segunda-feira, julho 11

PURO PRAZER #139


45.
Mesmo agora sonho com essa princesa
Filha do mais nobre dos reis
Com os seus olhos ardentes de desejo
Criança que um dia desceu dos céus
Filha dos músicos celestes dos génios dos cantores
Divinos dos deuses e da serpente-virgem


47.
Mesmo agora recordo a beleza doirada
Do seu corpo sugerindo fadiga
Para não parecer impúdica
Perturbada pelos meus beijos apaixonados
E pelo contacto das nossas coxas
Ela deixava – como uma planta por onde
Sobe a seiva – que o desejo a possuísse


48.
Mesmo agora recordo como era implacável
Na batalha sem armas do amor
Como nós apesar de enlaçados
Nos conseguíamos levantar e deitar
Sem o apoio das mãos Recordo
O sangue das mordeduras nos seus lábios
E dos arranhões nas suas coxas

Os cinquenta poemas do amor furtivo, e outros poemas eróticos da Índia antiga. Tradução de Jorge de Sousa Braga. Ed. Assírio & Alvim, 2004.

3 comentários:

carlos disse...

Um post muito agradável, caro Guilherme, embora eu nestas coisas prefira o Bukowski ao Jorge Sousa Braga, isto para não falar do Ovídio e do Catulo e, já agora, do Bocage (não vá alguém julgar que sou pouco patriota na lascívia).

Caiê disse...

Eu prefiro o Cântico dos Cânticos! como não, se é toda a minha tradição? ;)

gmarinho disse...

...lamento ter-vos induzido em erro, o Jorge Sousa Braga traduziu os «Caurapankasika» (cinquenta poemas do ladrão de amor) atribuídos a Bilhana poeta que terá vivido em Caxemira no sec XI d.c.
Quanto às Vossas sugestões «tenha eu saúde» e havemos de as ler por cá...
Obrigado pela visita ;)