sexta-feira, maio 13

CHÁ QUENTE #63


Gerhard Richter, Seestück (bewölkt)

Contributo: Da Filosofia

"O Mar pode ser a resposta para tudo", Pedro Arruda

quinta-feira, maio 12

PURO PRAZER #117


2046

(...os dias que passam)

quarta-feira, maio 11

CHÁ QUENTE #62

Contributo: Da Etnogenia

“(…) O que há na índole do povo dos Açores que possa licitamente atribuir-se à acção do meio, quais as transformações que este operou no moral dos portugueses que em meados do século XV se fixaram no arquipélago? (…) procurei fixar aquilo que se me afigurou mais característico no meio açoriano – o vulcanismo, a presença constante do mar, a insularidade ou isolamento do resto do mundo, a humidade do ar, a nebulosidade do céu, a temperatura oscilante entre estreitos limites, a pressão atmosférica, os vendavais e tempestades, a diferença entre ilhas e o continente pelo que respeita às condições geográficas e da paisagem, verificar ao mesmo tempo quais as qualidades morais comuns a todos os ilhéus, a sua religiosidade profunda, espírito de submissão, indolência, imaginação criadora, sentido da perfeição e do pormenor, espírito satírico, certo grau de saudosismo, talvez mais acentuado do que no continente, etc (…) ao caracterizar o modo de ser moral do povo açoriano, procurei juntar aquelas qualidades que em todos os autores que se ocuparam do assunto, mau grado as divergências que noutras manifestam, se acham indicadas. Só tive em conta aquelas que todos aceitam, quer no geral, quer a propósito de cada ilha. Mais particularmente atendi à classificação dos ilhéus em três tipos, proposta por Vitorino Nemésio numa conferência «O Açoriano e os Açores», (…) São estes tipos o micaelense, o mais trabalhador do arquipélago e também o mais diferenciado do continental, rude, industrioso, rijo e tenaz; o das «ilhas de baixo», afável, com certa manha, festeiro, indolente; e o picaroto, tomando a vida a sério, ora no mar, ora em terra, vigoroso, sadio, às vezes heróico (…)”

Luís da Silva Ribeiro, Obras. Ed. IHIT/SREC, Volume II, Pags 515 ss.

(…ora, este vosso criado, filho de micaelenses, neto de micaelenses, minhotos e faialenses, bisneto de micaelenses, minhotos, florentinos e picarotos, hoje apenas pode dizer que é Açoriano e mais tudo isto e o que quiserem que seja)

terça-feira, maio 10

PURO PRAZER #116




Tuesday Comic, porque hoje entramos numa nova dimensão, bem acompanhados com o Quebra-Nozes de Tchaikovsky

É d'HOMEM #30

Paulo Gusmão contesta a perda de algumas regalias (serviços de secretária e adjunto, por exemplo) com a sua passagem deputado independente e vai propor hoje alterações ao Regimento da Assembleia. (RDP/A)

CHÁ COM TORRADAS #55

Quando a BOGA é mais que um peixe espera-se uma boa caldeirada!

POST(AL) AUTONÓMICO #11



Primeiro Corso

(…) Tudo, para o ilhéu, se resume em longitude e apartamento. A solidão é o âmago do que está separado e distante (…) Oh, solidão das ilhas!...Conquista da terra por firmeza no pouco que se tem e por tino e recuo a tempo no muito que se deseja…Portos fechados, ilhas à vista…Entre nós e o mundo aquela porção de sal que torna incorrupto o aro da terra…Movimento e força; outras vezes tranquilidade e pasmo…Extensão…Extensão…(E, por mais que embirremos com reticências, que são espasmos tipográficos, a coisa é assim mesmo…Tem de exprimir-se nesta dose exacta de exaltação e de pouca sintaxe…) Ilhas pontiagudas naquela brutalidade oceânica que é afinal a única coisa delicada e discreta da nossa vida – o mar do nosso segredo…a volubilidade do nosso ardor que nada estanca…esta inconsciência de projectos humanos (mas desumano é o lógico, o ético, o inflexível!) . Além disso, o vapor da carreira…o boletim meteorológico (grau de humidade à saturação cem…), e o acostamento de Santos com a bandeira de saída…Oiço os rebocadores.

Vitorino Nemésio, Corsário das Ilhas. In Açorianidade e Autonomia – Páginas Escolhidas. Ed. Signo 1989.

segunda-feira, maio 9

CHÁ DAS CINCO #36

Contributo n.º 1

Da geografia: Sendo Açoriano, logo Europeu, como conceber o cunho ultraperiférico?

