quarta-feira, janeiro 12

PURO PRAZER #54


Baran, Majid Majidi

Estava a ver que não o via ...Hoje, no Ramo Grande ,mesmo sem estar agendado, viva a cultura!

CHÁ COM TORRADAS #22 (Act.)

Um homem passa os dias mergulhado em papéis, mas depois quando levanta a cabeça lê e ouve coisas que o deixam chateado.
Quando ouço e leio a propósito da revisão do sistema eleitoral «O trabalho que agora apresentamos é o primeiro tornado público sobre a matéria» poderia concluir tratar-se de uma declaração não séria, mas lembrando 28 de Dezembro de 2003 quando o mesmo diário tinha em caixa «PSD/A propõe dez círculos. O PSD pretende criar um "Círculo Regional de Compensação", para as eleições legislativas nos Açores» começo a pensar que talvez esteja perante mais uma atabalhoada tentativa de reescrever a história.
Atabalhoada porque o que ali se propõe nem é novo nem é possível:
1- Em 1987 na sua proposta de Código Eleitoral Jorge Miranda defendia a criação de círculos eleitorais por referência a autarquias locais ou conjuntos de autarquias locais de modo a que o número de eleitores fosse o mais homogéneo possível;
2- Penso ter sido o também o MPT (ou o sr. Moniz) a avançarem com a divisão da ilha de S.Miguel em várias círculos;
3- O aumento de 2 deputados em S.Miguel e 1 na Terceira não é novidade alguma, já foram tornadas públicas várias posições nesse sentido (Reis Leite) e o PS/A apresentou uma proposta na Comissão com essa possibilidade (lembro que o PS/A apresentou 3 propostas de revisão do sistema eleitoral)
4- A proposta apresentada é incoerente:
a) não estende essa divisão por concelhos a todo o arquipélado;
b) querendo aproximar o eleitor do eleitorado deveria propor círculos menores;
c) não resolve a questão da sobre-representatividade das ilhas mais pequenas;
d) não se coaduna com a revisão constitucional, onde há uma imposição clara à manutenção da realidade de ilha no sistema eleitoral dos Açores;
e) discorre em sentido contrário à tendência agregadora global do sistema eleitoral (arquipélago vs ilhas) introduzindo mais um ponto de fractura (concelhos).

Tudo isto conjugado leva-me a lembrar o seguinte, para os mais distraídos:
a) O Vent(ilha)dor já esclareceu tecnicamente a proposta do círculo regional de compensação do PS/A
b) como bem lembra o Vent(ilhador) e como já defendi no Bule do Chá, este círculo regional de compensação pode ser usado quer com um aumento quer com a diminuição dos parciais das ilhas;
c) o círculo regional não é um círculo de restos mas sim um círculo de apuramento dos votos de todo o arquipégago;
d) o círculo de restos não se adequa ao método de Hondt (vejamos os restos em ilhas como faial, pico ou sjorge podem ser maiores que os restos de smiguel ou terceira dependendo do último parcial para o último deputado apurado nessas ilhas, isso não resolveria a sobre-representação das ilhas mais pequenas, pelo contrário)
e) O único trabalho que reconheço seriedade na abordagem do círculo regional de compensação é o aqui presente, leiam e penso que ficarão esclarecidos.

Quanto ao mais ...venham propostas sérias que o Presidente da Comissão vai estar atento, certo? Bom dia!

segunda-feira, janeiro 10

PURO PRAZER #53


Cena Erótica, Picasso

Janelas Altas

Quando vejo um casal de miúdos
E percebo que ele a anda a foder e ela
Usa um diafragma ou toma a pílula
Sei que isto é o paraíso

Com que os velhos sonharam toda a vida -
Compromissos e gestos postos de lado
Que nem debulhadora fora de moda,
E toda a gente nova a descer pelo escorrega,

Interminavelmente, para a felicidade. Será
Que alguém olhou para mim, há quarenta anos,
E pensou: Isso é que vai ser boa vida;
Nada de Deus, ou suores nocturnos,

Ou medo do inferno, ou ter de esconder
Do padre aquilo que se pensa. Ele
E a malta dele, c'um raio, hão-de ir todos pelo escorrega
Abaixo, livres que nem pássaros?
E de imediato,

Em vez de palavras, vêm-me à ideia janelas altas:
O vidro que acolhe o sol, e mais além
O ar azul e profundo, que não revela
Nada e está em lado nenhum e não tem fim.

Janelas Altas, Philip Larkin. Ed. Cotovia, 2004.

É d'HOMEM #18

PP «é dique contra as crises»

Para os presentes efeitos «dique» é a palavra certa

sexta-feira, janeiro 7

PURO PRAZER #52


San Benedetto, J.M. William Turner

“(…) As observações e os encontros do homem solitário são a um tempo mais confusos e prementes do que os do homem mundano, os seus pensamentos mais graves, surpreendentes e nunca isentos de um traço de tristeza. Imagens e percepções, que um olhar, um sorriso, uma troca de impressões levariam a ignorar, ocupam-no sobremaneira, ganham profundidade no silêncio, ganham sentido, tornam-se vivência, aventura, sensação. A solidão é propícia ao original, ao estranhamento e ousadia do belo, à poesia. Mas gera também o perverso, o monstruoso, o absurdo e o ilícito. (…)”

Morte em Veneza, Thomas Mann. Ed. Relógio d’Água, 2004.

(Entretanto parece que não é só o André que nos quer dar música, estejam atentos amanhã aos brindes destes e destes senhores. Bom fim-de-semana!)

É d'HOMEM #17

O presidente da República, Jorge Sampaio, defende que o sistema político deve ser alterado para facilitar a criação de maiorias absolutas na Assembleia da República

(E passados 9 anos sobre Belém desceu um estrela plena de luz...)

quinta-feira, janeiro 6

CHÁ COM TORRADAS #21


Golconde, Magritte

(Porque eles andam por aí e por aqui e aqui e aqui e aqui ...)

É d'HOMEM #16

"Não esperava perder por tantos votos”

O Sr. Cruz amanhã na edição em papel do Expresso das 9, ou ainda hoje pela tardinha na edição on-line.

quarta-feira, janeiro 5

PURO PRAZER #51


Coucher de soleil sur la Seine, effect d'hiver. Claude Monet

O que me faz lembrar o «Just a perfect day...» do Lou Reed

terça-feira, janeiro 4

PURO PRAZER #50

HASH(0x8898b68)
You are Hamlet, prince of Denmark. You may have
the power to do great things, but do not let
indecision weaken your resolve. Be careful to
not allow other people's problems to become
your own, and don't steriotype people.
Whatever path you choose to take in life,
beware of neglecting those who care about you.

