terça-feira, março 15

PURO PRAZER #76




Sem futuro

A mulher cerca um homenzinho colérico
Que não quer dormir nem sonhar mas conhecer
E que se recusa a morrer sem amar tudo

Mulherzinha paciente tu o serenas
E tu o enlouqueces seguindo a natureza da tua carne

És o peso sobre o seu coração e uma pluma sobre o corpo dele
No escuro temível tu o imobilizas
Sem futuro é o futuro da vida dele.

Últimos Poemas de Amor, Paul Éluard

É d'HOMEM #26

"Chamem-me o que quiserem"

Ora bem, já restam poucos, deixa cá ver na enciclopédia...

segunda-feira, março 14

CHÁ QUENTE #40

No país hipócrita à terça condecoram-se 30 mulheres e ao sábado indigitam-se 6 para um governo de 52 elementos...

CHÁ COM TORRADAS #38


...depois não digam que não avisei!

sexta-feira, março 11

PURO PRAZER #75




12.
De qualquer modo dança.
De qualquer modo sente.
De qualquer modo o corpo contém o dia.
De qualquer modo as cores e o Músculo.
De qualquer modo o coração.
De qualquer modo sempre no Fundo a Memória.
Mas de qualquer modo sem TEORIAS.
De qualquer modo com a teoria da poética que é não existir teoria e só existir poética
De qualquer modo a ciência atrapalha 1 pouco mas não totalmente.
De qualquer modo Curiosidade.
De qualquer modo coleccionar montanhas.
De qualquer modo acabar quando o ritmo exige que se continue
o ritmo exige coisas a que não devemos aceitar obedecer ser escravos.
13
De qualquer modo a dança é imaginar música Produzida pelo corpo
a ser entendida de maneira calma pelos Mortos e pelo céu.

Livro da Dança, Gonçalo M. Tavares. Assírio & ALvim, 2001.

quinta-feira, março 10

PURO PRAZER #74


House of Flying Daggers, Zhang Yimou

(liguem o áudio)

CHÁ DAS CINCO #24

E agora algo completamente diferente:

Sócrates assume dossiês das autonomias

CHÁ QUENTE #39 (Act.)

ABAIXO ASSINADO

Senhores Deputados Regionais membros da Comissão Eventual para a Revisão do Sistema Eleitoral.
Excelências,
sabendo que amanhã dia 11 reunirão para análise das propostas de revisão da lei eleitoral e para avaliação dos contributos que os nossos concidadãos deram para essa revisão, exorto V.Ex.as a serem, nas palavras do Almada, «Homens e Mulheres do nosso tempo» e a considerarem, não se limitando a meras quantificações do sistema, o seguinte:
- A possibilidade de candidaturas de listas independentes à Assembleia Legislativa;
- A obrigação de listas paritárias para os lugares elegíveis;
- A clarificação do artigo 8.º da lei impondo a suspensão do mandato aos autarcas;
- A possibilidade de em 2008 se já se poder votar electronicamente;
- A possibilidade da Região assegurar competências em matéria de consolidação dos cadernos eleitorais.


Mui Atenciosamente
Guilherme Tavares Marinho
Pedro de Mendoza y Arruda Oliveira Rodrigues

quarta-feira, março 9

PURO PRAZER #73


Pentesileia & Aquiles

“Pentesileia: (…) Quero vê-lo prostrado aos meus pés, revolvendo-se no pó, a esse petulante que, neste dia de combates gloriosos, me veio perturbar, como ninguém o fizera o entusiasmo guerreiro. Será essa a triunfadora, a terrível, a orgulhosa rainha das Amazonas, de quem brônzea couraça que lhe reveste o peito reflecte a imagem, quando dele me aproximo? Acaso não me sinto eu, amaldiçoada por todos os deuses, à vista deste herói, e só dele, precisamente quando o exército dos Gregos foge em debandada à minha frente, como paralisada, ferida no mais íntimo de mim – eu, vencida, derrotada? E se não tenho seio, onde a sede do sentimento que me deixa prostrada? Quero precipitar-me de novo no tumulto da batalha, onde ele me aguarda com um sorriso, um sorriso trocista, e vencê-lo, ou, então, morrer!”

Pentesileia, Heinrich von Kleist. Porto Editora, 2003

(Para perpetuar a raça, as Amazonas têm de unir-se aos guerreiros a quem vençam em combate, mas o amor está-lhes vedado. No entanto, quando o exército das Amazonas investe pelo meio da guerra de Tróia, confundindo gregos e Troianos, a Rainha deixa-se apaixonar pelo Herói seu inimigo. A luta amorosa e o amor da luta projectam-se num cenário pressago e electrizante, que realça a grandeza selvagem e incomparável da obra-prima de Kleist, o qual, contrariando a lenda, faz Aquiles morrer às mãos da amada, capaz, simultaneamente, da doçura mais feminina e da mais louca e crua violência.)

