quarta-feira, março 9

PURO PRAZER #73


Pentesileia & Aquiles

“Pentesileia: (…) Quero vê-lo prostrado aos meus pés, revolvendo-se no pó, a esse petulante que, neste dia de combates gloriosos, me veio perturbar, como ninguém o fizera o entusiasmo guerreiro. Será essa a triunfadora, a terrível, a orgulhosa rainha das Amazonas, de quem brônzea couraça que lhe reveste o peito reflecte a imagem, quando dele me aproximo? Acaso não me sinto eu, amaldiçoada por todos os deuses, à vista deste herói, e só dele, precisamente quando o exército dos Gregos foge em debandada à minha frente, como paralisada, ferida no mais íntimo de mim – eu, vencida, derrotada? E se não tenho seio, onde a sede do sentimento que me deixa prostrada? Quero precipitar-me de novo no tumulto da batalha, onde ele me aguarda com um sorriso, um sorriso trocista, e vencê-lo, ou, então, morrer!”

Pentesileia, Heinrich von Kleist. Porto Editora, 2003

(Para perpetuar a raça, as Amazonas têm de unir-se aos guerreiros a quem vençam em combate, mas o amor está-lhes vedado. No entanto, quando o exército das Amazonas investe pelo meio da guerra de Tróia, confundindo gregos e Troianos, a Rainha deixa-se apaixonar pelo Herói seu inimigo. A luta amorosa e o amor da luta projectam-se num cenário pressago e electrizante, que realça a grandeza selvagem e incomparável da obra-prima de Kleist, o qual, contrariando a lenda, faz Aquiles morrer às mãos da amada, capaz, simultaneamente, da doçura mais feminina e da mais louca e crua violência.)

É d'HOMEM #25

Ao percebermos, a propósito de formas de subalternização social que continuam a atingir mais de metade da Humanidade, que as suas manifestações só a custo conseguem atingir lugares de destaque na hierarquia dos problemas considerados como politicamente relevantes – então há boas razões para admitirmos que algo de fundamental tem de ser mudado nos modos de organização dos sistemas políticos. Não é justo nem razoável que persistam enviesamentos masculinocêntricos tão acentuados na selecção das questões políticas agendáveis.

Discurso do Presidente da República nas comemorações do dia Internacional da Mulher.

terça-feira, março 8

PURO PRAZER #72


Ava Gardner

A essa que dizem fria

Não serás a mais amorosa
Das que a carne me tocaram;
Nem quiçá a mais capitosa
Das mulheres que me alegraram

Mas assim te adoro, à mesma!
Teu corpo, aliás doce e fino,
É, na sua calma extrema,
Tão cheio e feminino,

Tem tal volúpia indizível,
Desde o pé, horas beijado,
Ao êxtase do olhar incrível,
Já, porém, apaziguado;

Desde a perna e desde o ventre
Tenrinhos, e o tenro, velo,
Passando pelo cheiro quente
A ostras frescas, tão belo,

À secreta coisinha rósea
Mal sombreada d’oiro fluido
Aberta numa apoteose
Ao meu desejo rouco e mudo;

Té à maminha inda em botão
De miss já na puberdade,
Té ao pescoço altivo e são,
De tão grácil venusidade,

Até à espádua reluzente,
Até à boca, até à testa,
Cândida face inda inocente
Qu’a sua vida, enfim, contesta,

Té ao cabelo curto e frisado
Como o cabelo dalgum rapaz,
Mas que nos leva no ondeado,
Naquele seu jeito de tanto faz;

Passando pla dolente espinha,
Dorso fagueiro, o capitel
Dum cu excelente, branco – divina
Redondez digna do teu cinzel,

Brando Canova! – à coxa dura
A qual desejo inda saudar,
E ao tornozelo, firme doçura,
E ao oiro e rosa do calcanhar!

Foi nosso enlace incoercível?
Não deixou, ah, de ter sabor.
Seria o nosso ardor terrível?
Mas teve chama, teve fulgor.

Pode ser Fresca, mas não é Fria
Quem me deixou a sensação
De ser «a sério», e que alegria,
Uma melhor masturbação.

Hombres e algumas mulheres, Paul Verlaine. Assírio&Alvim, 2002.

(...para um ano inteiro dedicado a elas, escolha a sua Classic Babe diariamente)

segunda-feira, março 7

PURO PRAZER #71


"Rabosódia"

"(...)
Maria João Seixas - Nesta sala, se eu olhar em volta e me fixar naquele particular torso de mulher, pergunto: o modelo é real e foi ele quem te convocou a trabalhar esta forma na pedra? Ou quiseste registar, para além da forma específica do modelo, a essência de um corpo feminino?
João Cutileiro - Naquela peça, como em muitas outras, tentei registar a essência do corpo daquela mulher. Aquela mulher foi a pessoa que eu vi e cujo corpo me convidou a fazer o registo. Há outras peças que são muito mais um resultado acumulado de várias situações, memórias, coisas soltas, como as rabosódias de corpos.
MJS - Rabosódias? Estás a falar-me de uma fase em que esculpias, quase sem pausa, sucessivos rabos?
JC - Ah sim, não foi uma fase que lá vai, continuo a reconhecer no tema dos rabos um tema muito bem-vindo. Gostaria mesmo de ter uma grande "cuoteca". O volume do rabo tem uma carga, para mim, muito forte, o que é natural em escultura.
(...)
MJS - Mas na escultura, campo de batalha da tua principal gesta, a mulher, e a consagração do seu corpo, continua a ser o que mais te leva a querer "dar a ver"?
JC - Claro. Ainda faço guerreiros, ainda faço árvores e flores, mas a mulher tem vindo sempre ao de cima. Parece óbvio, não é? Gosto tanto de mulheres! Tenho pena de não saber fazer escultura sobre comida, ainda fiz peixes, mas registar um bom bife em mármore não consigo.
(...)"

In Pública, 6 de Março de 2005.

É d'HOMEM #24

António Vitorino justifica que são muitas as razões que o levaram a recusar pertencer ao Executivo, a primeira delas pessoal. "Não gostei de ser ministro, ninguém acredita mas é verdade. Foi uma experiência enriquecedora, mas não gostei. Prefiro servir o país como parlamentar".

...e agora? Se um homem recebeu um mandato do povo para ir para o Parlamento tem mais algum dever, ético e político, para com esse mesmo povo que o obrigue a integrar o Governo? Penso que não...desde que cumpra o seu mandato parlamentar até ao fim!

sexta-feira, março 4

PURO PRAZER #70


Sentadita...

...passos de Tango e não só, num sítio de interesse nacional! Imperdível, bom fim-de-semana!

CHÁ COM TORRADAS #37

Notas Matinais:

Nota 1- após 5 anos de estudo profundo e dedicação inigualável o PSD/A chega à conclusão que a melhor revisão do sistema eleitoral é a que aumenta em 3 deputados em smiguel e um na terceira. Brilhante, único, estruturante...em suma, o ovo de colombo!Mais alega que a proposta do PS/A é de duvidosa constitucionalidade e que vai pedir pareceres. Ora resta-me colocar o seguinte desafio à comissão eventual para a revisão do sistema eleitoral:
Peçam pareceres sobre a constitucionalidade da proposta do PS/A a constitucionalistas verdadeiramente independentes e reputados! Caso a resposta seja negativa quanto à inconstitucionalidade o PSD/A tem o dever político e ético de aprovar a proposta do PS/A por ser aquela que verdadeiramente resolve a questão da ilegitimidade democrática de um parlamento que não espelhe o voto popular.