Which Shakespearian Tragic Hero are You?

Pronto tá destinado, tá destinado, alguém viu por aí uma caveira?
Via (Indis)Pensáveis

CHÁ DAS CINCO #12

Dão-se alvíssaras a quem me conseguir explicar:

1- Porque é que o Sr. Cruz insiste em ir em 2.º lugar na lista de canditados do PSD/A às legislativas nacionais?

2- Como é que se está a sentir o PSD/Terceira com a candidatura do sr. Neves por Portalegre, quando já andavam a anunciar publicamente a sua proto-candidatura à CMAH?

3- Porque é que o sr. Gusmão deixou de ser cabeça de lista às legislativas nacionais em favor do sr. Barata?

PURO PRAZER #49


Waterloo Bridge, soleil dans le brouillard, Claude Monet

(...e a manhã nasceu assim. Bom Dia!)

segunda-feira, janeiro 3

PURO PRAZER #48


The Pleiades Star Cluster

Estrelas

O azul do céu precipitou-se na janela. Uma vertigem, com certeza.
As estrelas, agora, são focos compactos de luz que a transparência variável das vidraças acumula ou dilata. Não cintilam porém.
Chamo um astrólogo amigo:
«Então?»
«O céu parou. É o fim do mundo.»
Mas outro amigo, o inventor de jogos, diz-me:
«Deixe-o falar. Incline a cabeça para o lado, altere o ângulo de visão
Sigo o conselho: e as estrelas rebentam num grande fulgor, os revérberos embatem nos caixilhos que lembram a moldura dum desenho infantil.

Trabalho Poético, Carlos Oliveira. Assírio & Alvim, 2003.

(...ou o esboço para uma crónica de passagem de ano)

domingo, janeiro 2

CHÁ COM TORRADAS #20

"(...) Causam-me alguns engulhos que a Região querendo resolver um problema (e precisa resolvê-lo) avance na perspectiva menos onerosa a curto prazo. O cerne da questão deveria, aqui, ser: Queremos menos, melhores e mais bem remunerados deputados? Consensos precisam-se(...)"

(Nada como começar o ano com uma boa provocação, agitar as águas, O SISTEMA para seguir n' O BULE DO CHÁ)

quinta-feira, dezembro 30

PURO PRAZER #47


Três de Maio, Goya

Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.

Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente á secular justiça,
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de
sangue».
Por serem fiéis a um Deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto
haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha o coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa – essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga –
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror e tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é só nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

Obras de Jorge de Sena, Antologia Poética. Edições ASA,1999.

(Tenham paciência e leiam até ao fim, depois...o Fogo de Artifício. Feliz 2005!)

PURO PRAZER #46


Beethoven: Piano Sonatas, Op 10 & 13 "Pathétique", Maurizio Pollini

(Para as melhores saídas ...)

PURO PRAZER #45


Lagrimas Negras, Bebo&Cigala

(Que os melhores nos acompanhem...)

terça-feira, dezembro 28

CHÁ COM TORRADAS #19


La ville engloutie, Roger Chapelain-Midy

segunda-feira, dezembro 27

CHÁ QUENTE #28

Muito se pode dizer acerca do Diabo:
ele não está morto, está vivo.
Como poderia ele ter sido abolido
por um Deus que está sempre ausente?

Gunnar Ekelöf

(De novo a preto e branco, mas é muito difícil não pensar de outra forma...)

quinta-feira, dezembro 23

PURO PRAZER #41

A paz sem vencedor e sem vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Dual, Sophia de Mello Breyner Andresen. Ed. Caminho, 2004.

(Porque é preciso celebrar a Paz, sempre, o Chá Verde faz Votos para que todos passem um Santo Natal)

CHÁ COM TORRADAS #18

Ó AMISM JÁ PERCEBESTE OU QUERES QUE TE FAÇAM UM ESQUEMA?

(Interrompi a série natalícia do Puro Prazer mas este assunto é igualmente importante)

PURO PRAZER #40

Adicionei os meus dias e não te encontrei
nunca, em sítio nenhum, para me tomares a mão
no clamor dos abismos e na minha barafunda de estrelas!
Tomaram uns o Saber e outros o Poder
a escuridão rasgando as duras penas
e pequenas máscaras, de alegria e tristeza,
ajustando à face arruinada.
Eu é que não, não ajustei máscaras
deitei para trás de mim alegria e tristeza
pródigo deitei para trás de mim
o Poder e o Saber.
Adicionei os meus dias e fiquei sozinho.
Disseram uns: porquê? Este também há-de viver
na casa com vasos e branca noiva.
Cavalos de pêlo fulvo e negro acenderam-me
a obstinação por outas mais brancas Helenas!
Almejei outra mais secreta bravura
e aí onde me impediram, invisível, fui a galope
restituir as chuvas aos campos
e recuperar o sangue dos mortos insepultos!
Disseram outros: porquê? Este também há-de conhecer,
até ele, a vida nos olhos do outro.
Não vi olhos de outrem, não encontrei nada
senão lágrimas no vazio que abraçava
senão borrasca na serenidade que suportava.
Adicionei os meus dias e não te encontrei
e enverguei as armas e saí sozinho
para o clamor dos abismos e a minha barafunda de estrelas!

Louvada Seja, Odysséas Elytis. Assírio & Alvim, 2004.

(Porque é preciso celebrar a Justiça)

quarta-feira, dezembro 22

PURO PRAZER #39

Canto Vigésimo Oitavo

Tenho a impressão que a avareza
não é um defeito que acontece na velhice
quando o tédio já invadiu o cérebro.
A mim salvou-me aos setenta anos
quando uma tarde comecei a apagar as luzes
e o meu irmão tropeçava por todo o lado.
Agora recolho os fósforos usados
(com algodão podem servir para limpar os ouvidos)
e de manhã à noite tenho muito que fazer:
quero que o meu irmão deite pouco açucar
no leite, e eu, guloso por mel,
lambo apenas uma colherzita ao domingo,
em pé, entre as duas portas do guarda-louça.
A toalha não é necessária, usámos um pedaço de papel
que depois serve também para acender o lume.
De noite se ninguém se levanta
basta uma candeia enquanto o outro permanece no escuro.
Assim passa uma hora, passam duas, passa um mês
e a cabeça trabalha.

O Mel, Tonino Guerra. Assírio & Alvim, 2003.

