segunda-feira, janeiro 17

CHÁ COM TORRADAS #24

Declaração de interesses:
Tenho elevada estima pessoal por Victor Cruz, considero-o uma excelente pessoa, mas é um político fora do seu tempo, infelizmente para ele, para o PSD/A e para os Açores:

"Mais Açores melhor autonomia"
Onde? Tentei seguir o congresso pelo excelente serviço público que prestou a RDP/A e não ouvi uma palavra para os Açores, uma ideia para a Autonomia...ou alguém com honestidade intelectual considera que dizer «não queremos uma grande autarquia mas um pequeno estado» é uma grande inovação?
(já agora alguém me arranja a moção? é que no site ...nada)

"Somos os campeões da Autonomia"
Para esta tenho o Pedro Gomes "ninguém é dono da Autonomia!".
Melhor fora que tivesse juízo e ouvisse os recados de Reis Leite quanto à perda de protagonismo do PSD/A nas últimas revisões constitucionais.

Lançar Mota Amaral como candidato que encerra as «justas aspirações autonómicas dos Açores» é uma deslealdade, para o próprio que, como candidato presidencial, não se pode ater a essa singularidade, para a autonomia que, enquanto desígnio colectivo, não pode ser instrumentalizada em favor de um projecto partidário.

sexta-feira, janeiro 14

PURO PRAZER #56


Saraband, Ingmar Bergman

Quando somos muito fortes, - quem recua? muito alegres, - quem cai no ridículo?
Quando somos muito maus, - que fariam de nós?
Alindai-vos, bailai, desatai a rir.- Eu nunca poderei atirar o Amor pela janela.

Iluminações, Jean-Arthur Rimbaud

(Cenas da vida conjugal 30 anos depois...Bom fim-de-semana!)

É d'HOMEM #19

Notícia RDP/A às 8h30:
«António Ventura vai avançar com uma candidatura à liderança da concelhia do PSD de Angra.»

Então o sr. Ventura não era Independente no dia 17 de Outubro?

quinta-feira, janeiro 13

PURO PRAZER #55


Trifid Nebula


Nebulosas lá como ...

quarta-feira, janeiro 12

PURO PRAZER #54


Baran, Majid Majidi

Estava a ver que não o via ...Hoje, no Ramo Grande ,mesmo sem estar agendado, viva a cultura!

CHÁ COM TORRADAS #22 (Act.)

Um homem passa os dias mergulhado em papéis, mas depois quando levanta a cabeça lê e ouve coisas que o deixam chateado.
Quando ouço e leio a propósito da revisão do sistema eleitoral «O trabalho que agora apresentamos é o primeiro tornado público sobre a matéria» poderia concluir tratar-se de uma declaração não séria, mas lembrando 28 de Dezembro de 2003 quando o mesmo diário tinha em caixa «PSD/A propõe dez círculos. O PSD pretende criar um "Círculo Regional de Compensação", para as eleições legislativas nos Açores» começo a pensar que talvez esteja perante mais uma atabalhoada tentativa de reescrever a história.
Atabalhoada porque o que ali se propõe nem é novo nem é possível:
1- Em 1987 na sua proposta de Código Eleitoral Jorge Miranda defendia a criação de círculos eleitorais por referência a autarquias locais ou conjuntos de autarquias locais de modo a que o número de eleitores fosse o mais homogéneo possível;
2- Penso ter sido o também o MPT (ou o sr. Moniz) a avançarem com a divisão da ilha de S.Miguel em várias círculos;
3- O aumento de 2 deputados em S.Miguel e 1 na Terceira não é novidade alguma, já foram tornadas públicas várias posições nesse sentido (Reis Leite) e o PS/A apresentou uma proposta na Comissão com essa possibilidade (lembro que o PS/A apresentou 3 propostas de revisão do sistema eleitoral)
4- A proposta apresentada é incoerente:
a) não estende essa divisão por concelhos a todo o arquipélado;
b) querendo aproximar o eleitor do eleitorado deveria propor círculos menores;
c) não resolve a questão da sobre-representatividade das ilhas mais pequenas;
d) não se coaduna com a revisão constitucional, onde há uma imposição clara à manutenção da realidade de ilha no sistema eleitoral dos Açores;
e) discorre em sentido contrário à tendência agregadora global do sistema eleitoral (arquipélago vs ilhas) introduzindo mais um ponto de fractura (concelhos).