Nota 2- A cidade envernizada.
Com papas e bolos
se enganam tolos
trálárá
Lá vão eles para o Hiper
trálárá
Chamem-lhes tolos, chamem-lhes tolos
Lá vão eles para o Parque Atlântico
trálárá
Chamem-lhes tolos, chamem-lhes tolos
Lá vão eles para o Coliseu
trálárá
Chamem-lhes tolos, chamem-lhes tolos
Com papas e bolos
se enganam tolos
trálárá

Após 8 anos de «legado urbanístico» do sr Arruda e mais 4 de «legado contabilístico» da sra. Cabral (verdadeiras heranças das perspectivas de desenvolvimento motamaralista) o PS/A tem o dever político e ético de apresentar uma primeira figura para a disputa autárquica de Outubro próximo, conjuntamente com um projecto integrado para o desenvolvimento do Concelho, claro nos objectivos, preciso nos meios.

Nota 3 - Ah menino-guerreiro... és o nosso entertainer! Qual Gato-Fedorento qual carapuça...

quinta-feira, março 3

CHÁ DAS CINCO #23 (Act.)


...pequeno!
(...mas mais pequeno ainda poderia ser apresentar um ante-projecto de lei, anexar-lhe a martelo uma alteração ao Estatuto Político-Administrativo e conseguir que não seja liminarmente indeferida!)

É d'HOMEM #23

GIRLS GIRLS GIRLS ou «As mulheres portuguesas são parvas», por Maria Filomena Mónica

BOYS BOYS BOYS ou «O novo governo e os "boys" do anterior», por Vital Moreira

CHÁ COM TORRADAS #36

Táctica n.º 1 - não ter idéias mas criticar sempre e militantemente as dos outros.

Táctica n.º 2 - não ter idéias e usurpar as dos outros.

terça-feira, março 1

POST(AL) AUTONÓMICO #8

Sempre são 110 anos, como amanhã devo andar por aqui, faltando-me o lastro e a verve do Carlos, deixo-vos isto, em jeito de celebração:

«Senhor. – São conhecidas as vivas e instantes reclamações dos povos de um dos distritos açorianos, no sentido do restabelecimento das juntas geraes, com largas attribuições e faculades. A distancia a que ficam do continente, e portanto, do poder central, e a pouca frequência das communicações, são, com effeito, circumstancias especiaes e ponderosas que explicam e legitimam esta aspiração, a que por motivos de interesse público o governo julga conveniente attender no seguinte projecto de decreto, que tem a honra de submetter á aprovação de Vossa Magestade.
A título de ensaio ou experiência, formulámos este diploma de carácter excepcional no systema das nossas instituições administrativas; e as suas disposições só poderão ter execução em qualquer dos districtos açorianos, se assim for requerido por dois terços, pelo menos, dos cidadãos elegíveis para cargos administrativos.
Pareceu-nos opportuno fazer preceder por essa solemne affirmação da vontade da maioria dos cidadãos a applicação de um regímen que só na zelosa e porfiada iniciativa das actividades locaes póde ter garantias de utilidade e de efficacia para o bem-estar e prosperidade dos povos. Assim a realidade pratica venha a corresponder ás confiadas esperanças dos que reclamam esta providencia, e aos sinceros sentimentos que animam o governo em favor de povos a que a pátria commum deve tão assignalados e gloriosos serviços. (…)»


Preâmbulo do Decreto de 2 de Março de 1895. In A Autonomia dos Açores na Legislação Portuguesa 1892-1947. José Guilherme Reis Leite. Horta 1987.

CHÁ COM TORRADAS #35


John Batho

Pedidos para me tornar um homem melhor:
- Por favor, torna-te mais claro!

segunda-feira, fevereiro 28

CHÁ COM TORRADAS #34

O 24h do Expresso de sábado informava que 6 dos 7 eurodeputados do PSD, entre os quais o sr. Freitas, já tinham manifestado o seu apoio à candidatura do sr. Mendes à liderança do partido. Ora, se bem me recordo o PSD/A apoiou o sr. Lopes e não o sr. Mendes na liderança do partido e até viu o seu líder alcandorado a uma vice-presidência. Sabendo-se que a estrutura regional ainda não manifestou oficialmente a sua posição e sabendo-se que o sr. Freitas é vice-presidente da mesma, estaremos perante um acto de rebeldia ou um atropelo de funções? E se aparecer uma 3.ª via?

quinta-feira, fevereiro 24

PURO PRAZER #69



Mensagem de António a Cleópatra
I
Outros teçam louvores à tua adormecida beleza,
à suavidade da tua pele em repouso
à medida perfeição dos teus membros.
Eu não vim a isso,
vim apenas para te penetrar pelo peito e pelas costas,
como um punhal atravessa a água transparente
e se afunda e se perde no poço sombrio.

Mensagem de Cleópatra a António
II
Não teças louvores à minha beleza,
outros já o fizeram.
Penetra-me pelo peito e pelas costas
faz-me sentir a vida na cintura e que, enlaçados,
o teu corpo e o meu possam deter a fúria atroz do tempo.
Mas se chegar um dia em que o tempo nos alcance,
não te lamentes, estúpido bêbado,
e cai com coragem nesse poço sombrio.

Juan Luis Panero, Poemas. Relógio d'Água, 2003.

terça-feira, fevereiro 22

PURO PRAZER #68


Brigitte Bardot

Ficas toda perfumada de passar por baixo do vento que vem do lado reluzente das laranjeiras.
E crepitam-se as pontas dos dedos ao supor-te no escuro.
Queimavas-me junto às unhas. E a queimadura subia por antebraço e braço
ao coração sacudido. Eu - perfumado
e queimado por dentro: um laço feito de odor
transposto, ar fosforescente, uma árvore
banhada
nocturnamente. Tudo em mim trazido
súbito
para o meio. Quando este saco de sangue rodava
defronte da abertura
prodigiosa.

Herberto Hélder, Ou o poema contínuo

segunda-feira, fevereiro 21

PURO PRAZER #67


Até ver...ar puro!

CHÁ COM TORRADAS #33

MAIORIA ABSOLUTA, RESPONSABILIDADE ABSOLUTA (notas)

Considerando que um país arrasado saiu à rua e depositou-se nas mãos do PS e do sr. Sócrates;
Considerando que o capital de esperança é elevado pelo que não pode ser mal baratado sob pena de se sentir imediatamente o efeito reverso de um país esquizofrénico;

a) É obrigação do PS:
- Formar um bom e pequeno governo;
- Fazer reformas, decidir, decidir, decidir...governar para um país no sec XXI não para a comunicação social.

b) É obrigação da oposição:
- renovar-se;
- ser pro-activa;
- aplaudir quando tiver o que aplaudir, criticar quando tiver o que criticar.

c) É nossa obrigação:
- Confiar nas nossas capacidades;
- Estar vigilantes;
- Intervir.

