações no desenvolvimento dos Açores” , “O Posicionamento dos Açores no Atlântico Norte, que mais valias?” e a “Integração na Europa e no Mundo”.

...obviamente, a não perder!!!

CHÁ COM TORRADAS #49

A propósito de aniversários aqui se reproduz o editorial do n.º 1 da "Chronica da Terceira", publicado a 14 de Abril de 1830, e distribuído este fim-de-semana, graciosamente, em edição fac-similada, por alguns jornais da Região em parceria com a Direcção Regional da Cultura:

"N'este primeiro número da nossa folha não principiaremos com enfáticos, e empolados discursos, mas sómente protestamos a todos os senhores subscriptores, que jámais nos apartaremos de seguir unicamente a verdade, isto he, de expôr as noticias que tivermos taes quaes ellas são, dando as certas como certas, e as provaveis como provaveis. Por tanto não enganaremos o público com favoraveis, e fictícias noticias, para que não passemos d'hum extremado contentamento a huma acérba desesperação, unico effeito de taes enganos, ficando-se sempre entendendo em todos os nossos números a sentença - Amicus Plato, amicus Cicerus sed magis amica veritas."

segunda-feira, abril 18

CHÁ DAS CINCO #29

Não sei porquê mas tenho impressão que isto ainda vai sobrar para nós! Cautelas e caldos de galinha...

PURO PRAZER #107


The Sleepers, Gustave Coubert

(...ao som de um dueto da Norma de Bellini, nas vozes de Mara Zampieri e Renate Behle)

domingo, abril 17

CHÁ COM TORRADAS #48

Porque quem sabe nunca esquece, Cuidadinho com a limitação... (Álvaro Monjardino).

...à atenção dos Senhores Deputados Regionais quando derem parecer sobre a proposta de lei que estabelece a limitação dos mandatos.

CHÁ QUENTE #55

Com licença... n'O Bule do Chá, ou o post que antes de o ser já o era.

sábado, abril 16

PURO PRAZER #106


Birds on wallpaper, Ghada Amer

O Cantor

Um pássaro foi atingido com um tiro na asa direita e passou por isso a voar na diagonal.
Mais tarde foi atingido na asa esquerda e viu-se obrigado a deixar de voar, utilizando apenas as duas patas para andar no chão.
Mais tarde foi atingido por uma bala na pata esquerda e passou por isso a andar na diagonal.
Uma outra bala atingiu-o, semanas depois, na pata direita, e o pássaro deixou de poder andar.
A partir desse momento dedicou-se às canções.

O Senhor Brecht, Gonçalo M. Tavares. Ed. Caminho, 2004.

(...bom fim-de-semana, em som de fundo: J.J. JOHNSON, Too Marvelous For Words, e toca a swingar)

sexta-feira, abril 15

PURO PRAZER #105


Free Money on Park Avenue, Tom Otterness

...obrigado ao Zeke e ao Tózé (tocánimaaaaaaaaaaaaar)

CHÁ COM TORRADAS #47

A Juventude Socialista de Ponta Delgada vai organizar hoje o primeiro de três debates sobre o concelho. Integrado no Fórum «Pensar Ponta Delgada», este primeiro debate, que terá lugar pelas 21h30 no Hotel de São Pedro, intitula-se «Ponta Delgada, um concelho para o século XXI».

...parabéns à JS de Ponta Delgada que assim faz um trabalho de «gente grande»!

CHÁ QUENTE #54

...e os «Messias» desceram à Blogolândia em forma de República das Faias.

quinta-feira, abril 14

PURO PRAZER #104


«Não sou nenhuma Agustina Bessa-Luís»

CHÁ DAS CINCO #28

Querem ver que tramaram o sr. Cruz?

PURO PRAZER #103


Emmanuelle Béart

Julien - Acabas de chegar ou vais sair?
Marie - Não sei!
Julien - Eu sei, vens comigo para minha casa.
Marie - Vou?
Julien - Preciso de ti. A sério!
Marie - Está bem!
Julien - Vens!?
Marie - Não penso noutra coisa.