(Porque é preciso celebrar a Razão)

terça-feira, dezembro 21

PURO PRAZER #38

I
No que estás a pensar
Eu penso no primeiro beijo que te darei
II
Beijos semelhantes às palavras de quem sonha
estais ao serviço das forças inventadas
III
Nas ruas de amores de passagem
As paredes terminam em noite de breu
Eu estou apaixonado
E são alvas as minhas cortinas
IV
Sem espalhafato e o mimo do seu ninho
Ela surge no hiato de um sorriso
V
No dia 21 do mês de Junho de 1906
Ao meio dia deste-me a vida
VI
Falei em facilidade e o que é fácil
É a fidelidade
VII
É preciso vê-la à torreira do sol
pejado de rochedos inacessíveis
É preciso vê-la em plena noite
É preciso vê-la quando está só

In Últimos Poemas de Amor, Paul Éluard. Relógio d'Água.2002

(Porque é preciso celebrar o Amor)

sexta-feira, dezembro 17

PURO PRAZER #37



Maria João Seixas - Peço-te uma palavra de eleição.

Manuel Graça Dias - Cidade. Porque é um território de liberdade, de democracia, onde confrontamos as nossas diferenças com os outros, onde negociamos diariamente a dificuldade de vivermos juntos e há milhares de anos que o conseguimos fazer. Porque é um território da imprevisibilidade, porque somos muitos, porque estamos juntos, porque temos desejos diferentes. Porque é um território com uma história anterior a nós e que continuará depois de nós. Porque é um território constantemente incendiado de surpresas.

In Publica, 12 de Dezembro de 2004

(Bom fim-de-semana Blogosfera)

CHÁ COM TORRADAS #17

Ao anúncio da recandidatura do sr. Cruz à liderança do PSD/A, foi anexado, ontem pelo Canal 1, a unanimidade das estruturas de ilha, hoje pela RDP/A, um abaixo assinado de apoio dos autarcas sociais-democratas, com o alerta para a necessidade de limpeza das «sanguessugas» (sic) bem como da necessidade de colocar um ponto final na clivagem entre a «velha e a nova geração» (sic).
A peça fez, igualmente, referência ao facto de vários autarcas estarem de costas voltadas para as estruturas partidárias.
Perante este cenário, apresentam-se-me algumas considerações:
1- Não pode ter sido o sr. Cruz quem liderou o PSD/A nos últimos 4 anos, pois se tivesse sido como é que, enquando líder eleito quase por unanimidade, não resolveu a clivagem entre velha e nova geração e ainda criou a clivagem entre autarcas e estruturas de ilha?
2- Quererá isto dizer que as vitórias do sr. Cruz nas autárquicas de 2001 e nas legislativas de 2002 não se deveram, em primeira análise, ao sr. Cruz mas sim à força dos autarcas, em 2001, e à fuga do sr. Guterres, em 2002, contrariamente ao que tão afanosamente fez passar?
3- Significará que, por não ter resolvido esses problemas, não teve o devido apoio, nem nas europeias, nem nas regionais (não esqueço as palavras de dia 17 à noite que revelavam ter carregado com o partido sozinho durante 4 anos)?
4- Ora, se assim é, muito seguramente, o sr. Cruz, no ano de 2005, não conseguirá resolver todos os problemas que se agravaram no quadriénio 2000-2004. Está, pois, mais do que nunca, para poder ter a vitória autárquica em Outubro de 2005 que lhe permita chegar às eleições regionais de 2008, refém dos caciques locais do partido, além de estar perante uma contradição insanável, a de ter de fazer a limpeza nas estruturas de ilha, que ele próprio incentivou e alimentou nestes últimos 4 anos, e que lhe prestaram unânime vassalagem.
5- Pior de tudo isso é que o sr. Cruz tem a consciência de que os mesmos que o apoiaram por unanimidade hoje o farão amanhã à sra. Cabral ou ao sr. Freitas, pois é assim a cultura do PSD/A, uma cultura de poder, dê por onde der!
6- Prevejo que em Outubro de 2005 voltemos a este tema...

quinta-feira, dezembro 16

CHÁ COM TORRADAS #16


17 de Outubro de 2004


(...)


(...)


(...)


17 de Dezembro de 2004

(Buster Keaton, minhas Senhoras e meus Senhores, com a devida vénia à Montanha, sempre Mágica)

quarta-feira, dezembro 15

PURO PRAZER #36


The bats, Jeremy Deller (Turner Prize 2004)

CHÁ DAS CINCO #11

Choque de Gerações
(o prometido é devido aqui vai no meio de uma febril e arreliadora gripe)

A ideia, mais do que o título, pareceu-me interessante. Ao chamar a terreiro a nova geração açoriana para «botar palavra», adivinhavam-se novas ideias, em novas cabeças, e a lufada de ar fresco que nos trariam as novas caras.
Eis senão que:
Do ponto de vista da substância, e do que era a minha expectativa, têm falado muito pouco dos Açores ou da dimensão que alguns dos problemas abordados têm na Região. É verdade que podemos ser acusados de «umbiguismo» mas não será também verdade que uma das grandes lacunas da nossa sociedade civil é que não nos pensamos ou discutimos? E não se deveria argumentar que já existem outros espaços na rtp-a para o fazerem, bem sabemos que os há , mas são pobres e com os do costume, e a mais valia do CG é precisamente não ser feito com os do costume. Cosmopolitismo não será falar dos Açores sem complexos nem engagements?
A abordagem, num só programa, de assuntos nacionais, internacionais e regionais, parece-me um passo maior do que as pernas, talvez influenciado pela formação jornalística do sr. Neto. Como tal, fala-se muito mas diz-se pouco e sempre a correr.
Por outro lado trazer ao programa, além do painel residente que vai rodando (uma ideia feliz) pessoas que se me afiguram de valor e não fazê-las falar ou debater as perspectivas que as suas actividades terão na Região é também fugir ao essencial, já lá estiveram, que me lembre, arquitectos, juízes, poetisas, jornalistas, desportistas, fotógrafos, enfim uma miríade que «apenas» serviu (não por desprimor dos convidados) para dar um ar...envernizadamente cosmopolita. Não seria melhor para o programa chamar essa personagem à mesa, trazendo ela temas para debate, a área que domina com uma ligação à região e procurando lançar ideias e o seu ódio de estimação? E depois fazer uma segunda parte onde poderia ser abordado um tema da actualidade fosse nacional, regional ou internacional?
A ideia do ódio de estimação é inovadora mas apresenta-se desgarrada do programa. Surge interrompendo raciocínios e debates funcionando apenas como separador e não reintroduzindo discussão. A ideia de o limitar a ódios de uma só pessoa parece-me «pior emenda que o soneto».