Nota final: Para aqueles que tinham dúvidas, JÁ PERCEBERAM PORQUE É QUE PORTUGAL TEM E DEVE CONTINUAR A TER UM SISTEMA SEMI-PRESIDENCIALISTA?

domingo, fevereiro 20

CHÁ QUENTE # 37

Reformar é, pois, mudar, é introduzir novos factores e elementos no conjunto, enquanto o país segue discutindo afincada e pressurosamente a reformas necessárias ao desenvolvimento, nas quais se destacam questões fundamentais e estruturantes como o casamento e adopção por homossexuais, o aborto, a eutanásia e a clonagem, este vosso amigo, na sua infinita ignorância, humildade e constante alienação do colectivo prossegue, então, com as questões menores e marginais. E se continua a haver quem ache que reforma é aquela que receberemos ao fim de 36 anos de trabalho (chamem-lhes tolos…) então tudo o que acabo de descrever é a minha verdadeira Contra-Reforma…(A seguir de perto n'O BULE DO CHÁ)

sábado, fevereiro 19

CHÁ DAS CINCO #24

P - Em síntese, é céptico perante o projecto de democratização americano do "Grande Médio Oriente"...

R - Sim, embora não seja céptico quando ao resultado. Tudo é possível. Mas os fins não justificam os meios. Para mim, deve haver uma coerência entre os meios e o fim. Isto é, não posso fazer nada que desrespeite a soberania e a existência do outro. Penso que a noção de democracia devia ser repensada de maneira a que não haja desvios do significado do termo, para não cairmos numa catástrofe. Talvez a democracia chegue depois de uma guerra civil e da devastação do Iraque, mas isso, para mim, não justifica o modo como foi feito. É uma questão de ética, desde o princípio.

Faouzi Skali, 52 anos, sufi, antropólogo e professor da Universidade de Fez, em Marrocos, é o fundador e director do Festival das Músicas Sacras do Mundo, e foi eleito pela ONU, em 2001, como uma das 12 figuras mundiais que mais contribuíram para o diálogo entre culturas e civilizações, em entrevista ao Público

sexta-feira, fevereiro 18

PURO PRAZER #66 (Act.)



Enquanto esperamos...podemos dançar com estes. Bom fim-de-semana! Não arranjem desculpas para não irem votar...

P.S. Coincidência, ou não, já apareceu o tal link directo, por causa da revisão do sistema eleitoral, na página da Assembleia ...ora ainda bem!

CHÁ QUENTE # 36

Alunos açorianos brilham na Europa: trinta alunos da Escola Antero de Quental representaram o País no âmbito da iniciativa “Euroescola”, tendo sido eurodeputados por um dia – Alunos do Liceu provam excelência no Parlamento.

De onde se prova que estes rapazes e raparigas fizeram mais pelos Açores que as Jotas em 30 anos de Autonomia!!!

quinta-feira, fevereiro 17

CHÁ QUENTE #35


Via Quartzo, Feldspato & Mica

TENHO
Tenho uma grande constipação,
E toda a gente sabe como as grandes constipações
Alteram todo o sistema do universo,
Zangam-nos contra a vida,
E fazem espirrar até à metafísica.
Tenho o dia perdido cheio de me assoar.
Dói-me a cabeça indistintamente.
Triste condição para um poeta menor!
Hoje sou verdadeiramente um poeta menor.
O que fui outrora foi um desejo; partiu-se.

Adeus para sempre, rainha das fadas!
As tuas asas eram de sol, e eu cá vou andando.
Não estarei bem se não me deitar na cama.
Nunca estive bem senão deitando-me no universo.

Excusez un peu... Que grande constipação física!
Preciso de verdade e da aspirina.

Álvaro de Campos

(...e o motor gripou outra vez!!!)

CHÁ COM TORRADAS #32

COMISSÃO EVENTUAL PARA A REVISÃO DA LEI ELEITORAL PARA A ALRAA

METODOLOGIA DOS TRABALHOS APROVADA NA REUNIÃO DE 26 DE JANEIRO DE 2005

(...)
6. 1. A Comissão proporá à Mesa da Assembleia que no portal institucional da Assembleia Legislativa na Internet
a) Seja aberto um “link” directo no painel inicial do portal sobre a revisão do sistema eleitoral, através do qual seja disponibilizada toda a informação que a Comissão entenda dever colocar “on-line”, para além daquela que é disponibilizada nos termos dos procedimentos de rotina da Assembleia Legislativa;
(...)
9. REALIZAÇÃO DUM SEMINÁRIO NACIONAL SOBRE A REVISÃO DO SISTEMA ELEITORAL
A Comissão proporá à Mesa da Assembleia Legislativa a realização dum seminário nacional, nos Açores, sobre a revisão do sistema eleitoral, no dia 2 de Março de 2005, não apenas com o propósito de recolher contributos para a revisão do sistema eleitoral, como, simultaneamente, comemorar a data da publicação do Estatuto Administrativo dos Açores, de 2 de Março de 1895.
(...)


Ao que pergunto:
a) quanto ao ponto 6.1: Onde está?
b) quanto ao ponto 9.: Haverá?

E termino: FALTAM 60 DIAS!!!

quarta-feira, fevereiro 16

CHÁ DAS CINCO #23


One blue pussy, Andy Warhol

(Depois de tanta gata e do azulão só podia dar uma coisa destas: Pussy, Pussy, Pussy Cat...)

CHÁ COM TORRADAS #31


Shugakuin Rikyu, Kyoto

(...ar puro?)

terça-feira, fevereiro 15

PURO PRAZER #65




Sempre, Amor! Gira
A terra e o céu está parado.


Poemas, Hölderlin. Ed. ASA, 2004

segunda-feira, fevereiro 14

CHÁ DAS CINCO #22


Se os virem por aí não os confundam, os que estão cá vêm de Jeju - a Ilha da Paz

domingo, fevereiro 13

CHÁ QUENTE #34

Devo confessar que pensei que não iam publicar, mas aqui está:
Autonomias - os programas eleitorais para as autonomias dos cinco maiores partidos candidatos às eleições de dia 20 - a preto e branco n'O BULE DO CHÁ

sexta-feira, fevereiro 11

CHÁ DAS CINCO #21


Cary Grant

(Porque hoje é sexta e faz sol, bom fim-de-semana)

quinta-feira, fevereiro 10

PURO PRAZER #64


Um Longo Domingo de Noivado, Jean-Pierre Jeunet

Eu vou, eu vou...eu vou ao Sol-mar eu vou...

CHÁ QUENTE #33

Ao que foi dado a conhecer o Açoriano Oriental vai promover, dia 12, um debate sobre a revisão do sistema eleitoral contando com a presença dos Profs. Jorge Miranda e Carlos Amaral e com o Pedro Gomes (presumo que na qualidade de presidente da comissão eventual que está encarregue desse assunto).
O mérito da iniciativa é evidente, todo e qualquer contributo para o debate é uma mais valia, mas o que me causa estranheza é que quem tem essa obrigação, quanto mais não fosse por anúncio público, não o esteja a fazer.
Ou será que percebi mal e esta é uma iniciativa conjunta entre o Açoriano Oriental e a Assembleia Legislativa?
Já agora como estão a decorrer os trabalhos da famosa comissão? É que, não sei se repararam, faltam 67 dias para o terminus do prazo...

quarta-feira, fevereiro 9

PURO PRAZER #63


Lovers in a small cafe in the italian quarter, Brassai

Carne de Amor

Carne. Carne de amor. Love-flesh,
como lhe chamou Whitman.
Amada carne até aos bordos cheia
de ardor, fremente de seiva.
Carne endurecida
até à alma. Erecta carne
profunda. Vertical esplendor
subindo às estrelas. Ou mais
alto ainda. Talvez
à eternidade.
Ámen.

Poesia, Eugénio de Andrade. Ed. Fundação Eugénio de Andrade, 2000.

(Por causa da Quaresma, claro está...)