Tudo isto conjugado leva-me a lembrar o seguinte, para os mais distraídos:
a) O Vent(ilha)dor já esclareceu tecnicamente a proposta do círculo regional de compensação do PS/A
b) como bem lembra o Vent(ilhador) e como já defendi no Bule do Chá, este círculo regional de compensação pode ser usado quer com um aumento quer com a diminuição dos parciais das ilhas;
c) o círculo regional não é um círculo de restos mas sim um círculo de apuramento dos votos de todo o arquipégago;
d) o círculo de restos não se adequa ao método de Hondt (vejamos os restos em ilhas como faial, pico ou sjorge podem ser maiores que os restos de smiguel ou terceira dependendo do último parcial para o último deputado apurado nessas ilhas, isso não resolveria a sobre-representação das ilhas mais pequenas, pelo contrário)
e) O único trabalho que reconheço seriedade na abordagem do círculo regional de compensação é o aqui presente, leiam e penso que ficarão esclarecidos.

Quanto ao mais ...venham propostas sérias que o Presidente da Comissão vai estar atento, certo? Bom dia!

segunda-feira, janeiro 10

PURO PRAZER #53


Cena Erótica, Picasso

Janelas Altas

Quando vejo um casal de miúdos
E percebo que ele a anda a foder e ela
Usa um diafragma ou toma a pílula
Sei que isto é o paraíso

Com que os velhos sonharam toda a vida -
Compromissos e gestos postos de lado
Que nem debulhadora fora de moda,
E toda a gente nova a descer pelo escorrega,

Interminavelmente, para a felicidade. Será
Que alguém olhou para mim, há quarenta anos,
E pensou: Isso é que vai ser boa vida;
Nada de Deus, ou suores nocturnos,

Ou medo do inferno, ou ter de esconder
Do padre aquilo que se pensa. Ele
E a malta dele, c'um raio, hão-de ir todos pelo escorrega
Abaixo, livres que nem pássaros?
E de imediato,

Em vez de palavras, vêm-me à ideia janelas altas:
O vidro que acolhe o sol, e mais além
O ar azul e profundo, que não revela
Nada e está em lado nenhum e não tem fim.

Janelas Altas, Philip Larkin. Ed. Cotovia, 2004.

É d'HOMEM #18

PP «é dique contra as crises»

Para os presentes efeitos «dique» é a palavra certa

sexta-feira, janeiro 7

PURO PRAZER #52


San Benedetto, J.M. William Turner

“(…) As observações e os encontros do homem solitário são a um tempo mais confusos e prementes do que os do homem mundano, os seus pensamentos mais graves, surpreendentes e nunca isentos de um traço de tristeza. Imagens e percepções, que um olhar, um sorriso, uma troca de impressões levariam a ignorar, ocupam-no sobremaneira, ganham profundidade no silêncio, ganham sentido, tornam-se vivência, aventura, sensação. A solidão é propícia ao original, ao estranhamento e ousadia do belo, à poesia. Mas gera também o perverso, o monstruoso, o absurdo e o ilícito. (…)”

Morte em Veneza, Thomas Mann. Ed. Relógio d’Água, 2004.

(Entretanto parece que não é só o André que nos quer dar música, estejam atentos amanhã aos brindes destes e destes senhores. Bom fim-de-semana!)