CHÁ QUENTE #61



“A paz mundial não poderá ser salvaguardada sem esforços criativos à altura dos perigos que a ameaçam. O contributo que uma Europa viva e organizada pode dar à civilização é indispensável para a manutenção de relações pacíficas (…) A Europa não se fará de uma só vez, nem numa construção de conjunto: far-se-á por meio de realizações concretas que criem primeiro uma solidariedade de facto (…)”

Robert Schuman, Declaração de 9 de Maio de 1950

(…pois então pensemos no que diz o sr. Schuman, em mais um dia de festa com o finale da 9.ª Sinfonia de Beethoven a ajudar-nos nessa reflexão intemporal)

sábado, maio 7

POST(AL) AUTONÓMICO #10


Açorianidade

Não sei se chego a tempo com a minha colaboração para a Insula no V centenário do descobrimento dos Açores. É uma colaboração estritamente sentimental, uma espécie de minuto de recolhimento em meia dúzia de linhas (…) Quisera poder enfeixar nesta página emotiva o essencial da minha consciência de ilhéu. Em primeiro lugar o apego à terra, este amor elementar que não conhece razões, mas impulsos; - e logo o sentimento de uma herança étnica que se relaciona intimamente com a grandeza do mar (…) Uma espécie de embriaguez do isolamento impregna a alma e os actos de todo o ilhéu, estrutura-lhe o espírito e procura uma fórmula quási religiosa de convívio com quem não teve a fortuna de nascer, como o logos, na água (…) Como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. A geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as sereias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar. Mas este simbolismo está muito longe de aludir com clareza aos segredos do ser açoriano, e mais parece um entretenimento literário do que um sério propósito de pôr o problema da nossa alma. Um dia, se me puder fechar nas minhas quatros paredes da Terceira, sem obrigações para com o mundo e com a vida civil já cumprida, tentarei um ensaio sobre a minha açorianidade subjacente que o desterro afina e exacerba. Antes desse dia de libertação íntima mal poderei fazer-me entender dos outros (…).

Vitorino Nemésio. Insula, n.º 7-8 (Julho-Agosto), Ponta Delgada 1932.

(...este é um gesto de um Homem livre!)

sexta-feira, maio 6

PURO PRAZER #115


Grunion Run, Byron Kim

“Se ontem tínhamos o direito de ser fatalistas por optimismo, doravante devemos ser audaciosos por pessimismo. Nesta consciência crítica perpassa um optimismo pessimista, corrijo, um pessimismo optimista (enganei-me de propósito), uma visão desoladora com um mínimo de esperança. Mas é neste desfasamento entre a idealidade e a realidade que radica o nó-górdio da condição humana. Viver o tempo como uma enriquecedora tensão entre a memória do passado e a pulsão das saudades do futuro, contrapondo à crise do historicismo a lucidez de quem está avisado de que a mesma luz que ilumina é também a luz que cega e sabe, como única certeza, que os conceitos de verdade, de realidade e de sentido têm de ser constantemente interrogados.”

Cidadania e Sociedade de Valores, Miguel Veiga. Congresso da Cidadania

(a este «naco de prosa», adiciono Più Mosso de Astor Piazzola e o desejo de um belíssimo fim-de-semana para todos!)

CHÁ COM TORRADAS #54


Os Açores e a 2.ª Guerra Mundial - Colóquio Internacional (é já amanhã)

quinta-feira, maio 5

CHÁ DAS CINCO #35

...depois da pescada e do lagostim, o golfinho. Entretanto, a solha aguarda com impaciência!

CHÁ COM TORRADAS #53

...e, no entanto, talvez prefira os que não lêem àqueles que só lêem o Paulo ou a Margarida.

PURO PRAZER #114




Miguel Gonçalves Mendes – Nós vivemos uma vida inteira cheia de amor, de ódio, de obras, de…mas o que é que fica, o que é que realmente fica de nós?
Mário Cesariny – Bom, de nós, ficam os filhos se fazes filhos, ficam livros e pinturas se escreves ou pintas, ficam esculturas, etc…Não é grande consolação…para mim não é! Porque se houvesse a eternidade era uma coisa, não é? Mas não há. Não interessa quantos milhares de anos ou milhões de anos, o planeta terra vai levar a explodir, não é? Portanto…acaba tudo por desaparecer, pronto, fsssst!É muito misterioso isto tudo, não é?
Miguel Gonçalves Mendes – Então para que é que isto serve?
Mário Cesariny – Não sei, serve para foder que é muito agradável e dá muito gozo. Serve para amar…e serve para morrer. Pronto!