CHÁ COM TORRADAS #30

Confessso que o meu estado de espírito está cada vez mais em comunhão com os pais fundadores da autonomia;
Confesso que cada vez mais acredito que se não nos esforçarmos o maremoto de desatino que se vive no Continente vai atingir estas nove ilhas e destruir os 110 anos de caminho autonómico comum;
Assim, como a minha margem de tolerância decresceu substancialmente no que concerne às notícias desta campanha eleitoral, deixo-vos:

- impressões:

as melhores e mais inteligentes campanhas são, de longe, as do CDS/PP e do PCP

- intenções:

Medina Carreira não vota PS nem PSD, António Barreto vota nulo.

- prognósticos antes do fim do jogo:

PS - 44%-47% (logo «com esta maioria absoluta o povo português deu uma prova de confiança ao PS»)
PSD - 29%-32% (logo «todos sabem que herdei uma situação difícil, que há muitas pessoas que não gostam da minha forma de estar na política, mas desafio quem quiser comigo disputar a liderança do PPD/PSD»)
CDS/PP - 9%-11% (logo «o CDS/PP está a crescer e mostra que é uma alternativa de governo»)
CDU - 6,5%-7,5% (logo «derrotamos as políticas da direita»)
BE - 4,5%-5,5% (logo «o Bloco vai fazer lembrar ao PS na Assembleia da República que são precisas políticas de esquerda neste país»)

Na Região: PS - 3 deputados, PSD - 2 Deputados

Com isto declaro encerrada a minha disponibilidade mental para com as eleições de 20 de Fevereiro.

segunda-feira, fevereiro 7

CHÁ QUENTE # 32


HENRI CARTIER - BRESSON

A ler:

O Choque Feminino - Miguel Veiga (Expresso, dia 5 de Fevereiro);

Leonor Beleza - entrevistada por Maria João Seixas (Pública, 6 de Fevereiro)

CHÁ COM TORRADAS #29


Carnaval na Terceira é Cultura, mas Cultura ditatorial que impede sessões de cinema até quinta-feira ou a abertura do centro multimédia em Angra do Heroísmo, enfim...

sexta-feira, fevereiro 4

É d'HOMEM #22 (Act.)

Nuno da Câmara Pereira, 53 anos, Fadista
"Sou um revolucionário"
(...)
Visão: Um tribunal português já entregou a custódia de uma criança a um casal homossexual...
NCP: Eu sei. Mas é a excepção. A regra é que de 28 em 28 dias as mulheres tenham regras...
Visão: A co-inceneração?
NCP: Está ultrapassada.
Visão: Então ainda o poderemos ver junto às populações, a protestar contra essa solução?
NCP: Claro que sim. Eu sou um homem de intervenção, sou um revolucionário.
Visão: As pessoas vêem-no mais como um reaccionário...
NCP: Essas pessoas já dormiram comigo?
(...)

Visão, 3 de Fevereiro 2005, pag 70.

Depois não se admirem de aparecerem coisas assim. Com esta me vou...Bom Fim-de-Semana e Bom Carnaval!

PURO PRAZER #62


O Quinto Império - Ontem como Hoje

(…) O Quinto Império é a harmonia entre os povos. É utópico, mas para se avançar são precisas utopias.

Sem elas não se sobrevive…

Pois não. A utopia é o caminho para a luz. Se se apagar a luz não há sentido para a vida.

E a luz está a apagar-se?

É possível. Urge fazermos uma reflexão profunda sobre os valores que instituímos, ou antes, sobre a falta deles para os não deixar perder.

O cinema ajuda?

Claro que sim, porque o cinema não é técnica, é vida, é cultura. Só a cultura nos permite preservar a identidade, identidade que dá a dignidade, dignidade que dá o respeito pelo próximo. Não há identidade sem respeito pelo próximo – que começa no respeito por nós próprios.

Excerto da entrevista de Manoel de Oliveira à Visão de 3 de Fevereiro 2005

(...e não pensem sequer que vou perder o meu tempo a dissecar este acto falhado)

quinta-feira, fevereiro 3

CHÁ QUENTE # 31


Dupont&Dupont

(...ou como afinal eles não são iguais)

quarta-feira, fevereiro 2

PURO PRAZER #61


Eros e Psyche, Giulio Romanto

CHÁ COM TORRADAS #28

Porque é que a redução de um deputado em cada ilha de per si não resolve o problema?

1- Porque cria um círculo uninominal no Corvo.

2- Porque não elimina a possibilidade do partido mais votado ter menos mandatos que o segundo partido mais votado.

O que é que faz falta?

Um círculo regional de compensação:

1- Que dê proporcionalidade global ao sistema evitanto a inconstitucionalidade do círculo uninominal do Corvo;

2- Que seja a cláusula de eficácia do sistema permitindo que partido mais votado tenha mais mandatos que o segundo partido mais votado.

Mas se querem continuar o Circo, quantos militantes do PSD/A participaram no referendo?

terça-feira, fevereiro 1

PURO PRAZER #60


People in the sun, Hopper

(Safa, que este blogue estava a ficar chato como a potassa...)

segunda-feira, janeiro 31

CHÁ QUENTE # 30

O Chá Verde no seu exercício cartesiano antes do voto consultou os programas eleitorais do PS e do PSD. Dos respectivos calhamaços há vários anos que o primeiro capítulo que analiso é o da Autonomia. Estou preparado para tudo, mas este ano trouxe surpresas.
Assim, num acto que penso ser o cumprir de um dever cívico, disponibilizo n'O Bule do Chá os capítulos dos dois maiores partidos referentes às autonomias. A conclusão que tiro é que anda alguém a brincar com os Açorianos. Oh Campeões da Autonomia, depois não digam que tiveram azar ...Apre!!!!

CHÁ DAS CINCO #20

Adesão razoável = foi tão mau tão mau que nem divulgamos os números dos votantes e os respectivos resultados? Ou vão fazer uma conferência de imprensa com pompa e circunstância?

domingo, janeiro 30

É d'HOMEM #21

À atenção dos srs. Deputados Regionais:

"Continua a ser mais fácil reivindicar, discutir ou simplesmente afirmar poderes do que exercê-los. Por isso está o parlamento regional sem que fazer, ao menos no curto prazo – quando bem podia reformular, por exemplo, a actual manta de retalhos que é a disciplina do arrendamento rural. Mas não. Às armas pois, autonomistas! Às verbais, claro, que não custam mais do que expiração via cordas vocais ou dedos à solta num teclado. Não às outras, as que custam, e puxam pela inteligência – e sobretudo pela vontade."

Álvaro Monjardino, União dia 29 de Janeiro de 2004.

CHÁ DAS CINCO #19

"Os pilares desconhecidos, aqueles que cimentam e potenciam a Agricultura, o Turismo e o Investimento Externo, aqueles que representam num só conceito, QUALIDADE: são o Ambiente, a Investigação e Inovação Tecnológica, a Cooperação Inter-regional.
Nunca, como agora, foi tão decisiva uma abordagem a estas colunas do desenvolvimento, que, na minha perspectiva, quiçá sonhadora, constituem os factores de diferença que permitirão a validade da sustentabilidade económico-financeira e sócio-cultural da Região, a médio e longo prazo, evitando que a realidade estruturalmente deficitária que o país atravessa se reflicta e condicione determinantemente o futuro regional."