Por outro lado, o programa perde bastante pelos seus problemas formais, melhorados com a saída do espaço do restaurante. O facto de apresentar um figura fora do circulo central de debate, que repetidas vezes é chamada à imagem enquanto os restantes discorrem e debatem prejudica a ligação com o espectador. E ajuda à ideia de que não há complementaridade entre as duas vertentes do programa. Aliás serve também para interromper o programa para as apresentações e conversa de circunstância, muitas vezes afastada do que até então se disse. Propugna-se que esse convidado seja integrado na mesa.
Finalmente, as três áreas de discussão obrigam a uma grande dispersão e normalmente o fio condutor é cortado, ou pelo próprio sr. Neto, na ânsia que seguir as suas notas ou introduzir novos dados, ou pelo formato do programa com a apresentação do convidado ou do ódio de estimação.
Não posso dizer que não gosto do projecto, acho que poderia ser melhorado até porque aquela coisa do cosmopolitismo a tanto obriga. Mas quem sou eu…se gostam assim pois continuem, no fundo continuarei a vê-lo, mais ou menos, atentamente, nem que seja para depois poder comentar no Foguetabraze.
Isto ficou grande…tenham paciência!

terça-feira, dezembro 14

É d'HOMEM #15

Durão Barroso critica actuação dos anteriores executivos comunitários: "a trajectória europeia foi por vezes desviada por acontecimentos internacionais exógenos" e as prioridades "alteraram-se demasiado" de acordo com os calendários políticos dos diferentes presidentes.

(Olha que é preciso ter lata! Continua assim e vais ver que não é só em Portugal que há bombas atómicas)

CHÁ COM TORRADAS #15


Gato Branco, M.C.Esher

"O BICHANO REACCIONÁRIO

O grande gato não partiu para a grande guerra. Quedou-se em casa. Aceitou de mau grado o racionamento do leite, a inferior qualidade do pão que passou a entrar na confecção das sopinhas de leite, a escassez do carapau, as hipérboles dos títulos dos jornais; aceitou, até (ele que há muito deixara de ser um caçador!), a magreza dos ratos. Conformou-se, foi-se conformando com a crescente dureza óssea do regaço da dona. Mas, sob as águas estagnadas do dia-a-dia, quem estaria a torpedear-lhe a barquinha da vida?(...)"

In, Uma coisa em forma de assim, Alexandre O’Neill. Assírio & Alvim, 2004.

segunda-feira, dezembro 13

CHÁ DAS CINCO #10


E nós por cá na maior ...

Sei que este assunto é um ninho de vespas mas não me vou calar:
Sempre fui um grande defensor dos bailes do Coliseu e sou um acérrimo defensor das tradições da nossa Região. Mas a defesa da tradição tem limites, e no caso do reatamento dos bailes de carnaval no Coliseu tem o limite do interesse público. A verdade é que não posso conceber que tendo sido investidos 6 milhões de euros naquele espaço privilegiado para espectáculos de qualidade nacional e internacional (como tão pomposamente anunciam já para 2005), se vá agora sujeitar um bem comum (da ilha inteira e mais quem vier) à erosão, desgaste e exposição de fumos, bebidas, líquidos inunciáveis, comida (mantêm-se as cestas?) e sabe-se lá mais o quê durante 3 dias, com possíveis danos irreparáveis a curto e médio prazo...desculpem lá mas, neste momento só consigo dizer: Ao diabo com os bailes do Coliseu!

CHÁ QUENTE #28



Read my leaps: I Love PDL
Read my mind: Faltam 4 dias

CHÁ COM TORRADAS #14

A classe política portuguesa reflecte a atitude de cidadania do português médio (o verdadeiro sr. Silva) que perante os concretos problemas da sociedade, ou questões como a levantada pelo sr. Silva (Cavaco), invariavelmente, responde: “merecemos políticos melhores…”

In A Lei do sr. Silva, para degustar por completo n' O Bule do Chá

(O Bule do Chá foi a fórmula que o Chá Verde encontrou para contornar a estúpida medida do DI, tal como o AO, em promover a edição online do jornal só para assinantes)

sexta-feira, dezembro 10

PURO PRAZER #35


Gerâneos, Carlos Reis

Educação sentimental

Para quem faz do sonho a vida, e da cultura em estufa das suas sensações uma religião e política, para esse, o primeiro passo, o que acusa na alma que ele deu o primeiro passo, é o sentir as coisas mínimas extraordinária e desmedidamente. Este é o primeiro passo, e o passo simplesmente primeiro não é mais do que isto. Saber pôr no saborear duma chávena de chá a volúpia extrema que o homem normal só pode encontrar nas grandes alegrias que vêm da ambição subitamente satisfeita toda ou das saudades de repente desaparecidas, ou então nos actos finais e carnais do amor; poder encontrar na visão dum poente ou na contemplação dum detalhe decorativo aquela exasperação de senti-los que geralmente só pode dar, não o que se vê ou o que se ouve, mas o que se cheira ou se gosta – essa proximidade do objecto da sensação que só as sensações carnais – o tacto, o gosto, o olfacto – esculpem de encontro à consciência; poder tornar a visão interior, o ouvido do sonho – todos os sentidos supostos e do suposto – recebedores e tangíveis como sentidos virados para o externo (…)”

Bernardo Soares, in Livro do Desassossego

(Bom fim-de-semana Blogosfera)

CHÁ COM TORRADAS #13

"Os jovens que passam longos períodos com um computador portátil em cima dos joelhos arriscam-se a perder fertilidade."