Histoire de Marie et Julien, Jacques Rivette

(em som de fundo:El dia que mi quieras, Gardel)

quarta-feira, abril 13

terça-feira, abril 12

CHÁ QUENTE #52

Boas novas na blogolândia insular: She's back!

CHÁ DAS CINCO #27

Nós:
Expresso - Sampaio em defesa do «sim»

Eles:
Le Monde - Oú?

Le Figaro - Qui?

Nouvel Observateur - Quoi?


...é caso para dizer: MAL AGRADECIDOS!!!

É d'HOMEM #28 (Act.)

Líder do PSD/Açores, Vítor Cruz tem vindo a ser pressionado para assumir a liderança da bancada parlamentar social-democrata na Assembleia da República, mas (ainda) resiste com todas as suas forças.

PURO PRAZER #102


...continuamos com Miles (Summertime - Porgy and Bess) a ver se nos traz sol!

domingo, abril 10

PURO PRAZER #101


Kind of Blue, Miles Davis (So What)

...finalmente música, a ver quem aguenta mais: eu ou o blogue!

(Obrigado «Mestre»André)

CHÁ QUENTE #51

MÁS NOTÍCIAS PARA A BLOGOLÂNDIA INSULAR!!!

sábado, abril 9

CHÁ QUENTE #50


* respigado ao Foguetabraze

Declaração de interesses: tenho grande estima pelo Rui Lucas, considero-o o melhor jornalista (segundo os meus critérios) no activo na Região, respeito o seu trabalho e ele sabe-o, por isso estou à vontade para falar sobre a «Factos» até porque em três números ela já fez referência ao Chá Verde por duas vezes.

Quanto a mim a «Factos» ficou a meio caminho, meio carne meio peixe, jornalismo de investigação mas com notícias oficiais, buscou novos opinadores mas não evitou «velhas raposas» com 30 anos de política nas pernas, revista de política regional mas com largas páginas sobre automóveis e umas pinceladas de jet, muito pobres referências culturais e o pior do jornalismo insular com o Zéchicha companheiro das Maria Coriscas, Argolas, Alfenins…

Quanto a mim a «Factos» pode e deve melhorar…tem gente para isso, basta quererem!

CHÁ COM TORRADAS #45


Orange and Yellow, Mark Rothko

Vai ser um fim-de-semana «alaranjado», mas poucos se vão dar ao trabalho de ler o que propõe este Luís (aquele que já foi terceiro nas escolhas do partido e agora é o preferido da maioria) ou este Luís (aquele que já foi insultado e vaiado por um congresso inteiro) ou então este António (mais um D.Sebastião que pela mão da SIC daqui a dois anos chegará à liderança).
É mais fácil comprar o «peixinho» que nos vão vender pela tv e nem vamos dar conta da falta de estratégia, novidade ou de coragem que as principais moções encerram.
Nestes dias gosto de olhar as periferias onde, geralmente, se escondem as melhores moções dos congressos do PPD/PSD. É assim que quero aqui destacar duas: a do PSD/Madeira (que está sempre presente doutrinariamente ao contrário do PSD/Açores que prefere dedicar-se à caça dos lugares) e a de José Freire Antunes que julgo ser a melhor moção do Congresso.
À falta de paciência uma boa soneca no sofá também é recomendável...

sexta-feira, abril 8

PURO PRAZER #100


Big, Superamas

...Superprazer aos 100! Bom fim-de-semana!!!

quinta-feira, abril 7

PURO PRAZER #99


Danae, Klimt

[Pétala caída]

Pétala caída
Que torna de novo ao ramo:
Uma borboleta!

Afrânio Peixoto, Miçangas: poesia e folclore.