QUA-LI-DA-DE, a seguir na íntegra n'O BULE DO CHÁ

sexta-feira, janeiro 28

POST(AL) AUTONÓMICO #7




“(…) A defesa da Autonomia obriga, também, a que elevemos o tom das nossas discussões. Só assim poderemos conferir ao conceito e à realidade da Autonomia aquela mesma nobreza que possuem os conceitos de Democracia e Liberdade.
A extrema proximidade de alguns factos, que confunde analistas com actores, prejudica a cientificidade dos juízos. Todavia, o entendimento da autonomia obriga a que se faça a subtracção de carga sentimental ao debate. A título de exemplo, importa que nunca mais se faça a adjectivação da autonomia. Num passado algo mais distante, falou-se muito de “Autonomia progressiva”, de “autonomia tranquila”. Praticamente no presente, tem-se falado de “Nova Autonomia”, de “Autonomia cooperativa”. Deixemos cair todos estes adjectivos! Não falemos mais em “autonomia progressiva”, uma expressão que gerou desconfiança na comunidade portuguesa. Não falemos mais em “autonomia tranquila”, uma expressão que significa uma capitulação desnecessária. Não vale a pena falar de “nova autonomia”, porque importa que ela tenha raízes bem antigas. Não vale a pena falar de autonomia cooperativa, porque a cooperação tem que ser uma característica intrínseca de todo o processo autonómico. Esforcemo-nos, tão só, para que a autonomia seja sempre Regional – de todas as ilhas sem excepção – seja sempre Constitucional, isto é, que seja inscrita no texto regulador da nossa vida colectiva.(…)”


“Os sentidos de uma comemoração: da Invocação do Espírito Santo à Veneração da Autonomia”, Avelino de Meneses no dia 9 de Junho de 2003, dia da Região Autónoma do Açores.

(Porque «Autonomia» não é palavra de romance de cordel, e porque parece-me que andam por aí alguns esquecidos. Bom fim-de-semana!)

CHÁ DAS CINCO #18

Contributo do Estado da Região para o meu estado de espírito:

1- Maravilhado!
2- A sorrir!
3- A rir!
4- A gargalhar!
5- Lavado em lágrimas!
6- Surpreso!
7- Menente!
8- Estupefacto!
9- Sem palavras!

Obrigado Estado da Região por me ter esclarecido em quem NÃO devo votar dia 20!

quarta-feira, janeiro 26

CHÁ DAS CINCO #17

Tenho procurado estar minimamente atento aos órgãos de comunicação social mas, não encontrando referências expressas, uma dúvida assalta-me:

Quantas sessões de esclarecimento já promoveu o PSD/A tendo em vista o referendo de dia 29 sobre o sistema eleitoral?

POST(AL) AUTONÓMICO #6

Hino dos Açores

Deram frutos a fé e a firmeza
no esplendor de um cântico novo:
os Açores são a nossa certeza
de traçar a glória de um povo.

Para a frente! Em comunhão,
pela nossa autonomia.
Liberdade, justiça e razão
estão acesas no alto clarão
da bandeira que nos guia.

Para a frente!Lutar, batalhar
pelo passado imortal.
No futuro a luz semear,
de um povo triunfal.


De um destino com brio alcançado
colheremos mais frutos e flores;
porque é esse o sentido sagrado
das estrelas que coroam os Açores.

Para a frente, Açorianos!Pela paz à terra unida.
Largos voos, com ardor, firmamos,
para que mais floresçam os ramos
da vitória merecida.

Para a frente! Lutar, batalhar
pelo passado imortal.
No futuro a luz semear,
de um povo triunfal.


(E que tal falarem menos e trabalharem mais?)

terça-feira, janeiro 25

CHÁ DAS CINCO #16



Para não variar o homem perdeu-se nas vírgulas, esqueceu-se na história, trocou-se nos conceitos, disse o que não queria, não disse o que devia...BOLSOU, SUJOU O BABETE! AI JORGINHO...

CHÁ COM TORRADAS #26


Se há coisa que detesto é viajar de manhã, mas pior que isso é viajar de madrugada. O vôo PDL-HRT às 7.30 devia ser proíbido por atentar à saúde pública. Arre...

segunda-feira, janeiro 24

É d'HOMEM #20

O sr. Lopes na sua entrevista ao Expresso da Meia-Noite, 6.a-feira, na SIC-Notícias, não sei bem se na pele de Primeiro-Ministro, se de presidente do PPD/PSD, repetiu a palavra "Eu":

a) 2345 vezes?;
b) 5437 vezes?;
c) 12 436 vezes e só não foram mais porque o tempo não permitiu?;

A quem acertar oferece-se uma nomeação em Diário da República até 20 de Fevereiro.

CHÁ COM TORRADAS #25

"Liceu 89/98 velha guarda"
Pode ler-se nuns tapumes em frente ao «cemitério dos ingleses» junto ao Jácome Correia.
Não pude deixar de sorrir ...a tradição ainda é o que era!

quinta-feira, janeiro 20

CHÁ DAS CINCO #15




"A autonomia está a atravessar um novo ciclo"

Em entrevista ao Expresso das 9, Laborinho Lúcio continua o seu esforço de aproximação da figura do Representante da República à de Presidente da República e perspectiva o que poderá vir a ser o Congresso da Cidadania que se inicia segunda-feira.

PURO PRAZER #59


La Muneca, Fernando Botero

Mulheres

Aqui estão, espraiadas, as mulheres. Viram-se e reviram-se sobre as toalhas para bem se tisnarem por todos os lados. Trazem sacos e maridos para a areia. E os filhos. De repente, sentam-se. E gritam: Ó Luís Vítor, ó Bruno Manuel, ó Fernando Jorge, ó Mafalda Sofia, ó Joana Filipa! Maternais e enfastiadas, vigiam os pequenos. Ralham com os maridos como se estivessem a cantar uma canção de trabalho. Querem-nos à mão.
Entram no mar pé ante pé. Quando a primeira onda lhes dá uma umbigada, soltam um bando de gritinhos. Afoitam-se, cabeça muito levantada para que a cabeleira não se molhe. E, então, começam a sorrir. Não há, nesse momento, quem as arranque do mar. Mas, com a muita, muita água, um pensamento indesejável assalta-lhes as imaginativas cabecinhas: o peixe que, do largo, pode vir, ligeiro, engolfar-se-lhes entre as coxas.
Regressam às toalhas, aos guarda-sóis. Chamam, pelos seus nomes aos pares, os pares de crianças. Esbofeteiam-nas, beijam-nas, prodigalizam-lhes sanduíches de areia. Entretanto, os maridos foram dar uma volta.
Mulheres! Afinal sempre sozinhas sob a rosa do sol...

Uma Coisa em Forma de Assim, Alexandre O'Neill.

(E porque hoje é dia das Amigas, venha daí uma filhó de forno ...)

quarta-feira, janeiro 19

PURO PRAZER #58 (Act.)




Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer

(Nos 82 anos, Eugénio de Andrade, aqui e aqui, dedicado ao meu Amigo José Lino)

PURO PRAZER #57


Tiger, Kyosai

Aos Predadores da Utopia

dentro de mim
morreram muitos tigres

os que ficaram
no entanto
são livres

Lau Sequeira, Na Virada do Século - Poesia de Invenção no Brasil, 2002.

terça-feira, janeiro 18

CHÁ DAS CINCO #14


PORTUGAL, HOJE - O MEDO DE EXISTIR, José Gil

Depois da dose dupla de Compromisso Portugal no domingo, e da dose quadrupla de senadores ontem à noite, instei-me a ler a entrevista de José Gil (a última edição da revista francesa "Nouvel Observateur" considera-o um dos "25 grandes pensadores de todo o mundo") à Pública deste fim-de-semana, que aconselho, e da qual deixo, como aperitivo, este início:

"Pública - Depois da leitura do seu livro, é impossível não se ficar deprimido.
José Gil - Hesitei muito antes de o publicar. Decidi fazê-lo, porque acho que estas coisas devem dizer-se publicamente, e não apenas em circuitos fechados, como habitualmente. E também porque penso ter encontrado um fio condutor, que dá unidade a tudo o que afirmo.
P. - É aquilo a que chama "não inscrição". Que significa?
R. - Significa que os acontecimentos não influenciam a nossa vida, é como se não acontecessem. Por exemplo, quando uma pessoa ama, esse sentimento não afecta a outra pessoa, objecto do amor. Quando acabamos de ver um espectáculo, não falamos sobre ele. Quando muito, dizemos que gostámos ou não gostámos, mais nada. Não tem nenhum efeito nas nossas vidas, não se inscreve nelas, não as transforma. Ainda outro exemplo: o primeiro-ministro, Santana Lopes, classificou a dissolução da Assembleia da República pelo Presidente como "enigmática". Não disse que era incorrecta ou injusta, mas "enigmática", o que é a forma mais eficaz de a transformar em não-acontecimento.
P. - E, não tendo acontecido, ninguém é responsável.
R. - Exactamente. Pode-se continuar como se nada se tivesse passado. Os acontecimentos não se inscrevem em nós, nem nas nossas vidas, nem nós nos inscrevemos na História. Por isso, em Portugal nada acontece. (...)"

segunda-feira, janeiro 17

CHÁ DAS CINCO #13

O PedroGomes anuncia pomposamente:

«REFERENDO SOBRE AS GRANDES OPÇÕES POLÍTICAS PARA A REVISÃO DA LEI ELEITORAL PARA A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DOS AÇORES

1. A alteração da Lei eleitoral para a Assembleia Legislativa, de modo a melhorar a proporcionalidade, deve:
a) Diminuir um Deputado por cada ilha?
b) Aumentar o número de Deputados?

2. Para além dos actuais 9 círculos eleitorais - um por ilha - concorda com a criação de outros círculos eleitorais para os residentes nos Açores:

a) Círculos concelhios?
b) Círculo de compensação?»


Sobre isto tenho a fazer:

Uma questão:
Em 15 dias a direcção do PSD/A vai conseguir ilucidar os sociais-democratas sobre os conteúdos, causas e consequências das perguntas do referendo?

Um comentário:

Colocar o círculo regional de compensação em confronto com a divisão por concelhos, como não acredito seja por ignorância,deve ser uma declaração não séria, como bem sabem, e se não sabem passam a saber, os pressupostos de ambos são diferentes: o primeiro assenta na proporcionalidade global do sistema, os segundos na relação eleitor-eleito, logo o círculo regional de compensação deveria estar em avaliação na primeira pergunta do referendo.

Uma questão:

Como é que se coadunam os círculos por concelhos com os «actuais 9 círculos eleitorais - um por ilha» (sic)?

Outra questão:
Pelo modo como o PSD está a tratar a revisão do sistema eleitoral quer ser levado a sério?

CHÁ QUENTE # 29

"CDS-Açores em Convulsão"

A verdade por metade.

A verdade verdadeira.

CHÁ COM TORRADAS #24

Declaração de interesses:
Tenho elevada estima pessoal por Victor Cruz, considero-o uma excelente pessoa, mas é um político fora do seu tempo, infelizmente para ele, para o PSD/A e para os Açores:

"Mais Açores melhor autonomia"
Onde? Tentei seguir o congresso pelo excelente serviço público que prestou a RDP/A e não ouvi uma palavra para os Açores, uma ideia para a Autonomia...ou alguém com honestidade intelectual considera que dizer «não queremos uma grande autarquia mas um pequeno estado» é uma grande inovação?
(já agora alguém me arranja a moção? é que no site ...nada)

"Somos os campeões da Autonomia"
Para esta tenho o Pedro Gomes "ninguém é dono da Autonomia!".
Melhor fora que tivesse juízo e ouvisse os recados de Reis Leite quanto à perda de protagonismo do PSD/A nas últimas revisões constitucionais.

Lançar Mota Amaral como candidato que encerra as «justas aspirações autonómicas dos Açores» é uma deslealdade, para o próprio que, como candidato presidencial, não se pode ater a essa singularidade, para a autonomia que, enquanto desígnio colectivo, não pode ser instrumentalizada em favor de um projecto partidário.

sexta-feira, janeiro 14

PURO PRAZER #56


Saraband, Ingmar Bergman

Quando somos muito fortes, - quem recua? muito alegres, - quem cai no ridículo?
Quando somos muito maus, - que fariam de nós?
Alindai-vos, bailai, desatai a rir.- Eu nunca poderei atirar o Amor pela janela.

Iluminações, Jean-Arthur Rimbaud

(Cenas da vida conjugal 30 anos depois...Bom fim-de-semana!)

É d'HOMEM #19

Notícia RDP/A às 8h30:
«António Ventura vai avançar com uma candidatura à liderança da concelhia do PSD de Angra.»

Então o sr. Ventura não era Independente no dia 17 de Outubro?

quinta-feira, janeiro 13

PURO PRAZER #55


Trifid Nebula


Nebulosas lá como ...

quarta-feira, janeiro 12

PURO PRAZER #54


Baran, Majid Majidi

Estava a ver que não o via ...Hoje, no Ramo Grande ,mesmo sem estar agendado, viva a cultura!

CHÁ COM TORRADAS #22 (Act.)

Um homem passa os dias mergulhado em papéis, mas depois quando levanta a cabeça lê e ouve coisas que o deixam chateado.
Quando ouço e leio a propósito da revisão do sistema eleitoral «O trabalho que agora apresentamos é o primeiro tornado público sobre a matéria» poderia concluir tratar-se de uma declaração não séria, mas lembrando 28 de Dezembro de 2003 quando o mesmo diário tinha em caixa «PSD/A propõe dez círculos. O PSD pretende criar um "Círculo Regional de Compensação", para as eleições legislativas nos Açores» começo a pensar que talvez esteja perante mais uma atabalhoada tentativa de reescrever a história.
Atabalhoada porque o que ali se propõe nem é novo nem é possível:
1- Em 1987 na sua proposta de Código Eleitoral Jorge Miranda defendia a criação de círculos eleitorais por referência a autarquias locais ou conjuntos de autarquias locais de modo a que o número de eleitores fosse o mais homogéneo possível;
2- Penso ter sido o também o MPT (ou o sr. Moniz) a avançarem com a divisão da ilha de S.Miguel em várias círculos;
3- O aumento de 2 deputados em S.Miguel e 1 na Terceira não é novidade alguma, já foram tornadas públicas várias posições nesse sentido (Reis Leite) e o PS/A apresentou uma proposta na Comissão com essa possibilidade (lembro que o PS/A apresentou 3 propostas de revisão do sistema eleitoral)
4- A proposta apresentada é incoerente:
a) não estende essa divisão por concelhos a todo o arquipélado;
b) querendo aproximar o eleitor do eleitorado deveria propor círculos menores;
c) não resolve a questão da sobre-representatividade das ilhas mais pequenas;
d) não se coaduna com a revisão constitucional, onde há uma imposição clara à manutenção da realidade de ilha no sistema eleitoral dos Açores;
e) discorre em sentido contrário à tendência agregadora global do sistema eleitoral (arquipélago vs ilhas) introduzindo mais um ponto de fractura (concelhos).