(Epá isso não se faz pá, logo agora pá, com a Região Digital e aquela cena da Declaração de Lisboa, grande injustiça pá e o toshiba que me deixa as "partes" quentinhas e o blogue e os chats coisa e tal, e os blind dates e essas cenas manhosas pá...que coisa pá, a x69, a gatassanhada e a bocadoce não se queixaram pá, isso cheira-me a lobby das casas de alterne...Eu cá sou muito macho, qual alexandre frota qual carapuça! Assinado: Zésemprempé!)

quinta-feira, dezembro 9

CHÁ QUENTE #27

"UM PÉ NA MARGEM DIREITA, OUTRO NA MARGEM ESQUERDA E O TERCEIRO NO RABO DOS IMBECIS"
J. PRÉVERT

PURO PRAZER #34


Hélio Rola

Por falar em Anjos:

"Carta de Satã
Isto aqui é um lugar estranho, extraordinário e interessante. Não há nada de semelhante aí pelos nossos sítios. Todas as pessoas são loucas, a Terra é louca, a própria Natureza é louca. O Homem é uma maravilhosa curiosidade. Quando está no seu melhor é uma espécie de anjo passado por um banho de níquel; no seu pior é indescritível, inimaginável; é, de ponta a ponta, um sarcasmo. E no entanto chama-se a si próprio, com brandura e sinceridade, «a mais nobre das obras Divinas» (…)"

Cartas da Terra, Mark Twain. Ed. Mareantes, 2004.

terça-feira, dezembro 7

PURO PRAZER #33

O ICEBERG


1) Carta a uma estudante de literatura que me pede dados biográficos:

Pensando bem não tenho biografia. Melhor, todo o escritor português marginalizado sofre biograficamente do que posso denominar complexo do iceberg: um terço visível, dois terços debaixo de água. A parte submersa pelas circunstâncias que nos impediram de exprimir o que pensamos, de participar na vida pública, é um peso (quase morto) que dia a dia nos puxa para o fundo. Entretanto a linha de flutuação vai subindo e a parte que se vê diminui proporcionalmente (...)"

In, O Aprendiz de Feiticeiro, Carlos Oliveira. Ed. Assírio & Alvim, 2004.

(Bom Feriado Blogosfera)

sexta-feira, dezembro 3

PURO PRAZER #32


Projet de décor pour la revue-opérette Oh! Ys!, Maurice Marchand

O Homem e o Mar

Homem livre, tu sempre adorarás o mar!
O mar é o teu espelho; a tua alma contemplas
Na sua ondulação, no infinito vaivém,
E o teu espírito é o fosso não menos amargo.

Gostas de mergulhar na tua própria imagem
Chegas mesmo a beijá-la, e o teu coração
Distrai-se algumas vezes do seu próprio som
Com o rumor dessa queixa indomável, selvagem.

Sois ambos, afinal, discretos, tenebrosos:
Homem, ninguém sondou os teus fundos abismos;
Ó mar, ninguém conhece os teus tesouros íntimos,
Tanto que sois dos vossos segredos ciosos!

E, porém, desde sempre, há séculos inumeráveis
Que os dois vos combateis sem piedade ou remorso.
De tal modo gostais da carnagem, da morte,
Ó lutadores eternos, irmãos implacáveis!

In, As flores do mal, Baudelaire

(Assinem e passem a palavra, já faltava alguma cor a este blog, bom fim-de-semana Blogosfera)

CHÁ QUENTE #26

"AO QUE VIMOS E PORQUE VIMOS
PELO GOSTO DE ESTAR.
PELO DESEJO DE PARTICIPAR.
PELA HUMANA TENTAÇÃO DE EXPERIMENTAR.
PELA FELINA CURIOSIDADE DE ARRISCAR.
PELO INCONTIDO IMPULSO DE SUPERAR LIMITES PRÓPRIOS E EXPECTATIVAS ALHEIAS.
PARA ESTAR COM O FUTURO SEM RENEGAR OU ESCONDER O PASSADO.
PELAS MESMAS ORIGINAIS RAZÕES QUE LEVARAM O BÍBLICO ADÃO A ARRISCAR O PARAÍSO E O HOMÉRICO ULISSES A ENFADAR-SE DA ILHA DE CALIPSO."

(O Vent(ilha)dor de DSousa na Blogosfera desde 27 de Novembro, para gáudio de muitos e terror de alguns)

CHÁ COM TORRADAS #12

Temos novo D.Sebastião e, entretanto, o Processo Colectivo de Intoxicação Voluntária continua, é caso para dizer como o outro:
QUERO LÁ SABER!!!

quinta-feira, dezembro 2

CHÁ DAS CINCO #9

Não deixa de ser com uma certa esperança que leio estas coisas:

"Vimos pois com uma obrigação e a consciência de uma vantagem: a obrigação de estudar se as características dos nossos fluidos geotérmicos permitem igualmente outras utilizações para além das nossas actuais e a vantagem de poder contar com a experiência islandesa e assim não repetir os mesmos erros que reconheceram também ter cometido. As portas ficaram abertas para a cooperação, garantiram-nos."
Francisco Botelho

"Projectos bilaterais já se firmaram nas pescas e, em breve, chegará também a vez da agropecuária (...)Carlos César reiterou também a sua vontade de desenvolver o intercâmbio, de lá para cá e vice-versa, de jovens interessados numa experiência de trabalho e estudo, contornando, assim, toda a burocracia de entradas no país. Isso é importante para nós, também para facilitar a cooperação de investigação científica porque os jovens podem mais facilmente vir a Portugal. O protocolo está a ser elaborado e precisamos de um apoio para assegurar que este acordo está assinado antes do Verão."
Patrick Parisot (Embaixador do Canadá em Portugal)

CHÁ COM TORRADAS #11

Perante a decisão do sr. Sampaio não me vou arvorar em comentador, já dei muito para esse peditório, quero apenas perspectivar umas questões que me assaltaram durante o feriado, na certeza de que nem o João Nuno nem o Pedro Gomes, as colocarão, apesar de sobre elas, certamente, já terem meditado, a saber:
1- Qual será a posição do PSD/Açores quanto à indigitação do sr. Lopes para candidato a PM, quando foi voz oficial que a principal razão para a derrota de dia 17 Out foi o mau momento do Governo da República?
2- A posição oficial do PSD/Açores é a posição do seu líder demissionário sr. Cruz e vice-presidente do partido?
3- Qual a legitimidade de uma direcção demissionária para delinear a estratégia e a lista de candidatos às legislativas?
4- Qual a prioridade na lista de candidatos dos srs. Cruz, Amaral e Neves?
5- Não deverá o PSD/Açores antes de responder a qualquer destas questões clarificar a sua situação com um congresso extraordinário ainda antes de Janeiro?

Desculpem lá qualquer coisinha mas «perguntar não ofende» eheh
Aguardo contestação, se tiverem paciência, para réplica ...

terça-feira, novembro 30

CHÁ DAS CINCO #8



Na Capital
“Quem manda aqui?” perguntei
Responderam:
“O povo, é claro!”
Eu disse:
“É claro, o povo
mas quem
manda de facto?”

