sexta-feira, julho 15

CHÁ QUENTE #83


Memoria, Bill Viola

“… sou um homem formado na ciência, no chão duro e compacto; não sou adepto de voos ou de saltos, sou adepto da consulta, do estudo, da comparação, dos pequenos cálculos sucessivos, da progressão, do respeito pela lentidão, pelo processo, pelos métodos, pelo progresso. Não se trata de descobrir um tesouro que está guardado à nossa espera, não se trata de algo que hoje não tenho e amanhã posso ter. Não é uma invenção nem uma descoberta, é um estudo, um raciocínio, algo que me vai levar anos e anos, talvez a vida toda, talvez mesmo a vida inteira (…) trata-se de um quadro, sim, mas de um quadro que começará a ser pintado por uma geração e que a geração seguinte continuará, tentando aperfeiçoar a cor, a luminosidade, a sombra; é um quadro, se quiser, é uma pintura, mas uma pintura histórica, uma pintura que não esquece que os homens não pertencem à sua casa, aos pais, à mulher, mas sim, antes do mais, à História, à História do seu país, à História do mundo…”

Gonçalo M. Tavares, Jerusalém. Ed. Caminho, 2005.

2 comentários:

carlos disse...

..."é uma pintura", uma pintura a óleo, cheia de escamas.
Magnífico texto.

gmarinho disse...

Magnífico livro Carlos, magnífico!