CHÁ COM TORRADAS #44

É só colocarem o esfíncter a jeito...

quarta-feira, abril 6

terça-feira, abril 5

CHÁ QUENTE #49

Não fora isto e nem ligava, mas:

4. Propostas apresentadas pelo Presidente da Comissão
Na reunião da Comissão realizada no dia 11 de Março de 2005, o Presidente apresentou à Comissão a proposta de que a Comissão, para além das matérias objecto dos ante-projectos apresentados pelo Grupos Parlamentares, pudesse apreciar os seguintes aspectos da Lei Eleitoral:

1. Criação dum novo círculo eleitoral, com a designação de “Círculo Eleitoral Fora dos Açores”, elegendo dois Deputados, no qual seriam eleitores os cidadãos eleitores residentes no estrangeiro, inscritos também no recenseamento eleitoral no território da Região Autónoma dos Açores. Relatório da Comissão Eventual para a Revisão da Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
2. Atribuição de competências à Região Autónoma dos Açores em matéria de consolidação dos cadernos eleitorais.
3. Possibilidade de grupos de cidadãos poderem apresentar candidaturas às eleições para a Assembleia Legislativa.
4. Simplificação e desburocratização do modo de exercício do voto antecipado previsto nos artigos 79º-A e seguintes da Lei Eleitoral.
5. Previsão da possibilidade de voto por via electrónica.
6. Clarificação do âmbito do artigo 9º da Lei Eleitoral, no sentido de que os candidatos que sejam Presidentes de Câmara Municipal ou que legalmente os substituam, apenas estão obrigados a suspensão de funções, que não de mandato.
7. Clarificação do conceito de “proibição de propaganda fora das assembleias de voto até à distância de 500 m”, cf. o artigo 92º da Lei Eleitoral.

No desenvolvimento dos trabalhos da Comissão, as matérias atrás elencadas não foram agendadas para debate nem objecto de qualquer iniciativa legislativa.

...então, grosso erro ou redondo engano?

segunda-feira, abril 4

PURO PRAZER #98



Tête et variations, Paul Cox

...perceberam ou querem mais um esquema?

domingo, abril 3

CHÁ COM TORRADAS #42

O Bule do Chá tem mais duas entradas:

A ESTANTE, publicada na :ILHAS #16, da qual hoje destaco:
O que há de novo no mundo contemporâneo não é o facto nem mesmo o grau de inumanidade que a persistência da fome, da doença, da total exclusão de milhões de homens de um mínimo de dignidade ou até da hipótese de sobrevivência revela, mas a constatação de que esse fenómeno coexiste com o espectáculo de uma civilização aparentemente dotada de todos os meios, de todos os poderes, para a abolir.
O Esplendor do Caos, Eduardo Lourenço.Gradiva, 2002


A NOVA MODA DAS ILHAS. BLOGOSFERA POLÍTICA (parte referente à blogosfera política açoriana no artigo do jornalista Rui Messias dedicado à blogosfera política e publicado hoje no Diário Insular)

Bom Domingo!

sábado, abril 2

CHÁ QUENTE #48



Obrigado Karol!

CHÁ COM TORRADAS #41

O «esférico» foi lançado, o Alexandre chutou para canto, o Chá Verde vai simular uma lesão.

O actual panorama autárquico é de 13 municípios para o PSD, 5 para o PS e 1 para o PP.
Considerando as máximas eleitorais autárquicas:
a) quem se recandidata ganha;
b) Um bom candidato não assegura um bom presidente e vice-versa.

Temos a dizer o seguinte:

Quanto ao PSD - Victor Cruz já anunciou que vai lutar pela recandidatura da maioria dos actuais presidentes de Câmara, procurando manter o actual acervo autárquico, ao memos tempo que lançará um ataque a dois bastiões socialistas (Horta e Angra do Heroísmo). Segundo as previsões do Chá Verde, o PSD vai perder claramente 2 Câmaras para o PS independentemente dos candidatos. Mas, consoante as candidaturas, pode perder 5 e reconquistar 1.Para o PSD/A e para a maioria dos seus actuais dirigentes este é também o tempo do tudo por tudo.