Verso de Autografia/Mário Cesariny. Ed. Assírio & Alvim, 2004.

(…ou um filme em forma de livro, devidamente acompanhado pela Gymnopedie n.º 1 de Satie)

terça-feira, maio 3

CHÁ QUENTE #60

E eis senão quando, ao PROGRAMA 24:

Comentários: Francisco José Viegas, Pedro de Mendoza y Arruda e Pedro Mexia.

...a «jovem geração de pensadores açorianos» é substituída pelo clube dos amigos do «Programa que, mais do que sobre o saber, é sobre o pensar»!Parabéns conseguiram chocar-me!!!

CHÁ QUENTE #59


Skeleton decorated with animal and plant forms, Felipe Linares

Pública – Usa uma expressão de Roland Barthes (1915 – 1980) - «o grau zero da escrita» -, mas com um sentido diametralmente oposto.
Muniz Sodré – Sim, é verdade. Vejo aqui o grau zero como aniquilação e não como potencialidade. O meu grau zero não é o da escrita, como o de Barthes, mas sim o da identidade e dos valores. Abolição do tempo longo, da duração. Vivemos num tempo de empregos «part time» e relacionamentos «fast food». Todos os mecanismos de sociabilização demorados são incómodos. Quando esses laços longos de trabalho e de afectos deixam de existir, as relações são episódicas. Tudo é muito curto e efémero, seja ao nível profissional, seja ao familiar e amoroso. Tudo é muito fugaz, inclusive a emoção e o sentimento. Acho que o grotesco é um efeito da violência desse tempo que encolhe. Um tempo que se contrai para ajustar contrários (…)

Muniz Sodré, Pública, 1 de Maio de 2005.

segunda-feira, maio 2

É d'HOMEM #29

Eu decidi não convocar o referendo proposto pela Assembleia da República sobre a interrupção voluntária da gravidez porque entendi não estarem asseguradas as condições mínimas adequadas a uma participação significativa dos portugueses, e agora desenrasquem-se que vou ali e não sei se volto...

(...com sorte ainda vai a ouvir este fascinante trio, Ghost Of A Chance, Joe Lovano)

CHÁ DAS CINCO #34

Criminologia política

Crime 1:
28 de Maio de 2003 - a Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Trabalho reúne para dar parecer sobre projectos de Lei do PSD-CDS/PP, PS e BE que visavam estabelecer a limitação de mandatos. O PSD/A do sr. Cruz, sobre essa matéria, tinha a dizer o seguinte:
O PSD mostra concordância genérica com o princípio da limitação de mandatos sucessivos, que considera um importante contributo para a reforma do sistema político. Considera também que este é apenas um dos impulsos necessários para a reforma do Estado, num vasto conjunto de outras reformas necessárias, designadamente a alteração da Lei Eleitoral das Autarquias Locais.
17 de Abril de 2005 - o Dr. Álvaro Monjardino publica na União (conforme atempado destaque do Chá Verde) um artigo chamando a atenção para a inconstitucinalidade da limitação dos mandatos dos políticos regionais se feita fora do Etatuto Político-Administrativo.
20 de Abril de 2005 - O sr Cruz faz uma conferência de imprensa onde declara:
"a limitação dos mandatos dos Presidentes dos Governos Regionais é da competência exclusiva das Assembleias Legislativas. A proposta do PS não respeita a Constituição nem a Autonomia Constitucional"

Crime 2:
21 de Abril de 2005 - os srs. Amaral e Ponte assinam um requerimento na Assembleia da República sobre as emissões da RTP/A, logo o sr. Ponte era nessa data Deputado à República e o sr. Cruz Deputado Regional.
21 de Abril de 2005 - o sr. Cruz que no dia anterior esteve a dar a dita conferência de imprensa em Ponta Delgada, não comparece na Assembleia Legislativa reunida em sessão plenária na cidade da Horta.

...ficarão estes crimes sem castigo?

domingo, maio 1

PURO PRAZER #113 (Act.)


Marcello Mastroiani

...porque dia da Mãe, do Senhor Santo Cristo e do Trabalhador é quando um Homem quiser!