É d'HOMEM #25

Ao percebermos, a propósito de formas de subalternização social que continuam a atingir mais de metade da Humanidade, que as suas manifestações só a custo conseguem atingir lugares de destaque na hierarquia dos problemas considerados como politicamente relevantes – então há boas razões para admitirmos que algo de fundamental tem de ser mudado nos modos de organização dos sistemas políticos. Não é justo nem razoável que persistam enviesamentos masculinocêntricos tão acentuados na selecção das questões políticas agendáveis.

Discurso do Presidente da República nas comemorações do dia Internacional da Mulher.

terça-feira, março 8

PURO PRAZER #72


Ava Gardner

A essa que dizem fria

Não serás a mais amorosa
Das que a carne me tocaram;
Nem quiçá a mais capitosa
Das mulheres que me alegraram

Mas assim te adoro, à mesma!
Teu corpo, aliás doce e fino,
É, na sua calma extrema,
Tão cheio e feminino,

Tem tal volúpia indizível,
Desde o pé, horas beijado,
Ao êxtase do olhar incrível,
Já, porém, apaziguado;

Desde a perna e desde o ventre
Tenrinhos, e o tenro, velo,
Passando pelo cheiro quente
A ostras frescas, tão belo,

À secreta coisinha rósea
Mal sombreada d’oiro fluido
Aberta numa apoteose
Ao meu desejo rouco e mudo;

Té à maminha inda em botão
De miss já na puberdade,
Té ao pescoço altivo e são,
De tão grácil venusidade,

Até à espádua reluzente,
Até à boca, até à testa,
Cândida face inda inocente
Qu’a sua vida, enfim, contesta,

Té ao cabelo curto e frisado
Como o cabelo dalgum rapaz,
Mas que nos leva no ondeado,
Naquele seu jeito de tanto faz;

Passando pla dolente espinha,
Dorso fagueiro, o capitel
Dum cu excelente, branco – divina
Redondez digna do teu cinzel,

Brando Canova! – à coxa dura
A qual desejo inda saudar,
E ao tornozelo, firme doçura,
E ao oiro e rosa do calcanhar!

Foi nosso enlace incoercível?
Não deixou, ah, de ter sabor.
Seria o nosso ardor terrível?
Mas teve chama, teve fulgor.

Pode ser Fresca, mas não é Fria
Quem me deixou a sensação
De ser «a sério», e que alegria,
Uma melhor masturbação.

Hombres e algumas mulheres, Paul Verlaine. Assírio&Alvim, 2002.

(...para um ano inteiro dedicado a elas, escolha a sua Classic Babe diariamente)

segunda-feira, março 7

PURO PRAZER #71


"Rabosódia"

"(...)
Maria João Seixas - Nesta sala, se eu olhar em volta e me fixar naquele particular torso de mulher, pergunto: o modelo é real e foi ele quem te convocou a trabalhar esta forma na pedra? Ou quiseste registar, para além da forma específica do modelo, a essência de um corpo feminino?
João Cutileiro - Naquela peça, como em muitas outras, tentei registar a essência do corpo daquela mulher. Aquela mulher foi a pessoa que eu vi e cujo corpo me convidou a fazer o registo. Há outras peças que são muito mais um resultado acumulado de várias situações, memórias, coisas soltas, como as rabosódias de corpos.
MJS - Rabosódias? Estás a falar-me de uma fase em que esculpias, quase sem pausa, sucessivos rabos?
JC - Ah sim, não foi uma fase que lá vai, continuo a reconhecer no tema dos rabos um tema muito bem-vindo. Gostaria mesmo de ter uma grande "cuoteca". O volume do rabo tem uma carga, para mim, muito forte, o que é natural em escultura.
(...)
MJS - Mas na escultura, campo de batalha da tua principal gesta, a mulher, e a consagração do seu corpo, continua a ser o que mais te leva a querer "dar a ver"?
JC - Claro. Ainda faço guerreiros, ainda faço árvores e flores, mas a mulher tem vindo sempre ao de cima. Parece óbvio, não é? Gosto tanto de mulheres! Tenho pena de não saber fazer escultura sobre comida, ainda fiz peixes, mas registar um bom bife em mármore não consigo.
(...)"

In Pública, 6 de Março de 2005.

É d'HOMEM #24

António Vitorino justifica que são muitas as razões que o levaram a recusar pertencer ao Executivo, a primeira delas pessoal. "Não gostei de ser ministro, ninguém acredita mas é verdade. Foi uma experiência enriquecedora, mas não gostei. Prefiro servir o país como parlamentar".

...e agora? Se um homem recebeu um mandato do povo para ir para o Parlamento tem mais algum dever, ético e político, para com esse mesmo povo que o obrigue a integrar o Governo? Penso que não...desde que cumpra o seu mandato parlamentar até ao fim!

sexta-feira, março 4

PURO PRAZER #70


Sentadita...