Quanto ao PS - O Chá Verde não conhece nenhuma posição pública dos órgãos oficiais do partido quanto a metas eleitorais (só isso já traduz alguma coisa). O PS ganhará seguramente mais 2 municípios (2 ao PSD), mas como já foi dito, pode conquistar até 6 sendo que 5 ao PSD, e perder mais uma autarquia para o PSD. Poder pode, não sei se o consegue ou se se vai esforçar para o conseguir.
A questão está em saber se o PS tem um Projecto Social Global para a Região ou se considera que o seu projecto se esgota ao nível dos órgãos autonómicos, recusando uma implantação local e aceitando uma Região a duas velocidades.


Quanto ao CDS/PP - As probalidades de ficar reduzido a uma freguesia são elevadas. Mas é uma evolução natural para um partido sui generis que adoptando a técnica da avestruz segue em bom ritmo para a extinção ao nível representativo.

Em suma 12 para o PSD e 7 para o PS é uma aposta que pode ser segura, mas poderá dar 10/9 ou 9/10, enfim, prognósticos só no fim do jogo...mas estes exercícios têm sempre a sua piada, quanto mais não seja para quem os faz.

PURO PRAZER #97



Hans Christian Andersen

...porque 200 anos depois hoje é dia 2 de Abril!

sexta-feira, abril 1

CHÁ QUENTE #47



...e agora Karol?

CHÁ DAS CINCO #26

Sou só eu que me incomodo, que me enfureço, que dou importância a estas coisas? Porque é que ninguém comentou que o parecer da Associação de Municípios dos Açores sobre a revisão eleitoral é, nada mais nada menos, uma apreciação do técnico superior dos quadros daquele organismo despachada favoravelmmente pela Presidente do Conselho de Admnistração?
Onde estiveram os órgãos deliberativos da AMRAA num processo fundamental como este?

PURO PRAZER #96



Alfred Brendel, dia 23 de Abril às 21h aqui ... e querem ver que dá, ... planning, planning ...

quinta-feira, março 31

POST(AL) AUTONÓMICO #9



"Creio ser a altura de encetar o processo, naturalmente longo e difícil, da racionalização do sistema. Há que eliminar os factores de irracionalidade nas estruturas institucionais tanto públicas como privadas e caminhar, através da elaboração e da execução de um plano a longo prazo, para a racionalização da própria cultura da sociedade açoriana. A nossa sociedade insular, com efeito, está afectada de complexos estruturais que a inibem de evoluir para a actualização dos padrões culturais dos sectores mais importantes, como os da economia, do ensino, da saúde, da habitação, da comunicação social e dos transportes.
É uma tarefa que ninguém fará por nós. Que os seus efeitos venham a ser induzidos como resultância e transferência da racionalização da sociedade continental portuguesa é uma previsão sem claros fundamentos.
Esta é a hora da reflexão, da avaliação, da correcção e da inovação. Ainda estamos a tempo de repensar o processo em curso e fazê-lo avançar para a institucionalização da mudança em crescimento, através dos mecanismos da inovação científica e tecnológica em cadeia e da auto-renovação dos quadros, com as consequentes sequelas nas estruturas sociais e nos padrões de cultura (…)”
“O 25 de Abril e a Autonomia dos Açores”, Professor José Enes, Conferência de 25 de Abril de 1984, in Açorianidade e Autonomia, pag. 193.