Tudo isto conjugado leva-me a lembrar o seguinte, para os mais distraídos:
a) O Vent(ilha)dor já esclareceu tecnicamente a proposta do círculo regional de compensação do PS/A
b) como bem lembra o Vent(ilhador) e como já defendi no Bule do Chá, este círculo regional de compensação pode ser usado quer com um aumento quer com a diminuição dos parciais das ilhas;
c) o círculo regional não é um círculo de restos mas sim um círculo de apuramento dos votos de todo o arquipégago;
d) o círculo de restos não se adequa ao método de Hondt (vejamos os restos em ilhas como faial, pico ou sjorge podem ser maiores que os restos de smiguel ou terceira dependendo do último parcial para o último deputado apurado nessas ilhas, isso não resolveria a sobre-representação das ilhas mais pequenas, pelo contrário)
e) O único trabalho que reconheço seriedade na abordagem do círculo regional de compensação é o aqui presente, leiam e penso que ficarão esclarecidos.

Quanto ao mais ...venham propostas sérias que o Presidente da Comissão vai estar atento, certo? Bom dia!

segunda-feira, janeiro 10

PURO PRAZER #53


Cena Erótica, Picasso

Janelas Altas

Quando vejo um casal de miúdos
E percebo que ele a anda a foder e ela
Usa um diafragma ou toma a pílula
Sei que isto é o paraíso

Com que os velhos sonharam toda a vida -
Compromissos e gestos postos de lado
Que nem debulhadora fora de moda,
E toda a gente nova a descer pelo escorrega,

Interminavelmente, para a felicidade. Será
Que alguém olhou para mim, há quarenta anos,
E pensou: Isso é que vai ser boa vida;
Nada de Deus, ou suores nocturnos,

Ou medo do inferno, ou ter de esconder
Do padre aquilo que se pensa. Ele
E a malta dele, c'um raio, hão-de ir todos pelo escorrega
Abaixo, livres que nem pássaros?
E de imediato,

Em vez de palavras, vêm-me à ideia janelas altas:
O vidro que acolhe o sol, e mais além
O ar azul e profundo, que não revela
Nada e está em lado nenhum e não tem fim.

Janelas Altas, Philip Larkin. Ed. Cotovia, 2004.

É d'HOMEM #18

PP «é dique contra as crises»

Para os presentes efeitos «dique» é a palavra certa

sexta-feira, janeiro 7

PURO PRAZER #52


San Benedetto, J.M. William Turner

“(…) As observações e os encontros do homem solitário são a um tempo mais confusos e prementes do que os do homem mundano, os seus pensamentos mais graves, surpreendentes e nunca isentos de um traço de tristeza. Imagens e percepções, que um olhar, um sorriso, uma troca de impressões levariam a ignorar, ocupam-no sobremaneira, ganham profundidade no silêncio, ganham sentido, tornam-se vivência, aventura, sensação. A solidão é propícia ao original, ao estranhamento e ousadia do belo, à poesia. Mas gera também o perverso, o monstruoso, o absurdo e o ilícito. (…)”

Morte em Veneza, Thomas Mann. Ed. Relógio d’Água, 2004.

(Entretanto parece que não é só o André que nos quer dar música, estejam atentos amanhã aos brindes destes e destes senhores. Bom fim-de-semana!)

É d'HOMEM #17

O presidente da República, Jorge Sampaio, defende que o sistema político deve ser alterado para facilitar a criação de maiorias absolutas na Assembleia da República

(E passados 9 anos sobre Belém desceu um estrela plena de luz...)

quinta-feira, janeiro 6

CHÁ COM TORRADAS #21


Golconde, Magritte

(Porque eles andam por aí e por aqui e aqui e aqui e aqui ...)

É d'HOMEM #16

"Não esperava perder por tantos votos”

O Sr. Cruz amanhã na edição em papel do Expresso das 9, ou ainda hoje pela tardinha na edição on-line.

quarta-feira, janeiro 5

PURO PRAZER #51


Coucher de soleil sur la Seine, effect d'hiver. Claude Monet

O que me faz lembrar o «Just a perfect day...» do Lou Reed

terça-feira, janeiro 4

PURO PRAZER #50

HASH(0x8898b68)
You are Hamlet, prince of Denmark. You may have
the power to do great things, but do not let
indecision weaken your resolve. Be careful to
not allow other people's problems to become
your own, and don't steriotype people.
Whatever path you choose to take in life,
beware of neglecting those who care about you.

Which Shakespearian Tragic Hero are You?

Pronto tá destinado, tá destinado, alguém viu por aí uma caveira?
Via (Indis)Pensáveis

CHÁ DAS CINCO #12

Dão-se alvíssaras a quem me conseguir explicar:

1- Porque é que o Sr. Cruz insiste em ir em 2.º lugar na lista de canditados do PSD/A às legislativas nacionais?

2- Como é que se está a sentir o PSD/Terceira com a candidatura do sr. Neves por Portalegre, quando já andavam a anunciar publicamente a sua proto-candidatura à CMAH?

3- Porque é que o sr. Gusmão deixou de ser cabeça de lista às legislativas nacionais em favor do sr. Barata?

PURO PRAZER #49


Waterloo Bridge, soleil dans le brouillard, Claude Monet

(...e a manhã nasceu assim. Bom Dia!)

segunda-feira, janeiro 3

PURO PRAZER #48


The Pleiades Star Cluster

Estrelas

O azul do céu precipitou-se na janela. Uma vertigem, com certeza.
As estrelas, agora, são focos compactos de luz que a transparência variável das vidraças acumula ou dilata. Não cintilam porém.
Chamo um astrólogo amigo:
«Então?»
«O céu parou. É o fim do mundo.»
Mas outro amigo, o inventor de jogos, diz-me:
«Deixe-o falar. Incline a cabeça para o lado, altere o ângulo de visão
Sigo o conselho: e as estrelas rebentam num grande fulgor, os revérberos embatem nos caixilhos que lembram a moldura dum desenho infantil.

Trabalho Poético, Carlos Oliveira. Assírio & Alvim, 2003.

(...ou o esboço para uma crónica de passagem de ano)

domingo, janeiro 2

CHÁ COM TORRADAS #20

"(...) Causam-me alguns engulhos que a Região querendo resolver um problema (e precisa resolvê-lo) avance na perspectiva menos onerosa a curto prazo. O cerne da questão deveria, aqui, ser: Queremos menos, melhores e mais bem remunerados deputados? Consensos precisam-se(...)"

(Nada como começar o ano com uma boa provocação, agitar as águas, O SISTEMA para seguir n' O BULE DO CHÁ)

quinta-feira, dezembro 30

PURO PRAZER #47


Três de Maio, Goya

Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.

Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente á secular justiça,
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de
sangue».
Por serem fiéis a um Deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto
haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha o coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa – essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga –
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror e tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é só nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

Obras de Jorge de Sena, Antologia Poética. Edições ASA,1999.

(Tenham paciência e leiam até ao fim, depois...o Fogo de Artifício. Feliz 2005!)

PURO PRAZER #46


Beethoven: Piano Sonatas, Op 10 & 13 "Pathétique", Maurizio Pollini

(Para as melhores saídas ...)