...passos de Tango e não só, num sítio de interesse nacional! Imperdível, bom fim-de-semana!

CHÁ COM TORRADAS #37

Notas Matinais:

Nota 1- após 5 anos de estudo profundo e dedicação inigualável o PSD/A chega à conclusão que a melhor revisão do sistema eleitoral é a que aumenta em 3 deputados em smiguel e um na terceira. Brilhante, único, estruturante...em suma, o ovo de colombo!Mais alega que a proposta do PS/A é de duvidosa constitucionalidade e que vai pedir pareceres. Ora resta-me colocar o seguinte desafio à comissão eventual para a revisão do sistema eleitoral:
Peçam pareceres sobre a constitucionalidade da proposta do PS/A a constitucionalistas verdadeiramente independentes e reputados! Caso a resposta seja negativa quanto à inconstitucionalidade o PSD/A tem o dever político e ético de aprovar a proposta do PS/A por ser aquela que verdadeiramente resolve a questão da ilegitimidade democrática de um parlamento que não espelhe o voto popular.

Nota 2- A cidade envernizada.
Com papas e bolos
se enganam tolos
trálárá
Lá vão eles para o Hiper
trálárá
Chamem-lhes tolos, chamem-lhes tolos
Lá vão eles para o Parque Atlântico
trálárá
Chamem-lhes tolos, chamem-lhes tolos
Lá vão eles para o Coliseu
trálárá
Chamem-lhes tolos, chamem-lhes tolos
Com papas e bolos
se enganam tolos
trálárá

Após 8 anos de «legado urbanístico» do sr Arruda e mais 4 de «legado contabilístico» da sra. Cabral (verdadeiras heranças das perspectivas de desenvolvimento motamaralista) o PS/A tem o dever político e ético de apresentar uma primeira figura para a disputa autárquica de Outubro próximo, conjuntamente com um projecto integrado para o desenvolvimento do Concelho, claro nos objectivos, preciso nos meios.

Nota 3 - Ah menino-guerreiro... és o nosso entertainer! Qual Gato-Fedorento qual carapuça...

quinta-feira, março 3

CHÁ DAS CINCO #23 (Act.)


...pequeno!
(...mas mais pequeno ainda poderia ser apresentar um ante-projecto de lei, anexar-lhe a martelo uma alteração ao Estatuto Político-Administrativo e conseguir que não seja liminarmente indeferida!)

É d'HOMEM #23

GIRLS GIRLS GIRLS ou «As mulheres portuguesas são parvas», por Maria Filomena Mónica

BOYS BOYS BOYS ou «O novo governo e os "boys" do anterior», por Vital Moreira

CHÁ COM TORRADAS #36

Táctica n.º 1 - não ter idéias mas criticar sempre e militantemente as dos outros.

Táctica n.º 2 - não ter idéias e usurpar as dos outros.

terça-feira, março 1

POST(AL) AUTONÓMICO #8

Sempre são 110 anos, como amanhã devo andar por aqui, faltando-me o lastro e a verve do Carlos, deixo-vos isto, em jeito de celebração:

«Senhor. – São conhecidas as vivas e instantes reclamações dos povos de um dos distritos açorianos, no sentido do restabelecimento das juntas geraes, com largas attribuições e faculades. A distancia a que ficam do continente, e portanto, do poder central, e a pouca frequência das communicações, são, com effeito, circumstancias especiaes e ponderosas que explicam e legitimam esta aspiração, a que por motivos de interesse público o governo julga conveniente attender no seguinte projecto de decreto, que tem a honra de submetter á aprovação de Vossa Magestade.
A título de ensaio ou experiência, formulámos este diploma de carácter excepcional no systema das nossas instituições administrativas; e as suas disposições só poderão ter execução em qualquer dos districtos açorianos, se assim for requerido por dois terços, pelo menos, dos cidadãos elegíveis para cargos administrativos.
Pareceu-nos opportuno fazer preceder por essa solemne affirmação da vontade da maioria dos cidadãos a applicação de um regímen que só na zelosa e porfiada iniciativa das actividades locaes póde ter garantias de utilidade e de efficacia para o bem-estar e prosperidade dos povos. Assim a realidade pratica venha a corresponder ás confiadas esperanças dos que reclamam esta providencia, e aos sinceros sentimentos que animam o governo em favor de povos a que a pátria commum deve tão assignalados e gloriosos serviços. (…)»


Preâmbulo do Decreto de 2 de Março de 1895. In A Autonomia dos Açores na Legislação Portuguesa 1892-1947. José Guilherme Reis Leite. Horta 1987.

CHÁ COM TORRADAS #35


John Batho

Pedidos para me tornar um homem melhor:
- Por favor, torna-te mais claro!