Erich Fried

(Como se diz aqui na Terceira: "Que não venhá pior!" Bom feriado Blogosfera)

É d'HOMEM #14

"Ao ler à distância, os delírios de muito gente na última semana, quando se falou muito do mar, não posso deixar de dar o meu testemunho sobre algumas coisas que li, nomeadamente sobre a intenção de Portugal em querer alargar a sua Zona Económica Exclusiva (ZEE) para as 350 milhas náuticas! Fantástico!! Continuando neste ritmo ainda nos afogamos em tanta água!!!!"

(Gui Menezes: um Homem com Z grande)

É d'HOMEM #13

Quem conhece o Chá Verde sabe que não é pessoa de elogio fácil, nem de «manteigas» ou «graxas», por isso está particularmente à vontade para dizer o seguinte:
Ontem no programa «Conversa Aberta» da RTP/A Sérgio Ávila mostrou porque a sua entrada para o Governo Regional era, mais do que uma inevitabilidade, uma necessidade. A forma desassombrada e corajosa com que abordou a entrevista e algumas das questões nela colocadas veio mostrar que a nova geração de políticos açorianos não o é apenas pela idade mas, sobretudo, pelos conceitos e pelas prioridades.
Assim, o Chá Verde, do mesmo modo que louva a sua entrada para o Governo dos Açores, espera estar daqui a 4 anos a elogiar o seu trabalho como Vice-Presidente.

segunda-feira, novembro 29

CHÁ QUENTE #25


Morais Sarmento: "Temos sempre pena" da saída de um membro do Governo

(o Chá Verde tem pena é de já não terem saído TODOS os membros do Governo, mas aguarda pelo sr. Arnaut ainda hoje e pelos restantes na quarta-feira)

CHÁ COM TORRADAS #10


Exposition du corps de Saint Bonaventure, Francisco Zurbaran
(lá como cá, não fiquemos nas nossas «varandas de inteligentes», sejamos cidadãos de corpo inteiro)

Post Scriptum: O Chá Verde agradece, penhoradamente, ao Ilhas os magníficos prémios entretanto recebidos. Bem Hajam!

sexta-feira, novembro 26

PURO PRAZER #31


Mário de Cesariny

Autografia

Sou um homem
um poeta
uma máquina de passar vidro colorido
um copo uma pedra
uma pedra configurada
um avião que sobe levando-te nos seus braços
que atravessam agora o último glaciar da terra

O meu nome está farto de ser escrito na lista do tiranos: condenado à morte!
Os dias e as noites deste século têm gritado tanto no meu peito que existe nele uma árvore miraculada
tenho um pé que já deu a volta ao mundo
e a família na rua
um é loiro
outro moreno
e nunca se encontrarão
conheço a tua voz como os meus dedos
(antes de conhecer-te já eu te ia beijar a tua casa)
tenho o sol sobre a pleura
e toda a água do mar à minha espera
quando amo imito o movimento das marés
e os assassínios mais vulgares do ano
sou, por fora de mim, a minha gabardina
e eu o pico do Everest
posso ser visto à noite na companhia de gente altamente suspeita
e nunca de dia a teus pés florindo a tua boca
porque tu és o dia porque tu és
a terra onde eu há milhares de anos vivo a parábola
do rei morto, do vento e da primavera.
Quanto ao de toda a gente – tenho visto qualquer coisa
Viagens a Paris – já se arranjaram algumas.
Enlaces e divórcios de ocasião – não foram poucos.
Conversas com meteoros internacionais – também, já por cá
passaram.
Eu sou, no sentido mais enérgico da palavra
uma carruagem de propulsão por hálito
os amigos que tive as mulheres que assombrei as ruas por onde passei uma só vez
tudo isso vive em mim para uma história
de sentido ainda oculto
magnífica irreal
como uma povoação abandonada aos lobos
lapidar e seca
como uma linha férrea ultrajada pelo tempo
é por isso que eu trago um certo peso extinto
nas costas
a servir de combustível
e é por isso que eu acho que as paisagens ainda hão-de vir a ser
escrupulosamente electrocutadas vivas
para não termos de atirá-las semi-mortas à linha.

E para dizer-te tudo
dir-te-ei que aos meus vinte e cinco anos de existência solar estou em franca ascensão para ti O Magnífico
na cama no espaço duma pedra em Lisboa-os-Sustos
e que o homem-expedição de que não há notícias nos jornais nem
lágrimas à porta das famílias
sou eu meu bem sou eu partido de manhã encontrado perdido entre
lagos de incêndio e o teu retrato grande!

In Pena Capital

(porque o Expresso lhe deu devido destaque e porque dele será, talvez, o meu preferido … se é que preferências podem haver! Bom fim-de-semana Blogosfera)

É d'HOMEM #12


Bandeiras Vermelhas, Vieira da Silva

Carvalhas rejeita «capitulação ideológica»

CHÁ COM TORRADAS #9

No próximo dia um de Dezembro Alvarino Pinheiro, eleito pela Terceira, vai suspender o mandato no Parlamento Regional por um período de quatro meses.
Em substituição será chamado a exercer funções no Parlamento, nos próximos dois meses, José Joaquim Vaz de Melo, que ocupava o quarto lugar na lista do CDS/PP na Terceira no âmbito da Coligação Açores.

(A fraude continua, algum dia alguém terá coragem para moralizar o regime de substituições parlamentares?)

quinta-feira, novembro 25

CHÁ DAS CINCO #7

BLOG

Mantivera no fim da adolescência
aquilo a que chamava simplesmente
o seu diário íntimo:
páginas manuscritas onde ardiam
rastilhos de mil sonhos que rasgavam
as mordaças da angústia social,
a timidez tão própria da idade.

Nessa caligrafia cuja cor
fora ainda a do sangue
colheu a energia necessária
pra atravessar como um sonâmbulo
o ordálio daquela juventude,
o seu incandescente calendário
de amizades vorazes, tão velozes
como os amores que julgava eternos
e outras feridas mal cauterizadas.

Hoje quase não volta a essas páginas:
estamos no século XXI
e em vez do diário de outros tempos
mantém agora um blog
onde todos os dias extravasa
recados, atitudes, confissões,
coisas no fundo tão inofensivas
como o fogo que outrora lhe acendia
as frases lancinantes
- embora hoje em dia quando escreve
tenha por um momento a ilusão
de que as suas palavras continuam
a propagar ainda o mesmo vírus,
e a alimentar, quem sabe, os mesmos
sonhos
sempre que alguém desconhecido as ler
como quem só assim então escutasse
um segredo na noite do mundo.