Os Açorianos deixaram de pensar? Ou de SE pensar? Ou o ruído produzido pela sociedade moderna não permite uma efectiva «inscrição» (sim José Gil outra vez) do pensamento prospectivo da colectividade no processo decisório regional?
Onde pára o «nateiro insular» de que Nemésio falava? Porque, desde 1976, à ideia mãe de autonomia apenas se acoplaram adjectivos que a diminuíram, não se conseguiu fazer evoluir o conceito de desenvolvimento harmónico para desenvolvimento integrado, à marca de ultraperiferia não se contrapôs a certeza da centralidade?
Estas questões assaltam-me e preocupam-me perante uma revisão da lei eleitoral, de «serviços mínimos», que pronuncia uma revisão do Estatuto Político-Administrativo distanciada da dinâmica e do pensamento regional, e que, dificilmente, permitirá a consagração de orientações que a Região e a Autonomia no sec. XXI obrigariam.
25 anos passados da entrada em vigor do Estatuto Político-Administrativo definitivo da Região (5 de Agosto de 1980) uma celebração condigna da data (ao contrário do que aconteceu na «envergonhada» celebração dos 25 anos da Autonomia constitucional) exige um esforço que terá, necessariamente, de passar pela discussão de perspectivas políticas futuras incontornáveis, a saber:
- Os níveis de solidariedade nacional exigíveis;
- O relacionamento entre órgãos de soberania e órgãos de governo próprio;
- A dimensão das relações externas da Região;
- A redefinição dos níveis de intervenção da administração na vida colectiva e consequente reavaliação e reestruturação administrativa regional;
- O Estatuto dos cargos políticos da Região.

Nota final: para quando o lançamento pela Assembleia Legislativa de bolsas de estudo ou de um Centro de Estudos Autonómicos (Fundação Aristides Moreira da Mota)?

Desculpem a maçada mas, a não ser assim, outros continuarão a fazer o nosso trabalho…

quarta-feira, março 30

PURO PRAZER #95


Sunflowers, Vincent Van Gogh

...porque hoje é dia 30 de Março.

CHÁ DAS CINCO #25 (Act.)

A Estante do Chá Verde na :ILHAS #16, ou onde se prova que «isto anda tudo ligado»!

CHÁ COM TORRADAS #40


The desintegration of persistence of memory, Dali

...com um abraço ao João Nuno

terça-feira, março 29

PURO PRAZER #94




Gonçalo M. Tavares (em 1488 caracteres) ... ou como devia ter sido publicado no Suplemento de Cultura do Açoriano Oriental.

CHÁ QUENTE #46

Más notícias: alguém andou a dormir, e se calhar fui eu.

segunda-feira, março 28

PURO PRAZER #93




Felizmente para nós ainda há quem se voluntarie a trabalhos Homéricos, minhas Senhoras e meus Senhores: Frederico Lourenço na Cotovia


domingo, março 27

CHÁ VERDE PURO #3


Camellia Sinensis

O Chá Verde faz hoje 6 meses, não é grande data para festejos, mas é data suficiente para se fazer pensar. Este blogue nasceu mais de uma vontade de partilha, pensamento e perspectiva do «chá» dos Açores nas suas diferentes dimensões, políticas, sócio-económicas, culturais..., do que de afirmação errática dos estados de alma do blogger, ou espelho egoísta dos seus prazeres, em que se tornou. Na verdade, sempre poderiam continuar até à eternidade os azedumes e as alegrias (não garanto que desapareçam) mas não é esse o objectivo, sequer a motivação. É assim que, sem prejuízo do contributo de quem acompanha estas linhas para o esclarecimento de qual deva ser o caminho editorial do blogue, o Chá Verde procurará recentrar-se naquilo que já escreveu julgar ser a sua obrigação de «produto dos Açores»: a análise, o fomento do debate e a busca de perspectivas futuras para a Região, dentro dos seus humildes conhecimentos e contextos. Espero que nos acompanhem...

PURO PRAZER #92


Tríptico da Ressurreição de Cristo, Hans Hemling

1 -2Na madrugada de domingo , fazendo ainda escuro, Maria Madalena foi ao túmulo e viu que a pedra tinha sido afastada da entrada. Correu logo a buscar Simão Pedro e o outro discípulo, a quem Jesus tinha muita afeição, e disse: Levaram o corpo do Senhor e não sei onde o puseram!
3 -5Pedro e o companheiro correram ao túmulo a ver. O companheiro, mais veloz que Pedro, chegou primeiro, e, baixando-se, viu o lençol pousado. Mas não entrou.
6 -7Depois, chegou Simão Pedro e entrou no túmulo, reparando também no lençol ali caído, enquanto que a ligadura que cobrira a cabeça de Jesus se encontrava dobrada a um canto.
8 -10Então, também o outro discípulo entrou e ficou convencido, porque até ali não se tinham apercebido de que as Escrituras diziam que ele tornaria a viver. E voltaram para casa.