É d'HOMEM #17

O presidente da República, Jorge Sampaio, defende que o sistema político deve ser alterado para facilitar a criação de maiorias absolutas na Assembleia da República

(E passados 9 anos sobre Belém desceu um estrela plena de luz...)

quinta-feira, janeiro 6

CHÁ COM TORRADAS #21


Golconde, Magritte

(Porque eles andam por aí e por aqui e aqui e aqui e aqui ...)

É d'HOMEM #16

"Não esperava perder por tantos votos”

O Sr. Cruz amanhã na edição em papel do Expresso das 9, ou ainda hoje pela tardinha na edição on-line.

quarta-feira, janeiro 5

PURO PRAZER #51


Coucher de soleil sur la Seine, effect d'hiver. Claude Monet

O que me faz lembrar o «Just a perfect day...» do Lou Reed

terça-feira, janeiro 4

PURO PRAZER #50

HASH(0x8898b68)
You are Hamlet, prince of Denmark. You may have
the power to do great things, but do not let
indecision weaken your resolve. Be careful to
not allow other people's problems to become
your own, and don't steriotype people.
Whatever path you choose to take in life,
beware of neglecting those who care about you.

Which Shakespearian Tragic Hero are You?

Pronto tá destinado, tá destinado, alguém viu por aí uma caveira?
Via (Indis)Pensáveis

CHÁ DAS CINCO #12

Dão-se alvíssaras a quem me conseguir explicar:

1- Porque é que o Sr. Cruz insiste em ir em 2.º lugar na lista de canditados do PSD/A às legislativas nacionais?

2- Como é que se está a sentir o PSD/Terceira com a candidatura do sr. Neves por Portalegre, quando já andavam a anunciar publicamente a sua proto-candidatura à CMAH?

3- Porque é que o sr. Gusmão deixou de ser cabeça de lista às legislativas nacionais em favor do sr. Barata?

PURO PRAZER #49


Waterloo Bridge, soleil dans le brouillard, Claude Monet

(...e a manhã nasceu assim. Bom Dia!)

segunda-feira, janeiro 3

PURO PRAZER #48


The Pleiades Star Cluster

Estrelas

O azul do céu precipitou-se na janela. Uma vertigem, com certeza.
As estrelas, agora, são focos compactos de luz que a transparência variável das vidraças acumula ou dilata. Não cintilam porém.
Chamo um astrólogo amigo:
«Então?»
«O céu parou. É o fim do mundo.»
Mas outro amigo, o inventor de jogos, diz-me:
«Deixe-o falar. Incline a cabeça para o lado, altere o ângulo de visão
Sigo o conselho: e as estrelas rebentam num grande fulgor, os revérberos embatem nos caixilhos que lembram a moldura dum desenho infantil.

Trabalho Poético, Carlos Oliveira. Assírio & Alvim, 2003.

(...ou o esboço para uma crónica de passagem de ano)

domingo, janeiro 2

CHÁ COM TORRADAS #20

"(...) Causam-me alguns engulhos que a Região querendo resolver um problema (e precisa resolvê-lo) avance na perspectiva menos onerosa a curto prazo. O cerne da questão deveria, aqui, ser: Queremos menos, melhores e mais bem remunerados deputados? Consensos precisam-se(...)"

(Nada como começar o ano com uma boa provocação, agitar as águas, O SISTEMA para seguir n' O BULE DO CHÁ)

quinta-feira, dezembro 30

PURO PRAZER #47


Três de Maio, Goya

Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.

Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente á secular justiça,
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de
sangue».
Por serem fiéis a um Deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto
haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha o coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa – essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga –
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror e tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é só nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

Obras de Jorge de Sena, Antologia Poética. Edições ASA,1999.

(Tenham paciência e leiam até ao fim, depois...o Fogo de Artifício. Feliz 2005!)

PURO PRAZER #46


Beethoven: Piano Sonatas, Op 10 & 13 "Pathétique", Maurizio Pollini

(Para as melhores saídas ...)