Mas, apesar de todo o entusiasmo
que o mantém acordado por noites sem fim,
ele adivinha que também virá
um dia a abandonar sem saber como
o seu actual vício solitário
e dentro de alguns anos, ao reler
as frases arquivadas no computador,
talvez tudo isso lhe pareça então
fruto de gestos tão adolescentes
como os que antigamente preenchiam
esses cadernos amarelecidos
e hoje sepultados para sempre
em esquecidas gavetas de outro século.

In Pena Suspensa, Fernando Pinto Amaral

(A razão para continuar até o Chá deixar de ter sabor)

quarta-feira, novembro 24

PURO PRAZER #30


Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera
(o Chá Verde voltou após um Intervalo Doloroso, isto de andar em mudanças tem muito que se lhe diga)

segunda-feira, novembro 15

POST(AL) AUTONÓMICO #5



O Chá Verde, ciente da importância do momento, foi à estante para deixar, com as sábias palavras de Luís da Silva Ribeiro (Escritos Político-Administrativos, Obras, vol IV), algumas perspectivas aos que a partir de hoje ou de amanhã servirão os Açores.

Aos Deputados:
“(…) Começarei por suplicar que legislem pouco, ainda mesmo que legislem bem. A abundância de leis é sempre uma mal, e até um dos que mais nos afligem actualmente.
Depois, pedir-lhes-ei que pensando no seu distrito, pensem nos Açores, se lembrem de que são açoreanos, porque são micaelenses, faialenses ou terceirenses, e estas nove terras são, afinal uma só terra – a terra de nós todos. (…)”
In Correio dos Açores, 25 de Novembro de 1925.

Aos Governantes:
(…) Para melhorar-mos a nossa situação temos muita coisa a fazer, mesmo nas reformas administrativas, mas façamo-las consoante as nossas condições de vida, as nossas necessidades e as nossas tradições, e não vamos de momento vestir um fato que nos não sirva porque não foi feito para o nosso corpo (…) A simples observação das nossas condições geográficas e do nosso modo de vida mostra-nos que, por um lado, um conjunto de costumes, de necessidades, de circunstâncias naturais, fazem dos Açores uma província insular de Portugal, distante todavia do continente; por outro lado, o isolamento de cada uma das ilhas, a descontinuidade territorial, torna cada uma delas uma unidade social independente das outras, vivendo sobre si, cuidando dos seus interesses a todas comuns, mesmo com recíproca desconfiança, senão má vontade. (…) Urge substituir a ilha pelo arquipélago na criação de grandes empresas comerciais ou industriais em que seja interessado o capital açoriano; ligar as empresas industriais congéneres existentes nas diferentes ilhas, por modo a entenderem-se na relações com os mercados externos, solidarizarem-se, e defenderem-se conjuntamente, sem prejuízo da autonomia de cada uma delas; federar cooperativas e sindicatos; estudar e reunir o nosso folclore as nossas tradições populares que revelarão a identidade étnica em todas as ilhas, e prepararão o advento de uma arte puramente açoriana, de uma poesia e de uma literatura insulares, se não ainda a formação de novas fontes de riqueza pelo desenvolvimento de algumas indústria caseiras; multiplicar e regular as comunicações interinsulares; pugnar pelos interesses comuns por meio de consórcios ou entendimentos dos municípios, de acordos eleitorais para uma acção política conjunta, da elaboração de um programa mínimo de reivindicação colectiva. (…)
In A União, 10 de Janeiro e 3 de Fevereiro de 1923

“(…) Ter hotéis e restaurantes em boas condições de situação, higiene, asseio e serviço; não explorar o viajante, pedindo-lhe quantias fabulosas por qualquer objecto ou serviço; possuir guias e intérpretes educados, capazes de se entenderem com os estrangeiros, de lhes darem informações exactas e de lhes mostrarem o que eles devem ver; ter estradas e meios de transportes fácil, rápido e cómodo, em número suficiente; fazer uma propaganda constante e criteriosa das nossas belezas naturais e de tudo o que possa interessar ao excursionista. (…)”
In Correio dos Açores, 12 de Setembro de 1926

(Entretanto o blogger, porque também é filho de Deus, vai descansar uns dias)

domingo, novembro 14

CHÁ DAS CINCO #6


Odisseu e canto das sereias

"(...) O Mar esmagara-o.
Todo o corpo estava dorido e água salgada corria-lhe
da boca e das narinas. Jazia sem fôlego, incapaz de falar,
incapaz de se mexer. Apodera-se dele um cansaço ingente.
Quando voltou a si e ao peito regressou o alento,
desprendeu do corpo o véu da deusa marinha e deixou
que caísse no rio que fluía em direcção ao mar.
Uma onda forte levou-o na corrente e de imediato Ino
recebeu o véu nas mãos. E afastando-se do rio, Ulisses
ajoelhou-se num canavial e beijou a terra dadora de cereais.
Mas desanimado assim disse ao seu magnânimo coração:

"Ai, pobre de mim, o que estará para me acontecer?
Se aqui junto ao rio mantiver vigília durante a noite,
receio que a cruel geada e o fresco orvalho vençam,
na fraqueza em que estou, o meu espírito estafado.
E do rio soprará logo de manhã um vento frio.
Mas se eu subir esta elevação até ao bosque sombrio
e lá me deitar entre os densos arvoredos na esperança
de afastar o frio e a fadiga, receio que ao dormir docemente
me exponha como presa para as feras selvagens."

In Odisseia, Homero. Tradução Frederico Lourenço, Ed. Cotovia.

CHÁ COM TORRADAS #8



Como concluímos em artigo anterior a Assembleia Legislativa apresenta-se diminuída na sua dimensão política, como centro de pensamento e de projecção autonómica, centro fiscalizador da actuação governamental e enquanto face visível da dimensão legislativa regional. Espartilhada em esquemas orgânicos e comunicacionais decalcados da estrutura executiva, a Assembleia, por natureza enroupada numa veste que para si coseu, está, no século XXI, manifestamente demodé.

sábado, novembro 13

CHÁ QUENTE #24


Retrato de um anão sentado no chão, Velasquez

"O problema da democracia não é como eleger os melhores, antes como nos vermos livres dos piores"
Karl Raimund Popper

É d'HOMEM #11

“É muito importante logo à partida ter em conta que uma carruagem por melhor que seja o condutor é muito diferente se tiver dois burros, duas mulas ou dois cavalos a puxá-la. Quando muito a Quercus pode simbolizar um pouco o cão que vai atrás da carruagem a ladrar para tentar fazer com que andem melhor e mais depressa”
Veríssimo Borges