Cristo aparece a Maria Madalena, Luca Giordano

11 -12Maria regressou ao túmulo, ficando do lado de fora a chorar. Enquanto chorava, espreitou para dentro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados à cabeceira e aos pés do local onde estivera o corpo de Jesus.
13Porque choras?, perguntaram-lhe os anjos.Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.
14Então reparou que alguém estava atrás de si. Era Jesus, mas não o reconheceu.
15Porque choras?, perguntou ele. Quem procuras? Ela pensava que fosse o jardineiro: Se foste tu que o levaste, mostra-me onde o puseste que eu vou buscá-lo.
16Maria!, disse Jesus la voltou-se para ele: Raboni!, que quer dizer meu Mestre.
17Não me toques, disse Jesus, porque ainda não subi para meu Pai. Mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.
18Maria Madalena procurou os discípulos e disse-lhes: Vi o Senhor!, dando-lhes em seguida o recado.


Pentecostes, Grão Vasco

19Naquela noite, encontravam-se os discípulos reunidos à porta fechada, com medo dos judeus, quando surgiu Jesus no meio deles dizendo: A paz seja convosco!
20Depois de os saudar, mostrou-lhes as mãos e o lado. E qual não foi a alegria deles ao verem o Senhor!
21 -23Ele tornou a falar-lhes: A paz seja convosco. Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio. E, soprando sobre eles, acrescentou: Recebam o Espírito Santo. Se perdoarem a alguém os seus pecados, perdoados ficam. Se se recusarem a perdoá-los, ficarão por perdoar.

João, Capítulo 20

sábado, março 26

PURO PRAZER #91


Cordeiro Pascal, Josefa de Óbidos

Para 6 a 8 pessoas: cortam-se em bocados regulares 2 quilos de costeletas e de sela de borrego, passam-se por farinha e alouram-se em 3 colheres de sopa de banha. À parte, alouram-se ligeiramente em mais 2 colheres de banha, 500g de cebolas cortadas em rodelas finas, 4 dentes de alho também em rodelas, 1 folha de louro e 10 grãos de pimenta preta. Estando tudo bem ligado, junta-se-lhes a carne bem loura. Rega-se com 5 dl de água a ferver, deixa-se levantar fervura e tempera-se com sal e um «golpe» de bom vinagre.
Na altura de comer, dispõem-se numa terrina fatias de pão alentejano da véspera, que se regam com o caldo, e sobre as quais se dispõe a carne. Come-se bem quente. Não esquecer a salada.


...em silêncio, mas a pensar no dia de amanhã!BOA PÁSCOA!

PURO PRAZER #90


Untitled, Keith Haring

Sinto que vou voltar-me para Ti,
para Ti – como Te descrevem e não há
que fugir, não como Te penso.
Mesmo que o que eu sinto
é que, mais tarde ou mais cedo, cairei
rendido.
Contudo sei que vou acreditar
e esquecer o resto porque é lógico
tão lógico,
tão claro que enraivece e cansa
e desconsola…
Ah, eu bem conheço que somos
racionais,
mas sempre somos nós e sermo-nos
é o haver mistérios na alma e no mundo
e o não haver necessidades de mistérios
de Ti.
Contudo sei que um dia cairei rendido
e hei-de acreditar nos dogmas
e nessa crença encontrarei a alegria
de quem contempla paredes verdadeiras
só do seu lado,
encontrarei uma alegria
de sedução poética…
(…)
Jorge de Sena, Inédito publicado no n.º 1 do Jornal de Letras.