PURO PRAZER #45


Lagrimas Negras, Bebo&Cigala

(Que os melhores nos acompanhem...)

terça-feira, dezembro 28

CHÁ COM TORRADAS #19


La ville engloutie, Roger Chapelain-Midy

segunda-feira, dezembro 27

CHÁ QUENTE #28

Muito se pode dizer acerca do Diabo:
ele não está morto, está vivo.
Como poderia ele ter sido abolido
por um Deus que está sempre ausente?

Gunnar Ekelöf

(De novo a preto e branco, mas é muito difícil não pensar de outra forma...)

quinta-feira, dezembro 23

PURO PRAZER #41

A paz sem vencedor e sem vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Dual, Sophia de Mello Breyner Andresen. Ed. Caminho, 2004.

(Porque é preciso celebrar a Paz, sempre, o Chá Verde faz Votos para que todos passem um Santo Natal)

CHÁ COM TORRADAS #18

Ó AMISM JÁ PERCEBESTE OU QUERES QUE TE FAÇAM UM ESQUEMA?

(Interrompi a série natalícia do Puro Prazer mas este assunto é igualmente importante)

PURO PRAZER #40

Adicionei os meus dias e não te encontrei
nunca, em sítio nenhum, para me tomares a mão
no clamor dos abismos e na minha barafunda de estrelas!
Tomaram uns o Saber e outros o Poder
a escuridão rasgando as duras penas
e pequenas máscaras, de alegria e tristeza,
ajustando à face arruinada.
Eu é que não, não ajustei máscaras
deitei para trás de mim alegria e tristeza
pródigo deitei para trás de mim
o Poder e o Saber.
Adicionei os meus dias e fiquei sozinho.
Disseram uns: porquê? Este também há-de viver
na casa com vasos e branca noiva.
Cavalos de pêlo fulvo e negro acenderam-me
a obstinação por outas mais brancas Helenas!
Almejei outra mais secreta bravura
e aí onde me impediram, invisível, fui a galope
restituir as chuvas aos campos
e recuperar o sangue dos mortos insepultos!
Disseram outros: porquê? Este também há-de conhecer,
até ele, a vida nos olhos do outro.
Não vi olhos de outrem, não encontrei nada
senão lágrimas no vazio que abraçava
senão borrasca na serenidade que suportava.
Adicionei os meus dias e não te encontrei
e enverguei as armas e saí sozinho
para o clamor dos abismos e a minha barafunda de estrelas!

Louvada Seja, Odysséas Elytis. Assírio & Alvim, 2004.

(Porque é preciso celebrar a Justiça)

quarta-feira, dezembro 22

PURO PRAZER #39

Canto Vigésimo Oitavo

Tenho a impressão que a avareza
não é um defeito que acontece na velhice
quando o tédio já invadiu o cérebro.
A mim salvou-me aos setenta anos
quando uma tarde comecei a apagar as luzes
e o meu irmão tropeçava por todo o lado.
Agora recolho os fósforos usados
(com algodão podem servir para limpar os ouvidos)
e de manhã à noite tenho muito que fazer:
quero que o meu irmão deite pouco açucar
no leite, e eu, guloso por mel,
lambo apenas uma colherzita ao domingo,
em pé, entre as duas portas do guarda-louça.
A toalha não é necessária, usámos um pedaço de papel
que depois serve também para acender o lume.
De noite se ninguém se levanta
basta uma candeia enquanto o outro permanece no escuro.
Assim passa uma hora, passam duas, passa um mês
e a cabeça trabalha.

O Mel, Tonino Guerra. Assírio & Alvim, 2003.

(Porque é preciso celebrar a Razão)

terça-feira, dezembro 21

PURO PRAZER #38

I
No que estás a pensar
Eu penso no primeiro beijo que te darei
II
Beijos semelhantes às palavras de quem sonha
estais ao serviço das forças inventadas
III
Nas ruas de amores de passagem
As paredes terminam em noite de breu
Eu estou apaixonado
E são alvas as minhas cortinas
IV
Sem espalhafato e o mimo do seu ninho
Ela surge no hiato de um sorriso
V
No dia 21 do mês de Junho de 1906
Ao meio dia deste-me a vida
VI
Falei em facilidade e o que é fácil
É a fidelidade
VII
É preciso vê-la à torreira do sol
pejado de rochedos inacessíveis
É preciso vê-la em plena noite
É preciso vê-la quando está só

In Últimos Poemas de Amor, Paul Éluard. Relógio d'Água.2002

(Porque é preciso celebrar o Amor)

sexta-feira, dezembro 17

PURO PRAZER #37



Maria João Seixas - Peço-te uma palavra de eleição.

Manuel Graça Dias - Cidade. Porque é um território de liberdade, de democracia, onde confrontamos as nossas diferenças com os outros, onde negociamos diariamente a dificuldade de vivermos juntos e há milhares de anos que o conseguimos fazer. Porque é um território da imprevisibilidade, porque somos muitos, porque estamos juntos, porque temos desejos diferentes. Porque é um território com uma história anterior a nós e que continuará depois de nós. Porque é um território constantemente incendiado de surpresas.

In Publica, 12 de Dezembro de 2004

(Bom fim-de-semana Blogosfera)

CHÁ COM TORRADAS #17

Ao anúncio da recandidatura do sr. Cruz à liderança do PSD/A, foi anexado, ontem pelo Canal 1, a unanimidade das estruturas de ilha, hoje pela RDP/A, um abaixo assinado de apoio dos autarcas sociais-democratas, com o alerta para a necessidade de limpeza das «sanguessugas» (sic) bem como da necessidade de colocar um ponto final na clivagem entre a «velha e a nova geração» (sic).
A peça fez, igualmente, referência ao facto de vários autarcas estarem de costas voltadas para as estruturas partidárias.
Perante este cenário, apresentam-se-me algumas considerações:
1- Não pode ter sido o sr. Cruz quem liderou o PSD/A nos últimos 4 anos, pois se tivesse sido como é que, enquando líder eleito quase por unanimidade, não resolveu a clivagem entre velha e nova geração e ainda criou a clivagem entre autarcas e estruturas de ilha?
2- Quererá isto dizer que as vitórias do sr. Cruz nas autárquicas de 2001 e nas legislativas de 2002 não se deveram, em primeira análise, ao sr. Cruz mas sim à força dos autarcas, em 2001, e à fuga do sr. Guterres, em 2002, contrariamente ao que tão afanosamente fez passar?
3- Significará que, por não ter resolvido esses problemas, não teve o devido apoio, nem nas europeias, nem nas regionais (não esqueço as palavras de dia 17 à noite que revelavam ter carregado com o partido sozinho durante 4 anos)?
4- Ora, se assim é, muito seguramente, o sr. Cruz, no ano de 2005, não conseguirá resolver todos os problemas que se agravaram no quadriénio 2000-2004. Está, pois, mais do que nunca, para poder ter a vitória autárquica em Outubro de 2005 que lhe permita chegar às eleições regionais de 2008, refém dos caciques locais do partido, além de estar perante uma contradição insanável, a de ter de fazer a limpeza nas estruturas de ilha, que ele próprio incentivou e alimentou nestes últimos 4 anos, e que lhe prestaram unânime vassalagem.
5- Pior de tudo isso é que o sr. Cruz tem a consciência de que os mesmos que o apoiaram por unanimidade hoje o farão amanhã à sra. Cabral ou ao sr. Freitas, pois é assim a cultura do PSD/A, uma cultura de poder, dê por onde der!
6- Prevejo que em Outubro de 2005 voltemos a este tema...