PURO PRAZER #29


Free Element XI, Dodo Jin Ming

CHÁ DAS CINCO #5


Ascending and Descending, M.C. Escher

OS BRAVOS GENERAIS

Os bravos generais caem do escadote
citam teilhard frequentam o templo
São eles e não as damas quem nos salões dá o mote
Os filhos podem invocá-los como exemplo
seu peito fero é todo uma medalha
e ganham sempre só perdem a batalha
do escadote quando o inimigo grita: toma
chegou a tua vez de receberes um hematoma
Seja a subir seja a descer - desde que não seja escada -
os generais avançam pois não temem nada
Mas - sobressaltam-se eles - o que é que o meu olhar avista?
Um simples escadote o grande terrorista

In Todos os Poemas, Ruy Belo. Assírio & Alvim, 2000

(Post dedicado ao Olho de Milhafre que me relembrou o Poeta)

sexta-feira, novembro 12

PURO PRAZER # 28

1 Marítimo-Benfica 1X2
2 Gil Vicente-Porto 1
3 Setúbal-Nacional 1

4 U. Leiria-Braga X
5 Belenenses-Moreirense 1X
6 Penafiel-Beira-Mar 1X2

7 E.Amadora-Maia 1X2
8 Feirense-Marco X
9 Naval-Leixões X

10 D. Aves-Alverca 1
11 P. Ferreira-Chaves
12 Portimon.-Varzim
13 Ovarense-Sp.Espinho


(Já não dá para o Euromilhões mas ainda dá para ganhar uns tostões aqui. Bom fim-de-semana blogosfera)

CHÁ QUENTE #23


Saut du lapin, Amadeo de Souza-Cardoso

CHÁ QUENTE #22


A Galinha e os Pintos ou Uma Família, José de Sousa Girão

CHÁ QUENTE #21


Incêndio na Câmara dos Lordes e dos Comuns, J.M. William Turner

Artigo 20.º
Início da legislatura
1. A Assembleia Legislativa Regional reúne, por direito próprio, no 15º. dia após o apuramento dos resultados

Considerando que o Estatuto é cristalino ao dizer que é no 15.º dia que a Assembleia se reúne, e que a publicação oficial dos resultados aconteceu no dia 4 de Novembro, em Diário da República, alguém tem por aí uma máquina de calcular? Apre!

PURO PRAZER #27



James and Other Apes, James Mollison

quinta-feira, novembro 11

CHÁ QUENTE #20


A fuga, Mário Eloy Pereira

"(...) o jornaldiario.com, que é líder indiscutível e destacado entre os sites noticiosos da Região, começa também já a invadir, com sucesso, o terreno da comunicação social tradicional, cuja perda de velocidade para os meios suportados nas novas tecnologias tem vindo a ser cada vez mais notória."

(E que tal um cházinho para acalmarem?)

CHÁ QUENTE #19


O Vento, Victor Sjöström (1928)

"The Wind" always gets mixed reviews, some who appreciate its artistic merits and others who complain about its harsh realism, which, they claim, is almost taken to the point of surrealism. The bottom line is, it is an excellent film, excellently excecuted both performance-wise and in direction, but which could have been improved with a little "fine-tuning."

(Se todos os filmes fossem como este)

quarta-feira, novembro 10

CHÁ QUENTE #18



Alexandre O'Neill

Divertimento com sinais ortográficos
...
Em aberto, em suspenso
Fica tudo o que digo.
E também o que faço é reticente...
:
Introduzimos, por vezes,
Frases nada agradáveis...
.
Depois de mim maiúscula
Ou espaço em branco
Contra o qual defendo os textos
,
Quando estou mal disposta
(E estou-o muitas vezes...)
Mudo o sentido às frases,
Complico tudo...
!
Não abuses de mim!
?
Serás capaz de responder a tudo o que pergunto?
( )
Quem nos dera bem juntos
Sem grandes apartes metidos entre nós!
^
Dou guarida e afecto
A vogal que procure um tecto.

In Abandono Vigiado

É d'HOMEM #10

"O líder do PSD e primeiro-ministro já projectou uma remodelação do elenco governamental a ocorrer depois do debate do Orçamento do Estado para 2005"

(E se é o Jornal Oficial que diz quem é o Chá Verde para dementir)

PURO PRAZER #26


The Complete Norman Granz Jam Sessions

(O Chá Verde já está a pensar no Natal)

terça-feira, novembro 9

CHÁ DAS CINCO #4




"(...) Hoje o mundo é do seu verdadeiro tamanho. Nem uma polegada a menos nem uma ilusão a mais.
Das cinco partes da Terra todos regressam aos territórios das suas próprias colectividades. O mundo está o mesmo por toda a parte. A realidade é sempre a mesma em todos os lados do mundo. É impossível fugir da realidade. E quer queiramos ou não, hoje temos de ser todos profetas na nossa própria terra.
Acabaram-se as iniciativas particulares. Acabaram-se os caprichos dos viajantes isolados. Acabaram-se os génios que cantavam chorando a solidão dos indivíduos. Hoje pedimos todos à uma, a colectividade que nos represente, a colectividade a que temos direito, que é ela mesma a nossa colectividade, o nosso próprio a único direito à vida.
Queremos a colectividade portuguesa à altura de si-própria, vista de todos os lados da terra. Que cada português, dentro ou fora da nossa terra, seja o perfeito indivíduo da nossa própria colectividade (...)"

In Direcção Única, José de Almada Negreiros, 1932

(Post de militante concordância dedicado ao Nuno Barata)

CHÁ QUENTE #17



Neptune sur le frontispice du premier ouvrage entièrement consacré aux sciences de la mer
Luigi Ferdinando Marsigli, Histoire physique de la mer, ouvrage enrichi de figures dessinées d'après le naturel. Gravures de Matthys Pool.

Entretanto, depois das desastrosas e sintomáticas declarações do sr. Neves, os «especialistas» do Ministério dos Negócios Estrangeiros apressaram-se a vir a terreiro para, invocando jurisprudência europeia, dizer que desde 1976 «no passa nada» (o castelhano é propositado). Ora, se nada mudou, porque não foi essa a resposta primeira do sr. Neves? Não foi ele o anterior Secretário de Estado dos Assuntos Europeus? E se já é assim há 30 anos porque só agora decidem consagrar essa tese no Tratado? Porque não em Maastricht (o que mais reformou) ou em Amesterdão ou em Nice?
Questions, just questions…a que acrescento o "Plebiscito" do sr. Barreto no Público de Domingo (sem link disponível) e mais isto…quantos dias faltam para Abril?